[Tomio’s Review] Final Fantasy Type-0

Nome: Final Fantasy Type-0
Produtora: Square-Enix
Gênero: Action RPG
Plataforma(s): Playstation Portable
Versão analisada: Japonesa

Do zero

Final Fantasy Type-0 é o mais novo título da Square-Enix para PSP e o terceiro (segundo lançado) da franquia Fabula Nova Cristallis, a mesma de Final Fantasy XIII e do vindouro Final Fantasy Versus XIII.

Novo tipo

Type-0 pode ser considerado o “leite condensado” tirado do portátil da Sony. Texturas, iluminação, movimentação, expressões faciais, efeitos e outros detalhes, tudo de primeira linha e mais um daqueles jogos que carregam o slogan “Console de mesa, por favor”. O visual artisticamente também é impressionante, com um detalhamento estilo europeu como base e um leque variado de localidades. Os defeitos do jogo são basicamente os inevitáveis serrilhados, a falta de sincronia labial, o reaproveitamento de alguns objetos e locais de The 3rd Birthday e os excessivos e longos loadings, que, se o jogador não quiser aturá-los, será preciso ter um bom espaço em seu memory stick para intalar os dois UMDs do título.

A parte sonora também não faz feio, com trilhas orquestradas que combinam perfeitamente com cada ambiente, bons efeitos sonoros e um trabalho de dublagem impecável dos japoneses, passando todo o drama do campo de batalha e dos sentimentos dos personagens.

Uma classe de dois alunos

Type-0 é bem diferente dos Final Fantasies convencionais, trazendo uma trama bem madura, obscura e séria, não se importando em limitar o público aos mais velhos para isso.

O jogo também não apenas aproveita novamente da mitologia nórdica, como também introduz parte da cultura chinesa, usando nomes dos guardiôes celestiais para representar os quatro cristais, por exemplo.

A narrativa carrega um dilema: apesar de ter um bom enredo com reviravoltas, revelações e acontecimentos chocantes, além de um interessante sistema onde a primeira jogatina se trata da guerra e o new game + dos protagonistas, o jogo não consegue contar a história de forma clara e dinâmica, colocando muitos takes de câmera e diálogos inúteis no lugar de informações importantes, estas encontradas em forma de textos em enciclopédias internas do jogo.

O jogo possui um grande elenco, tendo, apenas com os protagonistas, 14 personagens, todos eles bem trabalhados em questão de background e a maioria simpáticos. Infelizmente o jogo é mais um daqueles trabalhos onde só há número, já que a história em si só roda ao redor de dois protagonistas, fazendo com que os outros, por mais bem trabalhados que sejam, não se diferenciem muito de estarem lá ou um NPC estar no lugar.

Reprise do aniversário

Type-0, analisado por alto, é herdeiro de 3rd Birthday, também da Square-Enix. O jogo, além do já citado reaproveitamento de objetos e localidades, aproveita também do design pobre e linear das dungeons, o sistema de “Breaksite” e “killsite” que equivalem ao sistema de Overdive, que por sua vez trabalha como uma espécie de mistura entre contra-ataque, quebra de defesa e ataques críticos, e o sistema de câmera e lock-on (esses dois últimos, pasmém, um dos melhores resultados já alcançados para o portátil).

As dungeons, como dito acima, são bem pobres em questão de design, já que são, basicamente, um punhado de salas interligadas, cada uma com uma porção de inimigos, algo bem similar ao de Resonance of Fate, tactics da Tri-Ace. Mas, ao contrário de um tactics e de um jogo de tiro feito The 3rd Birthday, esse é um RPG que leva em consideração o fator exploração, no final das contas. O jogo chega ao ponto de repetir as mesmas salas durante uma mesma dungeon, algo quase inacreditável se tratando de um título de qualidade técnica tão alta quanto Type-0. Ao menos o que deve ser feito dentro delas é bem variado, indo desde mudanças de situações, de gameplay e até a sub-missões opcionais no meio das batalhas, amenizando consideravelmente a sensação de mesmice. Outro fator negativo fica por conta dos tesouros, já que são basicamente pontos brilhantes espalhados por aí, uma péssima idéia para um título com serrilhados jogado em uma telinha de portátil, fazendo o jogador perder tempo e atenção desnecessária pelos cantos.

Um dos destaques em questão de variação fica por conta das partes de estratégia em tempo real, onde o jogador precisa ajudar tropas aliadas a invadir cidades inimigas, mudar rotas de invasão e proteger fronteiras. A idéia é boa e dá um ar novo ao jogo, mas não é muito bem aproveitada, tendo pouquíssimas missões com o sistema, e desse número escasso, nenhum é preciso usar muito a cabeça ou os reflexos.

As batalhas são baseadas no estilo action-RPG de Kingdom Hearts, ou seja, lutas rápidas e baseadas mais em reflexos, mas adaptadas sem um botão de pulo. O jogo conta com 14 personagens diferentes para o jogador escolher, podendo formar um grupo de 3 deles e alternar durante o jogo. O interessante é que cada personagem possui um estilo de luta completamente diferente do outro, dando ao jogador a opção de concluir as missões de formas diferentes, dependendo apenas dos personagens usados. O jogo também conta com uma dificuldade bastante elevada e ênfase na morte, já que uma vez morto, o personagem em questão não pode mais ser usado até a próxima missão. Type-0 inclui até mesmo um interessante sistema de líderes de inimigos, onde, uma vez derrotados, os subordinados da área se rendem, cabendo ao jogador decidir se quer matá-los ou pegar seus mantimentos. Os summons estão presentes também nesse título, e finalmente acertaram a mão no fator balanceamento: Eles são poderosíssimos e podem decidir batalhas difíceis, mas “custam” caro, já que é necessário o sacrifício de um personagem em batalha para entrarem em campo por um minuto. Após dar sua vida, o personagem dá lugar para o jogador controlar uma das poderosas bestas presentes no jogo. Apesar de ter dezenas deles, eles são escassos em variedade, já que os números são basicamente o mesmos summons em formas diferentes.

Após derrotar os inimigos, além da experiência, o jogador tem a opção de drenar de seus corpos itens e o Phantoma, que seria uma espécie de alma, usados para evoluir magias, como melhorar o tempo de conjuração, custo de MP e alcance, por exemplo. Apesar da S-E ter melhorado consideravelmente o sistema a partir da demonstração disponível na PSN meses antes do lançamento, drenar phantomas continua sendo desconfortável, já que é preciso estar com a mira presa em um inimigo, o corpo não permanece pra sempre e pra piorar, uma vez fora da mira, há uma certa dificuldade em voltar para o cadáver, já que o jogo dá prioridade para alvos vivos. A experiência também sofre de uma falta de ganho para personagens que não estão no grupo principal. obrigando o jogador a parar para aumentar o nível geral dos protagonistas dependendo da missão que estiver.

Quando se fala de inteligência artificial, o jogador se dá mal. Os personagens do grupo praticamente só servem para curar o jogador quando seu HP estiver baixo, pois se tratando de ataque, eles são extremamente passivos, ao contrário da IA dos inimigos. Se já não bastasse, eles também costumam não sair muito do lugar durante as lutas, o que é uma dor de cabeça em batalhas difíceis onde um golpe pode ser fatal e cada membro da equipe é valioso. Isso tudo infelizmente não pode ser evitado, pois não há qualquer tipo de opção de configuração.

Type-0 é dividido em duas etapas: as missões, onde ocorrem as batalhas, e a parte de vida escolar, onde o jogador tem um tempo limite para fazer diversas coisas, como side-quests, treinamento e exploração, algo bem próximo de Luminous Arc 3: Eyes (Nintendo DS). O sistema, baseado em administrar seu tempo, seria interessante se não fosse desgastante e cansativo. O jogo não oferece nenhum tipo de ajuda mostrando se algum local da escola possui algum evento naquele momento, necessitando, a cada término de missão, explorar os quatro cantos do local. Sem um guia, o jogador vai perder mais tempo checando por novidades que aproveitando as novidades em si. As side quests possuem um problema extra, a de só ser possível concluir uma por vez, uma infeliz e desnecessária idéia em um jogo baseado em deadline.

O jogo também possui um overworld, que é basicamente os clássicos world maps misturados com as áreas intercaladas de Final Fantasy XII. Infelizmente isso não funciona direito em Type-0, já que é preciso voltar constantemente para a escola, a única “base” do jogo, e há formas limitadas de transporte disponíveis, fazendo com que ficar percorrendo os mesmos e demorados terrenos repetidas vezes se torne frustrante e desgastante. Ao menos isso é compensado com dezenas de áreas extras que vão ficando disponíveis ao longo do tempo. O ponto positivo fica por conta dos chocobos, voltando com o sistema de captura e cruzamento de Final Fantasy VII (mas muito mais simplificado e agradável), podendo usá-los para evitar batalhas, viajar mais rápido e até mesmo na parte de estratégia em tempo real.

A interface do jogo também não é das melhores, como o do sistema de evolução, que em funcionalidade é como o Sphere Grid ou o Cristarium, mas falta dinamismo: o jogador perde mais tempo passando mensagens e respondendo confirmações de comando que pensando em administrar os pontos em si. Os menus dos personagens também sofrem da falta de praticidade, necessitando selecionar um personagem por vez ao invés de haver um botão para alternar entre eles, o que é um tanto incômodo em um jogo onde há muitos personagens e geralmente é preciso prepará-los para serem usados constantemente.

Irmãos no exército

Type-0 conta com uma main quest que dura cerca de 30 horas, e 50 se considerar terminar o jogo duas vezes, pois o new game + não libera apenas mais história, como também missões principais alternativas e outros extras exclusivos para a segunda rodada. Com todas as side-quests, locais e extras, o total pode passar facilmente de 100 horas. O jogo também possui um sistema offline com bots e online cooperativo, onde o jogador pode ajudar outros ou ser ajudado temporariamente no meio das missões.

Sete ponto Zero

Final Fantasy Type-0 seria excelente, se os produtores não pisassem feio na bola em alguns pontos e se dedicassem mais em outros. Um bom passatempo, mas muito distante de estar até mesmo entre os melhores JRPGs dessa geração, que é até o momento a mais fraca do gênero.

Nota: 7

Anúncios

17 pensamentos sobre “[Tomio’s Review] Final Fantasy Type-0

  1. … então pelo que deu pra perceber, não é o Final Fantasy que todo mundo esperava.
    Não joguei 3rd birthday, mas joguei Crisis Core. Pelo que deu a entender, é ainda esse esquema tosco de áreazinhas repetitivas sem detalhamento, tezourozinhos atirados e N batalhas?
    Na época que joguei Crisis, fiz a besteira de jogar no Hard e foi nescessário uma paciência de cão pra aguentar aquele gameplay tosco e dificuldade desbalanceada. Ao menos as batalhas são divertidas no type 0? Puxa vida, eu tinha esperado que ao menos eles fossem fazer uma experiência paracida com o 12…

    FF Hype 0, pelo jeito.

    • Bom, basicamente é essa descrição aí que você disse, mas não chega a ser exaustivo feito CC, nem desbalanceado.

      As batalhas em si do Type-0 são a melhor parte do jogo. Eles deixaram os personagens bem únicos, dá um ar diferente pras batalhas só de trocar os personagens. Mas pena que só as batalhas e as missões em si brilham, porque o resto…

  2. estou jogando atualmente o type-0 e levando em consideração o tempo de jogo de 26 horas que ja passei, é sem duvida um otimo jogo, o melhor para o psp, antes dele gostava muito do dissidia, mas o type -0 é melhor em muitos aspectos, fizeram milagres com os poucos recursos que tinham em mãos, ha seus defeitos sem duvida, mas me esqueço totalmente deles apos conclusão de uma missão fechada com chave de ouro por uma intensa luta de sumons e acompanhados por maravilhosos CG’s que parecem obras de arte…
    meu japones não é o melhor, porem do o pouco que entendi me instiga a entender melhor a historia.
    sem duvida o melhor RPG para portateis…………..

    • Vinee, você que entende japonês, experimenta a série “Sora no Kiseki”, em especial o último lançamento, “Ao no Kiseki”. Pode até considerar o Final Fantasy IV Complete Saga também. Talvez depois desses você comece a concordar comigo, de que as obras atuais da S-E em geral (principalmente pro PSP) apelam muito para firulas inúteis como visual e deixam o conteúdo principal raso.

      • Poxa, Sora no Kiseki lembro de ter zerado o primeiro jogo lá para 2005 na versão de pc… cheguei a pegar o drama cd e Ost…
        Puta jogaço com batalha divertida, gráficos bons, sistema de magia bacana e N quests. Mesmo não sabendo patavina de japonês na época, me diverti pacas XP

      • Com certeza! Só o 3rd que relaxou um pouco, ficou bem linear, mas ainda consegue ser melhor que qualquer jogo com selo S-E pro portátil. Nos dois ultimos, Zero e Ao no Kiseki eles retomaram os aspectos dos First Chapter e Second Chapter e tão muito bons, prato cheio pra fã do gênero.

  3. Joguei as duas demos e achei impressionante. O clima é intenso, as batalhas fluem muito bem e, apesar de não ter entendido quase nada, percebi que eles trabalharam forte na emoção, principalmente pela intro. Fora que as cenas pré-renderizadas são as mais bonitas que já vi no portátil. Acho que merecia no mínimo 8.

    E tem um pequeno erro aí: você diz que “uma vez fora da mira, só é possível voltar ao cadáver depois que todos os inimigos da área estiverem mortos” > É só segurar R e apertar o direcional pra cima que a mira volta pro cadáver mais próximo.

    E parabéns pela análise, gostei bastante!

    • Obrigado pela correção Felipe. Eu realmente não consegui voltar a mira prum cadáver uma única vez, mesmo fazendo isso, mas se você conseguiu é porque é possível mesmo. Confirmou pela full ou através das demos? De repente os produtores tiraram essa função na versão final (vai saber, coisa de japonês).

      E obrigado pelo elogio e visita!=D

  4. Pingback: [Special The Legend of Heroes] Parte 1 – Trilhas da independência « Jogador Pensante

  5. Pingback: [Consciência Gamer] “Game”: O novo gênero musical? « Jogador Pensante

  6. Pingback: Final Fantasy Type-0 HD tem data de lançamento marcada | Player 2

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s