[Tomio’s Review] Tales of Xillia

Nome: Tales Of Xillia
Produtora: Namco Bandai
Gênero: JRPG
Plataforma(s): Playstation 3
Versão analisada: Japonesa

15 anos de contos

Tales of Xillia é o terceiro jogo da série para o console HD da Sony, além de ser o título comemorativo de 15 anos da franquia.

Com a alma à frente do corpo

Tales of Xillia adota um estilo artístico diferente das versões anteriores, como aconteceu com Tales of Vesperia e seu visual clean de anime, e Tales of Graces, com seu toque de aquarela. Em Xillia, o jogador irá encontrar belíssimas paisagens estilizadas para parecer tinta óleo, com direito a remoção de bordas para dar um efeito borrado às coisas. Na parte de cutscenes de anime, o jogo impressiona com um volumoso e impecável trabalho da Ufotable, sendo facilmente comparado em termos de excelência com as CGs de Final Fantasy XIII, da Square-Enix.

Na parte sonora, Xillia apresenta um trabalho competente, indo desde músicas aceitáveis a muito bem compostas, além de mais um excelente trabalho de dublagem japonesa.

O jogo conta com instalação obrigatória, mas que por conta disso, elimina quase que completamente os loadings durante a jogatina. Mais um destaque positivo fica por conta das expressões faciais, que conseguem passar com bastante naturalidade o que a personagem está tentando expressar.

Agora, o negativo-delta. Tales of Xillia possui um péssimo acabamento, levando o jogo a ter serrilhados, texturas, e modelagens de geração passada, problemas de física de colisão, pop-in de NPCs em cidades, movimentação robótica fora das batalhas, queda de framerate em batalhas com inimigos numerosos, movimentação labial completamente fora de sincronia com as vozes, reaproveitamento do design de alguns inimigos de outros jogos da franquia (e em alguns casos, a reciclagem do monstro em si), design de algumas localidades clonadas, uso de NPCs genéricos pra representarem alguns NPCs-chave, falhas de som em alguns momentos do jogo e a impossibilidade de começar a jogar se já estiver conectado na PSN, tendo que desconectar e conectar já com o game iniciado se quiser ficar online enquanto joga (esses dois ultimos, ao menos, na cópia aqui testada).

Um jogo, uma história e meia

Tales of Xillia traz dois protagonistas para o jogador escolher com qual progredir logo de início. O interessante disso é que, dependendo do personagem escolhido, caminhos, cenas, eventos e aprofundamento de personagens diferentes do grupo são apresentados ao jogador. Apesar das diferenças entre eles, as duas narrativas/pontos de vista levam a um enredo e informações em comum, fazendo com que terminar o jogo duas vezes seja um bônus de informações e gameplay, não uma “obrigação” para entender algo.

O enredo é o típico “Tales of” de ser – uma história simples, mas densa, com reviravoltas surpreendentes, e que traz questões do mundo real para serem refletidas, como preconceito, problemas ambientais e choques de cultura e ideologia, por exemplo. A narrativa também é ao estilo clássico e é bem competente, mais focada em desenvolvimento dos personagens e da relação entre eles. Com cutscenes, conversas dinâmicas enquanto joga e conversas rápidas (conhecidas como “Skits” na série), o jogo apresenta o seu elenco, que tem desde personagens aceitáveis a muito bem construídos, todos com seu background, sua importância na história e suas mudanças/amadurecimento de pontos de vista.

Enchendo os bolsos de alegria

Tales of Xillia abandona o estilo dos jogos anteriores, com minigames, histórias paralelas e puzzles nem sempre interessantes para exploração em escala colossal, histórias não obrigatórias, mas que complementam a principal, e side quests baseadas em trabalho mercenário, ou seja, luta contra monstros e coleta de itens em troca de outros itens e dinheiro.

Xillia é apresentado através de um mundo em escala real, dividido em áreas, sistema já utilizado em jogos como Tales of Hearts (NDS), Tales of Graces (Wii, PS3), Radiata Stories (PS2) e Final Fantasy XII (PS2). Cada canto pode ser explorado, literalmente – pontos brilhantes em paredes, baús e sacos de itens espalhados pelos campos, passagens estreitas e suspeitas em alguns lugares, baús escondidos estrategicamente por aí e estantes e outros locais estranhos dentro e fora das casas nas cidades. O jogo é o primeiro da série a possuir câmera 3D o tempo todo, além de um mapa e um sistema de marcação do que o jogador fez no local onde se encontra, incentivando ainda mais a “limpeza” geral de todos os terrenos. O jogo também conta com um sistema de navigators/lembretes pra quests e colecionáveis, facilitando a vida de jogadores mais desligados.

O sistema de equipamentos também é bem interessante, necessitando que o jogador dê materiais aos mercantes para que eles eles produzam novos itens e evoluam suas lojas, dando até descontos de itens antigos. O sistema é representado por níveis e os itens são exigidos por categorias, e não específicos, fazendo com que o jogador possa estar “descarregando” qualquer coisa que coletou durante uma pausa e outra para administrar as lojas ou seu dinheiro, ao invés de perder tempo tentando encontrar um item raro ou outro como nos sistemas de forja convencionais.

O sistema de batalhas também traz novidades. A base continua sendo a linear motion system, ou seja, um campo horizontal para o jogador percorrer e lutar como se fosse um jogo de ação/luta. A partir daí, as adições: O sistema é agora uma mistura do tradicional “TP” (ou MP em outras franquias) com o “CC”, visto pela ultima vez em Tales of Graces (o que equivale a AP em outros jogos), resultando em lutas que misturam estratégia e habilidade do jogador. Foi também criado o link system, onde dois personagens lutam em cooperativo, trazendo benefícios únicos como habilidades especiais e a possibilidade de desferir golpes e sequências mais poderosas. Além disso, foi acrescentada a possibilidade de trocar a party atual com os reservas durante a luta, e até no meio de uma sequência de golpes especiais, aumentando assim consideravelmente a variedade estratégica e melhorando o balanceamento e utilidade de todo o grupo. Junto com os personagens, os chefões também sofreram mudanças, sendo neste game muito mais resistentes e perigosos, mesmo em dificuldades mais baixas, necessitando que o jogador tome decisões estratégicas diferentes e utilize recursos que normalmente não usaria em batalhas comuns.

Para evoluir, o jogador conta conta com um sistema bem similar ao Cristarium, de Final Fantasy XIII. Com a Lillial Orb, o jogador deve “comprar” skills e status com pontos ganhos por aumento de nível. Mas nem por isso o sistema é igualmente linear e limitado como o jogo da Square-Enix, pois uma vez liberadas as habilidades passivas, é possível “equipá-las” ao personagem em um número limitado, fazendo com que o jogador molde cada um de acordo com o seu próprio gosto ou situação encontrada. A Inteligência Artificial do jogo também pode ser configurada, disponibilizando um leque grande de ações a serem feitas em diferentes casos. O sistema trabalha bem e raramente deixa o jogador na mão. Até mesmo os itens podem ser configurados em um sistema similar aos Gambits, de Final Fantasy XII, onde certas condições (morrer para usar Life Bottle, por exemplo) devem ser alcanças para a ativação. Tales of Xillia certamente é um dos jogos mais maleáveis em questão de customização de personagem e party da série.

Título de explorador

Tales of Xillia transforma o sistema de titles, os clássicos apelidos para os personagens, em um sistema mais unificado e sólido de conquistas internas. Ações como usar skills várias vezes, completar bestiário e inventário, alcançar certa parte da história e muitos outros feitos e atividades concedem titles, que por sua vez dão pontos para o Grade Shop, um local para “comprar” coisas especiais, como multiplicação de exp e aumento do limite de itens, para uma próxima jogatina. Ou seja, além de ser um incentivo em si para fazer atividades extras, é um incentivo para jogar o new game extra, pelo menos para terminar o jogo com os dois personagens.

As titles cobrem basicamente todos os extras do jogo, portanto, para se ter uma boa pontuação para o Grade Shop, é preciso: explorar muitas das várias áreas extras, matar inimigos opcionais, encontrar baús especiais, achar o máximo de inimigos e itens diferentes que puder, evoluir todos os personagens e shops ao máximo e cumprir o máximo que puder das dezenas de side-quests disponíveis.

Contando apenas a main quest e uma exploração mínima dos cenários, o jogo dura entre 30 a 35 horas para ser concluído com um dos personagens, e por volta de 50 para ver o que acontece dos dois lados.

Conto épico

Tales of Xillia é facilmente o melhor JRPG para Playstation 3 e um dos melhores da série até então, mostrando ser um título que se libertou de tradições ultrapassadas e tomou proporções muito maiores que seus antecessores. Tem suas falhas sim, muitas delas técnicas, mas nada que tire o brilho do título.

Nota: 9,5

Review de Tales of Xillia 2

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20 pensamentos sobre “[Tomio’s Review] Tales of Xillia

  1. Pingback: [Tomio's Review] Tales of Graces F « Jogador Pensante

  2. Pingback: [Tomio's Review] Tales of Vesperia (PS3) « Jogador Pensante

  3. > impossibilidade de começar a jogar se já estiver conectado na PSN
    WHAT

    Bom review, deu mais vontade de jogar… pena que ainda é incerto se sai em Inglês, se tratando da Namco e doi fato que vão lançar o Graces primeiro. Mês passado quase catei o Vesperia em Japonês, dependendo do caso eu pego o Xilia.
    Perguntinha básica… a história ainda tem daquela coisa manjada de encontrar os elementais DE NOVO?

    • Valeu, Krod!

      Cara, difícil falar sem dar spoiler…Mas posso dizer que a base do plot são sim os espíritos da natureza/elementais, mas tem uma abordagem bem diferente dos Tales convencionais com eles.

    • E aí Roger!

      Em termos gerais, considero Xillia superior aos outros dois sim. Evoluiu a série como deveria ter evoluído faz muito tempo, na verdade.

      Em termos de conteúdo, acredito que ele só fica atrás de Vesperia, que tem extras praticamente intermináveis XD. Mas em Xillia o conteúdo é bem mais definido, com foco. Você não vai achar extras avulsos e sem graça pra preencher espaço, mas sim extras que têm a ver com a atmosfera e o plot na grande maioria das vezes.

      Espero ter ajudado!

      • Ajudou bastante! Eu estava um pouco desanimado com alguns reviews e avaliações do jogo,mas voltei a me animar pra joga-lo. Resta saber se a Namco lança por aqui agora.

        Obrigado!

      • Um dos problemas do Graces (como você mesmo apontou no review) era a porção infantil do conteúdo do jogo, que contrastava com o restante. Isso foi uma coisa que realmente me irritou muito, e de vez em quando até me deixou meio embaraçado jogando aquilo. Xillia tem o mesmo problema?

      • Problema nenhum nesse quesito. Não chega a ser obscuro como Vesperia em certos momentos, mas tá longe de ser idiota como metade do Graces.

  4. Pingback: [Special The Legend of Heroes] Parte 1 – Trilhas da independência « Jogador Pensante

    • esse concerteza é o melhor JRPG da nova geração e pq n o melhor RPG… nota merecida oq vc foi injusto com Grace F vc compensou no Xillia!! bela analise e nota merecida!! mais fala ae pelo menos nota 8 o Grace f merece!! se ve skyrim ganhando nota 9.5 e 10 q é um jogo travado q o char parece q corre assado e ataka como um robô e aquele dragon age 2 um dos maiores fail da nova geração ainda é aclamado aquela bosta!! apesar q norte americano é muito patriota oq vem deles é bom nem q for um piece of shit né..!

      • Obrigado, cara!

        Não joguei nenhum RPG ocidental pra poder comentar a respeito, mas acredito que Skyrim tenha seus méritos apesar de ver todo mundo reclamando/falando mal do sistema de batalhas e das centenas de bugs =P.

  5. Pingback: [Tomio's Review] Bravely Default: Flying Fairy « Jogador Pensante

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  7. Agora q eu to jogando, resolvi passar aqui pra reler. Muito bem explicadinho o review. o/

    Sobre o jogo, tô achando excelente! Bem melhor q o Graces em praticamente tudo, só o sistema de combate que (apesar dos muitos ganhos como pulo, link e +) ficou um pouquinho mais travado. Xillia cumpriu MUITO bem o papel de ‘sequencia’, evoluiu em quase tudo. Tomara q a historia até o final seja bacana, os personagens estão bem legais.

  8. Pingback: [Tomio's Review] The Legend of Heroes VIII: Trails of Flash | Jogador Pensante

  9. vl nicht unbedingt mitnehmen das team hab lange nachgedacht wegem dem du hast ja bei deinem UT eine manschaftsstärke bei mir liegt die bei 85 oder 86 wiso dann nicht 85000-86000 münzen damit könnte ich mir bei der x box ca 15 goldpäckchen kaufen und mein team erstellen nja nur ein vorschlag der vl no bissl verbesserungswürdig ist aber mal ein anfang ahja geibi hast du auch ein privates facebook profil mfg
    sammydress http://www.sammydress.cc

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