[Especial The Legend of Heroes] Parte 2 – Trilhas no céu

Trails in the Sky FC

Em 2004, cinco anos depois de “The Legend of Heroes V: A Song of the Ocean”, a série finalmente ganha seu sexto título: The Legend of Heroes VI: Trails in the Sky, para PC. Ao contrário dos jogos anteriores, Trails in the Sky já surgiu com a proposta de ser uma saga, tendo como maior prova disso as siglas “FC” (First Chapter) após o nome.

O jogo apresenta gráficos totalmente poligonais, personagens com sprites em alta definição com grande número de quadros e câmera livre, além de progressão mais dinâmica e linear, regada a extras, muitos extras.

Muitos podem pensar que o fato do jogo ser linear pode ser um aspecto negativo para um JRPG. Bem, isso não é verdade. Sora no Kiseki possui um pacing bem planejado e balanceado, não atropelando o enredo ao mesmo tempo que dá espaço o suficiente para atividades variadas, exploração e extras. O jogador pode, nos inúmeros meio-tempos da main quest, explorar campos, realizar trabalhos e se aventurar em torres opcionais, completar o bestiário indo atrás dos raros Shining Pombs e degustar os mais diversos pratos e aprender suas receitas, que podem ser úteis na aventura. O mais interessante é que, dependendo de como o jogador realiza alguma coisa no jogo, seja uma escolha certa em uma pergunta ou uma decisão certa em um momento importante, traz diversos resultados posteriormente, geralmente itens e dinheiro extras como recompensa. O jogo também é repleto de conteúdo escondido, que variam desde trabalhos que não aparecem nos quadros da guilda até NPCs que aparecem temporariamente em alguns locais. Outros elementos que enriquecem o universo Trails é a presença de um jornal, que pode ser comprado na maioria dos shops presentes no jogo, e uma série em Novel.

Estelle em uma peça teatral

O sistema de batalhas é um misto de batalhas por turno tradicional com tactics “tabuleiro”. O jogador pode usar magias, skills e se mover por um campo retangular através de quadrados. Um diferencial interessante fica por conta dos S-Crafts (as skills do jogo), que podem ser acionadas através de um atalho e ignorar a ordem de ação da batalha, bastante útil para aproveitar algum bônus aleatório de turno como “10%+ de força” ou “critical hit” e/ou agir antes de algum inimigo perigoso.

Sistema de batalhas

A série roda em torno das orbments, equipamentos que deixam os personagens aptos a usarem magias. O sistema é bastante similar ao de matérias de Final Fantasy VII – o jogador vai equipar nas orbments, quartz, as “materias” do jogo, que variam desde aumento de status como HP e defesa a outros quartz que concedem skills passivas especiais. Esses mesmos quartz concedem magias aos usuários, dependendo da cor, do número e do poder delas. O jogador precisa então pensar bem antes de equipar certas quartz, já que algumas podem ser úteis de stats mas fornecem magias inúteis para o momento e vice-versa.

O enredo de Trails é de início bastante simples, focando as aventuras de um casal de protagonistas, Estelle e Joshua. Ao avançar na história, os personagens vão ganhando um desenvolvimento excepcional, e o enredo, apesar de ter uma atmosfera leve na maior parte do tempo, se mostra algumas vezes sombrio e denso. Como sugere o nome, First Chapter não conclui a saga e termina com revelações e reviravoltas no mínimo impressionantes, fazendo o jogador que acompanhou todas as 60 horas mínimas de conteúdo fique louco pela continuação.

Trails in the Sky SC

Em 2006, dois anos depois do primeiro capítulo, a Falcom finalmente lança a conclusão para a aventura de Estelle e Joshua. Intitulado SC (Second Chapter), o novo Trails não traz apenas uma simples continuação – o jogo se mostra maior e melhor que seu antecessor, em todos os aspectos.

As diversas atividades na main quest também aumentaram em SC. De tempos em tempos o jogador sempre vai encarar uma situação diferente, como logo no início do jogo, onde Estelle perde todo seu equipamento, tendo que se aventurar em uma floresta infestada de monstros para recuperá-lo, por exemplo. O conteúdo extra também não fica atrás, com um leque ainda mais amplo de coisas que podem ser feitas. O jogador pode arriscar a sorte em um casino, realizar os trabalhos opcionais de sempre ou procurar um bom lugar para pescar, citando apenas alguns exemplos.

Um ponto interessante de SC é que tudo tem uma explicação – até a razão do jogo resetar seu orbment e equipamentos anteriores. Mas nem tudo está “perdido”, pois há também adições, como um sistema de crafts combinados entre membros do grupo e um sistema de orbment mais amplo e poderoso, tudo para que o jogador possa aguentar o acréscimo considerável na dificuldade geral do jogo.

O enredo em SC também não fica para trás, sendo muito mais sério, complexo e com uma narrativa mais dramática. O jogo introduz massivamente novos personagens e personagens jogáveis, sem esquecer de trabalhar em seus respectivos backgrounds, desenvolvimentos/amadurecimentos e relacionamentos.

Para completar, a trilha sonora é muito melhor trabalhada no segundo capítulo, sendo difícil escolher uma música predileta.

Trails in the Sky: The 3rd

Todo esse magnífico trabalho não poderia resultar em nada menos que sucesso. Após a excelente recepção dos dois jogos, a Falcom então resolve lançar Trails in the Sky: The 3rd, um ano depois do segundo capítulo. O jogo pode ser considerado mais como um “fandisc”, ou seja, um misto de spin-off com continuação, tendo como maior prova o “The 3rd” no nome, ao invés de “Third Chapter”.

The 3rd ainda consegue manter a qualidade da marca “Trails”, com gameplay variado e um bom número de extras, além de um sistema diferente de progressão: portais que levam a diferentes situações e pontos da história. Por outro lado, nele também fica evidente que a série começou a ficar desgastada, principalmente pela repetição de localidades e desenvolvimento mínimo da maioria dos personagens presentes, tendo foco praticamente apenas nos novos protagonistas, Kevin e Lise.

Kevin e Lise em ação

Apesar de todos os contras, quem se interessar por The 3rd vai encontrar um jogo sólido, com uma história bem contada através de uma narrativa diferente, e um dos trabalhos sonoros mais impressionantes da Falcom.

Assim como a maioria de seus últimos títulos, a Falcom portou a trilogia Trails para o portátil da Sony, o PSP, com um interessante sistema de “herdar” certos feitos de um jogo para o próximo, garantindo itens exclusivos e personagens mais evoluídos logo de início. A trilogia no portátil fez um enorme sucesso e vendeu além das expectativas da empresa japonesa. Animados com o pequeno notável da Sony e com a franquia em si, a produtora de Ys resolve lançar, exclusivamente para Playstation Portable, um Trails novo.

Surge então, em 2010, “Zero no kiseki” (Trails of Zero)

Continua…

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