[consciência gamer] Games: Antes e depois do 11 de setembro.

Há exatos dez anos atrás, ocorreria no mundo algo que seria determinante para a vida de milhões de pessoas, direta e indiretamente. Na verdade, esse fato ocorreu, e teve seu primeiro desfecho trágico às exatas 8h e 46min da manhã do dia 11 de setembro de 2001. Nessa manhã de terça feira, um avião colidiu contra a Torre Norte, do WTC, em um aparente acidente aéreo, que foi desmentido minutos depois, às 9h e 03min quando um segundo avião atingiu a Torre Sul, em um movimento idêntico ao primeiro golpe.

A partir daí, foi estabelecido o pior drama moderno da sociedade norte-americana, que criou consequências negativas para todo o mundo. O planeta acompanhou a transmissão direta e ao vivo do desastre, muitos de nós vimos pessoas pedindo socorro de janelas, e estas mesmas pessoas simplesmente saltando delas com a chegada do fogo. Vimos pessoas morrendo ao vivo e a cores, até observamos o colapso das torres ao mesmo tempo em que os nova-iorquinos, olhando para cima, atônitos, viam o mundo deles desabando.

Todos esses acontecimentos mórbidos não causariam um estrondo que ecoasse por apenas alguns momentos, ainda mais com a máquina de propaganda dos EUA empenhando-se para que os ataques jamais fossem esquecidos. A queda das torres, o ataque ao Pentágono, tudo foi apenas o ponta pé inicial de um processo que ninguém sabe o nome, e que ainda não entendemos direito, mas que criou uma ideologia, a Guerra contra o Terror, que se propagou e, apesar de não ter sido de uma hora para outra, pois toda ideologia é disseminada através de processos educativos, já há algum tempo começamos a sentir seus efeitos, em todos os setores da sociedade dessa série de acontecimentos trágicos, inclusive no mundo dos games.

Atualmente, no auge da Guerra contra o Terror, é notória a presença quase infalível de terroristas, principalmente árabes, na maioria dos games feitos a partir da fatídica data. Novas histórias baseadas nos acontecimentos foram criadas, e algumas foram modificadas e adaptadas de modo a dar vida à guerra contra terroristas a serviço de nações irresponsáveis, mas, algumas franquias receberam tratamento especial quanto a isso, como veremos.

Conflict Zone é um exemplo de game nascido diretamente da Guerra contra o Terror. O jogo de estratégia retrata justamente o conflito entre o “mundo civilizado” e os terroristas. O jogo deixa bem claro quem são os terroristas, que inclusive podem disfarçar-se de civis, usando turbantes, por exemplo. Assim como Act of War, outro jogo de estratégia, que apresenta uma história de como os terroristas atacam os EUA na tentativa de estabelecer uma nova ordem mundial. A exemplo de Conflict Zone, Act of War também coloca como vilões os árabes, retentores do poder sobre o petróleo, e adeptos de técnicas terroristas de guerra.

Alpha Protocol, por sua vez, através do estilo RPG retrata o mesmo conflito, com o jogador na pele de um Agente Secreto que luta contra organizações terroristas que planejam ataques para, como sempre, reorganizar a ordem mundial, botando em xeque a hegemonia americana. A série Metal Gear Solid também dá ao jogador o controle de um espião, Snake, e em sua quarta edição, é possível perceber claramente a influência dos atentados, na primeira fase do jogo que se passa em um ambiente de guerra muito parecida com o Afeganistão, ou Iraque, países invadidos pela coalisão em 2001 e em 2003, respectivamente.

Nada, no entanto, ficou mais notório do que a mudança ocorrida em Command & Conquer, que modificou totalmente seu foco em um spin-off com nome de Generals. Neste jogo, o conflito GDI vs NOD, ou EUA vs URSS foi trocado por um mundo com três facções: EUA, China e GLA (Global Liberty Army), este formado por árabes terroristas que querem impor uma nova ordem mundial. Este sim foi um produto direto dos atentados, descaradamente, com cenários que retratavam até Bagdá.

Por fim, a série Call of Duty também foi remodelada em um panorama moderno. Como não podendo ser diferente, o inimigo agiu usando técnicas terroristas. E em Modern Warfare 2 temos inclusive uma fase no campo de batalha afegão, com direito a plantações de papoula.

Vários exemplos podem ser citados, mas os principais são estes. Não são apenas filmes, nem jornais, nem políticas, as influenciadas por esta ideologia da Guerra contra o Terror, nascida logo após aos ataques. Os games, talvez estes de modo mais notório, mostraram como estes atentados, toda esta grande tragédia no WTC, podem influenciar uma das coisas mais banais: o mundo do entretenimento eletrônico.

Obrigado por lerem!

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4 pensamentos sobre “[consciência gamer] Games: Antes e depois do 11 de setembro.

  1. Muito bom o artigo. Realmente, o 11/09 influenciou muito a indústria, marcando muito o enredo dos games. Até mesmo Resident Evil, uma série até então bem distante desses temas, assumiu essa roupagem a partir do quarto jogo, lançado em 2004: os personagens lutando em forças especiais contra organizações ou facções terroristas. Como diria Ramón Salazar no quarto game da série, a palavra “terrorismo” anda bem comum hoje em dia.

    Só conhecia C&C Generals por nome, fiquei surpreso em saber que trata dessa temática.

    • Valeu Tomio! Obrigado por ler o artigo!

      E, virou praga MESMO depois dessa do ninja lutar contra os árabes, pelo menos não é um crossover de Ninja Gaiden com Assassin’s Creed hehehehehe

      Mas, pode ter certeza que ainda veremos muito mais dessa ideologia que já está impregnada.

  2. Os créditos do tema, e de toda a formatação com imagens, são do João Paulo Bonome Neto, que de tão humilde deixou-se esquecer de comentar isso. Venho aqui fazer justiça, e deixar claro que este é um trabalho realizado em coautoria.

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