[Messias’ Review] The Elder Scrolls V – Skyrim

Skyrim é o subtítulo que especifica a quinta e última incursão de The Elder Scrolls no mundo gamístico, figurando pela segunda vez nesta geração, pois precedido por Oblivion. O jogo foi lançado para PC, X360 e PS3, e, já tradicional entre os amantes do estilo, dessa vez o game tornou-se mesmo popular, sendo conhecido por praticamente todos os tipos de jogadores, o que resultou em vendas astronômicas. Skyrim vendeu o dobro de exemplares de seu antecessor e apenas um mês (isso não pode ser provado por dados, já que eu não os possuo, nem mesmo fui pesquisa-los, apenas ouvi falar, na verdade), e só isso já bastaria para chamar a atenção de todo o público, mas, o que de fato se destaca é a complexidade e o tamanho do game.

ENREDO

Dovahkiin concebido pelos produtores de Skyrim.

Ao contrário de seus antecessores, Skyrim coloca o jogador na pele de um herói com habilidades realmente especiais: o protagonista do jogo é um herói de nascença, o Dragonborn, que nasceu para enfrentar Alduin, o world eater. É diferente, por exemplo, de Morrowind, ou Oblivion, em que o protagonista apenas está no lugar certo e na hora certa. Dessa vez, Dovahkiin tem o seu destino a cumprir através da quest principal.

Nesta história, o conceito do ente dragão claramente sofreu influência da concepção oriental destes seres míticos, já que dentro da mitologia nórdica e europeia, em geral, eles são considerados não mais que bestas-feras, desprovidas de caráter divino, como se observa em mitos como Beowulf ou São Jorge. O dragão, em Skyrim, é apresentado tal qual como foi concebido em Divinity 2, ou seja, dragões são tidos como deuses.

Divinity 2 - Ego Draconis.

Aliás, algo digno de nota é que o palavra é de suma importância em Skyrim, pois é através dela que Dovahkiin realiza os shouts, palavras na língua dracônica, que produzem o efeito de seu significado. Ou seja, se Dovahkiin diz FOGO em dracônico, faz-se o fogo. Também em Divinity 2, o protagonista, que é um Dragon Knight, e não um dragão, conversa com um dragão legítimo na Primordial Cave, chamado Patriarch, em que o mesmo diz que não falaria em dracônico visto que isto poderia levar à criação de outros seres, tamanho o poder da palavra no mundo do jogo. Tais fatos são análogos ao poder do verbo, descrito no Evangelho de São João, que nada mais é que descrição do poder existente na palavra, o mesmo poder que prende, liberta, ou até mata as pessoas, e que se exprime através de leis, que são palavras.

Ademais, é importante, ainda, ressaltar que a possibilidade de transmutar-se em dragão, ou possuir poderes de dragão, ou qualquer outra possibilidade do gênero não é exclusividade de Divinity 2, tampouco de Skyrim. Outros jogos já fizeram isso, como, por exemplo, Breath of Fire, e também Jade Empire. Este, um belíssimo RPG produzido pela fantástica Bioware, em que é dado ao jogador o poder de transmutar-se em bestas-feras, enquanto simbologia do que poder da natureza tem na mitologia chinesa (como ocorre em praticamente todas as mitologias). O primeiro, uma série de RPG clássica produzida pela Capcom, em que Ryu, o herói do game, podia tornar-se um dragão em determinadas situações, principalmente nas batalhas, como mostra o vídeo abaixo.

O mundo apresentado em Skyrim claramente é inspirado nas paisagens da Escandinávia, sendo a terra povoada por nords, equivalentes aos povos nórdicos do mundo real, etnia constituída por vikings, saxãos, godos, e outros de origem germânica. Além disso, a concepção do mundo levou em consideração também um clássico do cinema contemporâneo, o filme O Senhor dos Anéis, principalmente na parte central de Skyrim, em que a paisagem é idêntica à Rohan, possuindo, inclusive, uma cidade idêntica a Edoras, cujo nome é Whiterun. Tal cidade também possui um castelo, de nome Dragon’s Reach, muito parecido com Meduseld, o palácio dourado de Edoras. E as semelhanças não param por aí, pois o brasão de Whiterun também é um cavalo, assim como o de Rohan.

Vista de Whiterun

GRÁFICOS

A descrição a seguir foi feita por um leigo do ponto de vista técnico. O game foi jogado no X360, e não foram identificados problemas com carregamento de texturas, ou pop in delas. Apenas algumas texturas vieram borradas aparentemente de fábrica, obviamente para que o jogo pudesse rodar de modo suave no console. No entanto, não se pode dizer o mesmo dos slowdowns, que são consideravelmente frequentes, apesar de pontuais – a impressão é que esses slowdowns são decorrentes de alguma associação de fatores aleatórios que acabam produzindo este pequeno defeito. Outro problema que também frequentemente assola o game é screen tearing, ocorrendo geralmente quanto vários inimigos cercam o protagonista.

Por fim, os bugs mais bizarros ficaram por conta de mamutes caindo dos céus, ou de siber cats movimentando-se como hélices, o chão sumindo em aparente apologia à música da Casa Muito Engraçada, além de rios passando por sobre a cabeça do jogador como um literal lençol d’água, tal qual em um dos quadros do Salvador Dali, do modo como o vídeo postado apresenta. É digno de nota, aliás, que os produtores de Skyrim devem ser fãs muito grandes do famoso pintor, visto que o meio de transporte em Morrowind é bem parecido com Os Elefantes, também de Dali, como se mostra.

Salvador Dali, 1950: "Dali aos seis anos de idade, quando ele achava que era uma menina, levantando o lençol d'água para ver um cachorro dormindo sobre a sombra do mar".

Salvador Dali, 1948: "Os Elefantes".

Silt Strider, meio de transporte usado em Morrowind.

Relativamente ao design, o jogo se apresenta como todos já viram, ou seja, através de formas realistas, mas com uma rusticidade maior nos traços, visto que o game todo quer transpassar o clima severo das tundras e montanhas nevadas para jogador, envolvendo-o na trama que dessa vez é de fato nórdica, inspirada em Beowulf e outros mitos saxãos e vikings.

Esta imagem mostra bem o quanto o game evoluiu do ponto de vista gráfico, desde Morrowind, até Skyrim.

É importante ressaltar que o jogo é lindo, o mundo é lindo, e os personagens extremamente bem modelados, desde humanos, até os seres da fauna, dragões, zumbis e afins.

JOGABILIDADE

O game pode ser jogado tanto em primeira quanto em terceira pessoa. Dependendo do modo como o jogador queira desenvolver seu personagem, ele utilizará mais uma dessas perspectivas. Por exemplo, se jogar como guerreiro de combate corpo a corpo, é bem provável que se sentirá mais à vontade em terceira pessoa. Se jogar como arqueiro, no entanto, mais fácil é em primeira pessoa, visto que mirar nesta perspectiva é muito mais cômodo.

Existem machados, martelos, espadas, adagas, arcos, escudos, cajados, havendo a distinção entre armas de uma mão e de duas mãos, com exceção do martelo e arco, que necessariamente são usados com duas mãos, e a adaga, que sempre será usada com apenas uma das mãos. No caso de armas de uma mão só, a utilização dessas pode ser associada a outra arma, ou a um escudo, que aumenta a defesa.

Todas estas habilidades, utilização de armas de uma ou duas mãos, escudos, arcos, juntamente com outras, como utilização de armaduras pesadas ou leves, são pontos a serem desenvolvidos pelo jogador. Só que não como nos RPG’s convencionais em que na hora do level up aumenta as características desejadas, no caso de Skyrim, o jogador opta apenas entre saúde, condicionamento físico e magia, o restante das habilidades são desenvolvidas através da própria utilização delas. Portanto, se o jogador utiliza bastante espada e escudo, essas habilidades ganharão mais pontos, e assim que o personagem sobe de nível é possível adicionar um perk que melhora o desempenho dessas modalidades até tornar-se lendário.

Os minérios podem ser extraídos com uma picareta.

Um dos maiores destaques, no entanto, fica por conta do sistema de crafting criado para o jogo, que juntamente com o enredo, foi o fator que mais evoluiu no novo The Elder Scrolls. Na verdade, os produtores do game elevaram a experiência a outro nível através de conceitos já amplamente utilizados em RPG’s de origem europeia – como Risen, Gothic e Two Worlds, que possuíam sistemas de crafting bem avançados e detalhados – e também em Monster Hunter, que possui um crafting deveras avançado e divertido (aliás, é uma das únicas coisas realmente legais em Monster Hunter).  Ou seja, assim como nesses jogos, o jogador encontrará minérios, pedras preciosas, ingredientes vegetais e animais, e até escamas e ossos de dragões, todos sendo utilizados para a manufatura de armaduras, armas, joias, encantamentos, poções, venenos, comida.

A forja de Whiterun, na versão de PC.

Constelações de habilidades, neste caso, a de ferreiro.

Em Skyrim, portanto, o jogador pode ser um ferreiro, encantador, alquimista e até cozinheiro. Com exceção da função de cozinheiro (não, não há como fazer um pernil assado lendário), todas as outras atividades possuem perks que permitem à atividade produzir resultados mais eficientes e produtos melhores. Assim, se o jogador resolver ser um ferreiro, ele terá que fazer muitas armaduras e armas para atingir o level 100 dessa especialidade, e assim poder gastar seus pontos de habilidades nesses perks. No caso do ferreiro, os pontos gastos liberam a habilidade de fazer armas e armaduras melhores, iniciando-se pelas de ferro e couro, evoluindo para aço, élficas e de anões, até armaduras e armas de vidro, ébano, daédricas e, por fim, dracônicas, ou seja, armaduras (e não armas) feitas de ossos e couro dos dragões derrotados por Dovahkiin.

Ao atingir o nível 100 nesta profissão, ao jogador também é permitido melhorar suas armas e armaduras a ponto de elevá-las ao status de lendárias. É possível também tomar “poções do ferreiro” e utilizar itens encantados como “luva do ferreiro” ou “colar do ferreiro”, que associados produzem resultados ainda melhores. Não é necessário, no entanto, consertar a armadura ou armas, que não se danificam (o que pode ser considerado uma falha do jogo), e também não é possível fazer flechas, o que é um erro grave, pois o jogador fica sujeito à sorte de encontrar uma flecha que dê bastante dano, por exemplo. Nesse ponto, seria necessário que os produtores disponibilizassem uma atualização que suprimisse essas falhas.

Ademais, também é possível ser comerciante, e desenvolver-se em todos os sentidos, podendo associar-se a organizações como a guilda dos ladrões, ou aos Legionários, ou ainda, aos Stormcloaks, ou mesmo à Dark Brotherhood, exatamente como nas edições anteriores. A maior diferença em Skyrim é que as decisões de juntar-se ou não juntar-se a tal organização e desenvolver-se dentro delas, dessa vez, possuem cunho moral, ou seja, o mundo de Skyrim vai reagir ao que o jogador fizer, pois as ações causam consequências que modificam o universo do jogo. O simples ato de estar usando uma armadura feita com ossos de dragões já causa comentários de admiração, e é possível até se casar com quem estiver disponível, denotando a influencia que Fable também exerceu no game.

SOM

O game é bem narrado, os sons do tilintar de espadas, impactos, rugidos e gritos são bem produzidos. O jogo é uma superprodução também neste sentido. No entanto, nesta última edição de The Elder Scrolls, houve um maior cuidado na composição e interpretação das músicas. O tema de Skyrim, por exemplo, é no mínimo épico, composto por Jeremy Soule (que também compôs as OST’s de Morrowind e Oblivion), foi produzido por uma orquestra e cantado por um coral de mais de trinta pessoas, de acordo com o Wikipedia.

Apenas uma ressalva em relação às falas, é que uma delas foi consideravelmente repetida, sendo considerada uma falha, que é a tal flechada no joelho. Em inúmeras oportunidades, ao conversar com algum soldado em qualquer das cidades ou vilas do game, uma resposta padrão é “I used to be an adventurer like you. Then i took an arrow in the knee”. Ninguém nega que o Skyrim é muito bom, mas também não se perdoa este tipo de pequena falha, ainda mais quando ela pode ser uma potencial fonte de memes e piadinhas de internet.

CONCLUSÃO

NÃO EXISTE JOGO DO GÊNERO MELHOR QUE SKYRIM

Obrigado por ler! 😀

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3 pensamentos sobre “[Messias’ Review] The Elder Scrolls V – Skyrim

  1. De fato, não tem nem muito o que comentar. Você falou tudo mesmo. Skyrim foi o primeiro RPG que me prendeu na frente da TV por horas e horas, a história é realmente foda e, mesmo com os bugs e problemas, ainda não tira a “magia” do jogo (pelo menos até onde eu joguei hehehe). Por enquanto, a única ressalva que tenho é que algumas quests se tornam bastante repetitivas com o passar do tempo (exemplo: dungeons sempre serão dungeons) e isso acaba cansando um pouco. Mas claro, existem tantas missões que você acaba esquecendo esse problema. Boa review, Henrique! 😉

    • Que bom que você achou o review esclarecedor. Ainda que faltem detalhes sobre outras profissões, ao menos o que foi descrito sobre as poucas que citei de fato já devem apresentar pelo menos um bom exemplo do que o jogo pode oferecer. Realmente, Skyrim é um excelente game, ainda que meio bugado. Tenho certeza que estas falhas não atrapalharão a experiência a ponto de torná-la frustrante e muito menos comprometida, ainda assim, o jogo é muito bem feito.

      Obrigado! 😀

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