[Especial Nintendo 64] A revolução tradicional

Ah, o controverso Nintendo 64! Quantas lembranças esse console nos proporcionou… afinal, o início do auge dos jogos em 3D foi aí. Quem não se lembra de Super Mario 64? Ou de The Legend of Zelda: Ocarina of Time? Ou dos duvidosos Castlevanias em 3D do console? Bem-vindo ao especial sobre o Nintendo 64 do Jogador Pensante!

 Anúncios, nomes e uma mídia ultrapassada

Os primeiros vestígios de que o Nintendo 64 viria aparecer veio muito antes de seu lançamento no mercado: em 1993 a Nintendo anunciou um misterioso Project Reality. Desde então, o console trocou de nome para Nintendo Ultra 64, isso em 1995. Somente em fevereiro de 1996 é que o console foi finalmente chamado (ou teve o nome encurtado) para Nintendo 64.

O console prometia bastante, sendo considerado inovador para sua época e possuía um processador gráfico da Silicon Graphics, além de um processador de áudio que reproduziria até 100 canais de áudio PCM, o que era inviável, pois consumiria absolutamente todo e qualquer recurso disponível pela CPU.

O Nintendo 64.

O hardware do console era bastante complexo e os programadores de jogos afirmavam que era uma árdua tarefa manter todos os processadores funcionando em sincronia.

A dificuldade de se trabalhar com o hardware e a escolha da Nintendo por não utilizar uma mídia de grande de armazenamento, o CD-ROM, como os consoles da mesma época da Sega (Saturn) e da Sony (Playstation), mas sim um cartucho (“Game Pak” oficialmente pela Nintendo, ou, simplesmente, a famosa “fita”, como é dito no popular) com capacidade normal de 32 MB (enquanto um CD-ROM possuía uma capacidade de 700 MB) levaram as empresas third a abandonarem bastante a plataforma, migrando para o Playstation em sua maioria. A Nintendo, antes o paraíso destas empresas, agora se viu renegada devido a suas escolhas de se manter no tradicional.

O Game Pak

Ah, e o console tinha um direcionamento muito forte para o multiplayer, o que é perceptível só de se olhar para ele: quatro entradas para controles!

Comandos, alavancas e acessórios

O controle (joystick) do Nintendo 64 era bastante diferente. Para falar a verdade, a primeira coisa que me vem à cabeça é um cacho de bananas. Com um formato com três grips para as mãos, o controle possuía mais botões do que o seu anterior e uma novidade: alavanca analógica.

Hoje jogar pelo analógico é padrão na maioria dos jogos, mas foi no Nintendo 64 que essa mania veio para ficar. Tá certo que não foi ele que inventou a alavanca analógica em um joystick de console caseiro, pois este foi o Vectrex. Mas não há dúvidas de que foi o primeiro console POPULAR com essa inovação.

O controle veio apresentando novos botões, em principal os comandos C, botões amarelos com direcionais, utilizados como botões comuns mesmo ou também para navegação, e também o botão Z, que simulava um gatilho, se posicionando atrás do controle. Além deles, estavam presentes os já tradicionais A e B, L e R, Start e a cruz direcional.

O controle.

Outra coisa que começou com o Nintendo 64 foi a função rumble, aquela que faz o controle tremer. Com um acessório chamado Rumble Pak, que era encaixado em um espaço específico atrás do controle, os jogos mandavam comandos para o controle e esse vibrava conforme necessário. A idéia foi implantada no segundo controle do Playstation, chamado DualShock, mas somente depois do Rumble Pak aparecer no Nintendo 64.

Outro acessório para ser acoplado ao controle era o Game Pak, uma espécie de “memory card” que permitia salvar alguns poucos jogos que utilizavam essa função, visto que a Nintendo optou por utilizar bem mais memória interna nos cartuchos, como era feito em seus consoles anteriores.

Ainda nos acessórios exclusivos do controle do Nintendo 64, havia também o Transfer Pak, que possibilitava a transferência de dados entre o console e o Game Boy. Jogos que possibilitavam essa característica adicionavam mais possibilidades ao seu jogo, como visto em Pokémon Stadium, o jogo que mais deu visibilidade ao acessório.

Em um slot específico do console, vinha de fábrica um acessório chamado Jumper Pak, que era utilizado para fechad o circuito elétrico do console. Sem ele, este não ligava, mas poderia ser substituído pelo Expansion Pak, um cartucho pequeno de expansão de memória de 4 MB, que permitia, em alguns jogos, um upgrade gráfico nas texturas. Outros jogos não funcionavam sem ele, como The Legend of Zelda: Majora’s Mask, Donkey Kong 64, Perfect Dark e Turok.

A embalagem do Expansion Pak.

Também havia o Nintendo 64 Disk Drive, uma entrada para discos (grandes disquetes) e com modem embutido para conectar RANDnetDD. Não fez sucesso e vendeu pouco, além de haver pouquíssimos jogos para o aprelho, e só foi lançado no Japão.

Um videogame colorido

O Nintendo 64 foi vendido em muitas cores. Hoje a Nintendo vende seus consoles em várias cores também, mas a quantidade disponível do seu console da quinta geração é enorme.

Oficialmente, o console era de cor cinza escuro, ou carvão, oficialmente. Outras cores incluem:

Jungle Green/Extreme Green: bundle de Donkey Kong 64.

Série Multi-sabores: colorido em plástico translúcido. São as versões kiwi, cereja, anis, jabuticaba, uva e tangerina, no Brasil.

Banana: um controle especial para o lançamento de Donkey Kong 64 nos EUA, pintado de cor amarela.

Ouro: cor dourada em comemoração a The Legend of Zelda: Ocarina of Time.

Pokémon Pikachu Nintendo 64: console azul com um grande Pikachu, feito para promover jogos da franquia Pokémon.

Clear Blue and Red: a última versão, foi vendida junto com Super Mario 64.

Jogos e transições em três dimensões

Uma das primeiras coisas que se repara quando se vê um jogo rodando no Nintendo 64 são seus belos gráficos para a época e também a incrível visão tridimensional.

Aproveitando essas possibilidades, a Nintendo usou e abusou delas, lançando grandes conversões de suas franquias clássicas para o mundo do 3D.

Seria estranho já não começar falando de Super Mario 64 (1996), um dos títulos de lançamento do console. O encanador agora não somente corre para direita ou esquerda, mas sim para frente, trás, diagonais, enfim, pode andar de todas as formas, além de pular, agachar e etc. É certamente o jogo que redefiniu o gênero Platformer 3D. Agora as fases giravam em torno de objetivos e missões diferentes entre si, para, ao final, Mario coletar estrelas de poder para conseguir enfrentar seu nêmesis, o rei dos Koopa, Bowser, que agora se infiltrou no castelo da princesa.

Super Mario 64

E Mario continuou aparecendo no console diversas vezes, mas em outros jogos, mais esportivos, como Mario Kart 64 (1996), Mario Tennis (2000) e Mario Golf (1999), bem como no RPG da Intelligent Systems para o Nintendo 64 chamado Paper Mario (2000), que mostrava um mundo e personagens feitos como se fossem dobraduras e recortes de papel. O encanador também foi figura central nos três jogos Mario Party (1998, 1999, 2000) para o console.

Mario Party 3

Duas franquias que pertencem aos ares também compareceram no Nintendo 64: o título de lançamento Pilotwings 64 (1996) e Star Fox 64 (1997), fazendo grande uso dos gráficos e da possibilidade de 3D do console, bem como da alavanca analógica.

Do a barrel roll!

Outra franquia clássica que teve uma conversão maravilhosa para o mundo 3D foi The Legend of Zelda. A série teve dois jogos no Nintendo 64 e pela primeira vez pudemos ver Link de outra forma que não fosse de cima ou de lado, mas sim de todo e qualquer ângulo possível.

O primeiro jogo da série a figurar no Nintendo 64 foi The Legend of Zelda: Ocarina of Time (1998), um dos maiores lançamentos de todos os tempos e que abalou profundamente as bases da indústria. A partir dele, padrões para grande parte dos jogos de aventura foram criados e são seguidos. É um dos – se não o mais – jogos mais influentes do Nintendo 64 e de todos os tempos. Boa parte da estrutura da série foi mantida, como o vasto mundo a se explorar, segredos e progressão através da obtenção de itens e dungeons. Uma característica revolucionária do jogo é o chamado Z-Targeting, que permite que a câmera gire em torno de um ponto referencial qualquer, seja um inimigo ou um objeto.

The Legend of Zelda: Ocarina of Time dispensa apresentações.

O segundo jogo da série no console foi The Legend of Zelda: Majora’s Mask (2000), uma sequência direta do anterior. Um dos jogos mais estranhos da franquia, com um clima sombrio e sorumbático, trazia uma quantidade enorme de side-quests e poucas (porém difíceis) dungeons. Utilizava obrigatoriamente o Expansion Pak, possibilitando melhor desempenho.

O psicodélico The Legend of Zelda: Majora’s Mask.

Outros jogos que foram febre foram os jogos relativos à série Pokémon: Pokémon Stadium (1999), Pokémon Stadium 2 (2000), Pokémon Snap (1999) e Hey You, Pikachu! (1998), este último possibilitando comandos de voz.

Pokémon Stadium

Com a falta de apoio das empresas third, a Nintendo encontrou uma grande aliada à sua parceria Rare, com diversos jogos, como os platformers 3D Donkey Kong 64 (1999), Banjo-Kazooie (1998) e Banjo-Tooie (2000). A série Banjo, por sinal, é tida como o ápice do platformer no console. Outro jogo da empresa que se destacou nos platformers foi o bem humorado e ácido Conker’s Bad Fur Day (2001).

Tela de título de Banjo-Kazooie.

A Rare também ajudou o Nintendo 64 com o muito aclamado Goldeneye 007 (1997), um dos First Person Shooters mais bem sucedidos da história dos consoles, com um multiplayer de até quatro pessoas viciante que lotava as locadoras da época.

Outro First Person Shooter aclamado e que hoje tem um status de cult pelos jogadores, feito pela empresa, foi Perfect Dark (2000), que roda na mesma engine de Goldeneye 007, porém com vários avanços, tanto na jogabilidade quanto na tecnologia gráfica.

Perfect Dark

A Rare também lançou os jogos de corrida Diddy Kong Racing (1997) e Mickey Speedway USA (2000), que competiam diretamente com Mario Kart 64, porém sem o mesmo brilho e carisma dos personagens da Nintendo.

E a empresa também veio com a segunda versão de seu jogo de luta Killer Instinct, intitulado Killer Instinct Gold (1996), que possuía novos personagens e cenários, além dos avanços tecnológicos.

Apesar do fraco apoio das thirds, o Nintendo 64 viu Resident Evil 2 (1999), franquia que nasceu e foi consolidada no Playstation, bem como Mega Man 64 (2000), a série Tony Hawk’s Pro Skater (2000, 2001, 2002) vários jogos da franquia Mortal Kombat (1996, 1997, 1998) e também as desastrosas conversões ao mundo 3D de Castlevania em Castlevania 64 (1999) e Castlevania: Legacy of Darkness (1999).

Um dos piores trabalhos de câmera de todos os tempos está em Castlevania 64.

A perda do pódio

Por duas gerações seguidas a Nintendo foi a campeã de vendas, com o NES e Snes. Só que as escolhas de se usar uma mídia defasada e a falta de apoio das thirds, principalmente no gênero de RPG, fez o Nintendo 64 ser o segundo colocado da sua geração, vencendo o Saturn e perdendo para o Playstation.

O console da Nintendo vendeu mais de 30 milhões de unidades e foi pisoteado pelo da Sony, que vendeu mais de 100 milhões.

Pode um console tão influente ser considerado um fracasso?

Muito se ouve por aí em relação ao Nintendo 64 ser um dos maiores fracassos da Nintendo e também um dos piores consoles da história, devido à falta de títulos, coisa que o Playstation tinha de monte.

Mas será justo chamar um console tão influente desta forma? Um videogame que tornou padrão controles com alavancas analógicas e com função de vibração pode ser um fracasso? Ou, mais além, um console que trouxe transições muito satisfatórias para o mundo do 3D com Super Mario 64 e The Legend of Zelda: Ocarina of Time, que tanto influenciaram e ainda influenciam os jogos platformer 3D e de aventura, pode ser renegado ao limbo dos videogames?

A resposta, claro, é subjetiva e vai de cada um. O que é fato é que o console apresentou muitas evoluções e um salto tecnológico gigantesco em relação ao Super Nintendo, falhando por se manter tradicional nos cartuchos. Outro fato, este infeliz para a Nintendo, é que a Sony surgiu e arrebentou em todas as formas possíveis e deixou o Nintendo 64 para trás.

Não nos esqueçamos jamais do ditador de tendências chamado Nintendo 64. Um revolucionário console, porém com muitos pensamentos tradicionais e retrógrados.

O console teve mais de 380 jogos.

O Nintendo 64 poderia ter voado mais alto…

12 pensamentos sobre “[Especial Nintendo 64] A revolução tradicional

  1. Ficou show de bola amigo!!!! Eu amava o Nintendo 64, me proporcionou experiencias únicas na infância e foi definitivamente o console que fez eu viciar em video games.

    Só uma ressalva: Vale lembrar que o uso de cartuchos/fitas no console, segundo justificativas da Nintendo era porque os CDs não eram confiáveis, a pirataria seria muito maior, de fato, ela estava correta!!!!

  2. Pingback: [Especial Super Nintendo] O super videogame « Jogador Pensante

  3. o post é antigo ja kkkk mas vou comentar msm assim, podem falar o que quiser eu tive tanto o ps1 e o n64, mas o 64 teve os melhores jogos que ja joguei ,mario 64 indiscutível melhor jogo do mundo, teve didy kong racing, super smash bros, e um dos melhores fps que ja joguei duke nukem 64 (é duke nukem 3d pra pc) entre outros.Mas o ps1 tbm bagaçou, re3 é muito foda meu favorito da serie, crash team racing, na epoca gostei bastante do tekem mas nao vejo mais graça entre outros tbm.A briga foi dura e o ps1 ganhou mas pra mim o 64 sempre vai ser melhor

    • Eu também gosto mais do N64, clezer!! Mas não dá pra negar que o PSOne teve muito mais jogos e que ele teve uma importância mercadológica melhor! Abraços e obrigado pelo comentário!

  4. sim isso realmente é verdade tanto que antigamente ao ir a uma banca de games era bem visivel a devastadora variedade de games que o ps1 trazia, logico que a maioria nao eram tao bons mais davam algumas horas de diversao

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