[Choose your character] Ethan Mars

ATENÇÃO!!!! O texto abaixo contém spoilers do jogo Heavy Rain!

– Jason, nããooo!!!!

Saltei para o encontro do meu filho na tentativa de abraça-lo e nisso encontrar algum meio de protegê-lo da colisão. Não foi suficiente. Acordei momentos depois, caído no meio da rua: tudo estava muito confuso e dezenas de observadores rondavam o meu já pouco campo de visão. Sobre mim, estava Jason, morto.

Fizeram-se segundos de silêncio, só quebrados pelos gritos que facilmente reconheci. Gritos que só poderiam ser de uma mãe que acabava de encontrar seu filho morto. Ela correu até nós, apanhou o corpo de Jason e o sacudiu em tentativa de reviver o menino. Eu pude ver Shaun, meu filho mais novo, parado da calçada, imóvel, observando a cena de terror.

Consegui suportar um pouco mais de tempo para lamentar sobre o menino perdido e então, adormeci. Um longo sono difícil de acordar. Não havia nenhum sonho lá, e sim pesadelos. O sentimento incalculável de culpa, de fracasso como pai, de fracasso como pessoa. Vivi durante muito tempo aquele trágico dia, repetidamente. Um purgatório no qual eu merecia estar.

O acidente não levou apenas Jason, mas a minha alma também. Eu estava preso naquilo que não me atrevia chamar de vida. Minha esposa me deixou, perdi meu emprego, tive que deixar minha casa. Shaun ficava comigo às vezes, mas não tínhamos a mesma conexão que ele possuía com sua mãe. E poderia? Ele poderia mesmo me amar depois do que eu fiz? Depois de separá-lo de seu irmão? Não creio que sim, embora ele tentasse de todas as formas que uma criança da idade dele poderia tentar.

Ethan Mars

Em uma fria tarde, levei Shaun para um passeio em um parque local. Alguma tentativa de reavivar meu laço com ele. Por mais que fizéssemos de tudo para desfrutar de um momento juntos,  o fantasma de Jason estava sempre entre nós. Impedia que tivéssemos qualquer momento livre de tristeza e saudade. E no meu caso, também a culpa.

Não demorou muito e Shaun desejou ir embora. Caminhando rumo à saída do parque, passamos por um carrossel. Ele então pediu para andar uma vez no brinquedo, antes de ir embora e assim foi. Enquanto Shaun se divertia, algo estranho aconteceu: deparei-me no meio de uma rua deserta, chovia muito e já era noite. Não entendia como fui parar ali. Depois de algum curto tempo, consegui identificar a rua na qual me encontrava e parti às pressas até o parque. Não havia ninguém mais lá.

Corri até minha casa, aos gritos chamando pelo meu filho. Mas não fui nenhuma só vez respondido. Não compreendia por quê, mas naquele momento me lembrei da estranha carta que havia recebido dias antes. Possivelmente, um engano:

 “Quando os pais voltaram para casa depois da igreja
todas as crianças tinham ido embora. 
Eles procuraram e chamaram por elas,
choraram e imploraram, mas foi tudo em vão.
As crianças jamais foram vistas de novo.”        

Cheguei até minha casa, ensopado. Gritava por Shaun enquanto as palavras daquela estúpida carta pareciam estarem sendo narradas repetidamente em minha cabeça. A casa estava vazia, meu filho desapareceu. Não poderia ser verdade, de novo não. Sai novamente na rua e gritei com todas minhas forças seu nome, e a ausência de uma resposta me fez cair imediatamente ao chão em completo desespero. Perdi Shaun também?

Tudo que eu fiz, eu fiz por amor.

“Já não foi o bastante perder Jason?” Palavras de minha ex-esposa na delegacia, onde eu acabava de informar que meu filho estava desaparecido. Por mais que as palavras dela tenham me impactado mais do que provavelmente uma faca em meu coração, ela estava certa. Quão difícil é vigiar uma criança no parque? Quão difícil é cuidar de um filho sem que ele morra ou desapareça?

Na manhã seguinte, minha casa estava repleta de curiosos e repórteres. Qual motivo? Tudo indicava que meu filho não tinha simplesmente desaparecido, e sim, se tornado a próxima vitima do assassino em série que periodicamente atacava crianças na cidade. O famoso Origami Killer. Era uma ideia terrível de se imaginar, mas era uma possibilidade.

A carta. Aquela misteriosa carta. Resolvi olhar ela novamente. Comecei a ler novamente e pausadamente aquelas palavras, em busca de uma pista. Mesmo assim, nada naquelas frases me parecia ser relevante até que descubro que havia algo mais naquele envelope, algo que me daria esperança, algo que me daria um rumo, algo que talvez, só talvez pudesse me guiar até o Shaun.

Futuramente, seria questionado a mim o que eu faria por amor, até onde eu iria para salvar alguém que eu amo. E bem, pode apostar que eu iria até qualquer limite humano e além dele. Passaria por cima de qualquer coisa e qualquer um. Mataria se for preciso. Tudo para trazer Shaun de volta, vivo. Não vou falhar novamente.

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