[Tomio’s Review] Binary Domain

Nome: Binary Domain
Produtora: SEGA
Gênero:  Tiro em terceira pessoa
Plataforma(s): Playstation 3, Xbox 360, PC
Versão analisada: Playstation 3

Domínio binário

Binary Domain é o mais novo título da Ryu ga Gotoku Studio (SEGA), divisão responsável pela série de mesmo nome (“Yakuza” para os ocidentais).

Vanquish?

Binary Domain é um jogo que lembra muito Vanquish, título de mesmo gênero produzido pela Platinum Games. Começando pela arte “cinza” do jogo, já que o mesmo é baseado em ambientes urbanos. Apesar de mostrar belos panoramas metropolitanos ao longo das missões, o visual se limita bastante nesse tipo de terreno, se mostrando um tanto cansativo no final das contas.

A sonoplastia é outro ponto que se assemelha ao citado título da Platinum, com músicas eletrônicas. Apesar de serem ótimas composições, elas se perdem no som ensurdecedor do tiroteio, explosões e conversas dos soldados.

Tecnicamente, o jogo não é dos mais belos já vistos, com muitas texturas pobres e personagens não muito bem modelados, mas possui umas boas expressões faciais hora ou outra.

Exterminador do futuro japonês

Binary domain possui a mesma temática de filmes como “Eu robô”, “Matrix” e “Exterminador do futuro”, ou seja: Máquina versus homem.

O elenco do jogo é um tanto morno, com alguns personagens bem carismáticos, mas em geral muitos são “sem sal”. O destaque aqui vai para a mistura de duas culturas: a americana e a japonesa. Como resultado, o jogo carrega personagens com piadas e cenas mais ocidentais, enquanto coisas como personalidades e narrativa puxam mais o lado oriental.

Um ponto forte é a dublagem. Pela história se tratar de um esquadrão internacional no Japão, o jogo apresenta tanto a língua inglesa quanto a japonesa durante as conversas. É interessante ver como o inglês é adotado como língua universal no futuro fictício do jogo, e como os japoneses mantêm seu sotaque mesmo falando sua segunda língua fluentemente.

O enredo é por si só bem planejado, com boas reviravoltas, mas a narrativa simplória não contribui, fazendo com que as cenas fiquem previsíveis demais.

Após terminar o jogo, o mesmo se mostra aberto para continuação. Isso fica mais evidente devido ao fato de muito dos personagens presentes no jogo simplesmente desaparecerem uma hora, não dando mais explicações sobre o que aconteceu com eles.

O verdadeiro “Terminator Salvation”

Binary Domain é um jogo de tiro em terceira pessoa completo, com um vasto arsenal, cover, blind fire, dentre outras coisas que caracterizam o gênero. É completo, mas não perfeito – o jogo não possui uma jogabilidade das mais suaves, com momentos que lembram um pouco os controles “tanque de guerra” dos Resident Evils mais recentes, mas nada que chegue a incomodar, tampouco atrapalhar. O jogo também é uma verdadeira aventura, colocando o jogador sempre em diversas situações, quebrando a monotonia de tiroteiro incessante.

Um dos destaques do jogo ficam por conta dos inimigos, que são todos robôs. E, sendo um robô, eles são destrutíveis em partes. É divertido e satisfatório ver diferentes resultados durante as batalhas, como destruir uma perna de um robô e vê-lo mancar, destruir as duas e vê-lo rastejar atrás do jogador, destruir um braço e vê-lo pegar a arma de volta com o outro, e até mesmo destruir a cabeça e danificar seus circuitos, fazendo-o atacar outros inimigos. A IA deles também é bem satisfatória, pois além de agressivos e surgirem massivamente, fazem bom uso do cover. Os chefões são outro destaque, pois estão em grande número, todos eles necessitando de estratégias diferentes para serem derrotados.

Além da ação, o jogo apresenta também alguns elementos de RPG.

O primeiro elemento fica por conta do gameplay, com inimigos que dão pontos ao serem derrotados. Esses pontos servem para comprar produtos em máquinas espalhados pelo jogo, disponibilizando munição, armas e upgrades para as armas fixas do esquadrão, além de nanomachines, o que equivalem a skills passivas, como aumento de defesa ou precisão na mira, por exemplo.

O segundo fica na interatividade entre os personagens. Durante as batalhas, frequentemente os personagens conversam com o jogador e o fazem realizar escolhas. Essas escolhas não influenciam só na situação do momento, como também melhoram o relacionamento entre Dan, o protagonista, e o resto do esquadrão. Um bom relacionamento resulta tanto em um melhor trabalho em equipe, como também pode alterar alguns eventos finais. Vez ou outra, alguns diálogos entre eles também ocorrem nos intervalos, tanto para saberem da opinião de Dan sobre a situação da trama como para comentarem outros assuntos mais particulares. Feitos durante as batalhas também influenciam no karma, como impressionar a equipe destruindo vários robôs com head-shots, ou deixando-os furiosos com friend fire, por exemplo.

Um interessante, porém não muito bem implementado sistema, é o de comando de equipe. Dan possui a habilidade de ordenar quem estiver em campo de guerra com ele, a realizar ações básicas, como cessar fogo, atirar, reagrupar ou dar cobertura. Esses comandos inclusive são possíveis através de um microfone, pela própria voz do jogador. Como já citado, o sistema não é muito bem implementado, pois esses comandos fazem muita pouca diferença devido à inteligência artificial não muito boa dos aliados.

Falando em equipe, é possível, na maioria das vezes, escolher quem vai ficar ao lado de Dan durante as missões, variando entre um ou dois aliados. Cada um deles, supostamente, possui armas e estilos de batalha diferentes, mas no final das contas não fazem muita diferença na hora do “vamos ver”, infelizmente.

Agora, os grandes inimigos do jogo: A dficuldfade do jogo e a IA aliada.

O jogo, mesmo em dificuldades altas, é consideravelmente fácil, devido a várias mecânicas que deixam a vida do jogador bem mais tranquila. A começar pelo já usual sistema de auto-recover, bastando ficar escondido em situações críticas para voltar ao tiroteio. Logo em seguida, entra em cena os medi-packs, que ressucitam um personagem morto (incluindo o próprio Dan) em batalha. Além desses medi-packs serem acumulativos, eles podem ser adquiridos diversas vezes pelas missões, inclusive nas máquinas de vendas. Para terminar a festa, todos os membros do esquadrão (quase sempre 2 aliados ou mais), possuem seus medi-packs. Ou seja, em uma batalha difícil, o jogador pode ser ressucitado inúmeras vezes, enquanto existirem medi-packs nas mãos de alguém do grupo.

Já a fraca IA aliada, além de não mostrar resultados significativos durante os comandos, muitas vezes ficam no caminho do jogador no meio do tiroteio, sendo alvo fácil de friend fire. Além disso, se eles morrem durante uma batalha e não possuem medi-packs, é game over por deixá-los morrer, necessitando que o jogador banque a babá deles algumas vezes, principalmente em dificuldades mais altas.

Explodindo cabeças

Binary Domain dura cerca de 10 horas junto com todas as cutscenes. Além da campanha principal, que possui muitos files e nanomachines escondidos, há também o modo online, com multiplayer versus e um modo chamado “Invasion”, que é basicamente um modo “Horde”, da série Gears of War.

Let the good times roll

Binary Domain é o que Terminator Salvation deveria ter sido: Um jogo de destruir robôs com uma campanha relativamente longa, batalhas frenéticas, muitas e alucinantes boss battles e gameplay variado.

Nota: 8,5

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2 pensamentos sobre “[Tomio’s Review] Binary Domain

  1. Tomio, muito boa a review. Quando tiver o jogo eu vejo se terei a mesma opinião. O fato é que esse tipo de jogo e história me chamam muito a atenção.
    A única coisa que tirou um pouco meu ânimo foi a parte da IA em relação a equipe. Uma coisa que me irrita é ficar bancando a ”babá” como vc mesmo disse. Isso, no meio de uma cena de ação, é frustrante.

    • Opa, valeu Mara!=D

      Quanto a IA, ela é de fato ruim, mas bancar a babá não é tãão frequente assim. Eu mesmo só tive que fazer isso em dois momentos na dificuldade mais alta. Se você morre ou falha uma missão e dá retry, os medi-packs dos aliados resetam pra quantidade máxima, então acaba que você não fica empacada num local por causa disso.

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