[Neto’s Review] Limbo

“Olvidado, esquecido…”

Capa do jogo

 

ENREDO 

Limbo era um dos exclusivos da XBLA mais fortes até há pouco tempo, quando também foi lançado para a PSN e Steam. Logo ao se iniciar o jogo, já é possível perceber que Limbo não se trata de um jogo feliz, mas sim melancólico, depressivo, sufocante.

O enredo não é nada bem explicado. Pode-se até dizer que Limbo é uma obra minimalista em todos os sentidos, mas a simplicidade do jogo é simplesmente a sua jogada de mestre. Em Limbo o jogador encarna um garoto – uma criança ao que tudo indica – que está em algum lugar ermo, hostil e abandonado. Não se sabe quem é o garoto, por que ele está ali e nem nada do tipo, além de haver uma garota que o jogador nunca consegue alcançar.

O garoto e a garota.

Limbo tem vários significados. Um dos mais famosos é o religioso cristão, que seria o local para onde as crianças não batizadas são enviadas quando mortas, pois são desprovidas da razão, portanto não são pecadoras, somente contêm o pecado original. É bastante plausível que o local onde o protagonista do jogo se encontra é realmente o limbo da mitologia cristã. Por outro lado, a palavra também pode significar “esquecimento”, e até mesmo “lugar para onde se atiram as coisas inúteis”. Estes últimos também são plausíveis.

No fim das contas, é interessante verificar absolutamente todos os detalhes do cenário e das pouquíssimas cut scenes mudas que acontecem durante o jogo. Afinal, a história vai se contando sem nenhum diálogo ou narração.

Fica difícil definir se Limbo tem um enredo genial ou um enredo inexistente, devido a tudo isso. Mas ele pode ser definido com uma palavra: aterrorizante. Afinal, é só uma criança andando por cenários extremamente hostis, superando cada desafio em busca de encontrar a garota. O fato de ser uma criança e não um adulto comum deixa o jogo muito mais atmosférico e arrepiante. Todo o clima causado pelo desconhecido a cada passo, pela próxima armadilha preparada, deixa o jogador cada vez mais confuso sobre a triste sorte do garoto protagonista.

Limbo é, principalmente, sobre o medo do desconhecido, sobre um estranho em uma estranha terra e, por ter um enredo contado de forma minimalista e nada explicativo, abre espaço para especulações e teorias dos fãs, as quais podem ser encontradas em buscas pela internet.

 

JOGABILIDADE 

A criança controlada pelo jogador em Limbo não possui nenhuma habilidade mágica ou especial. Não carrega nem sequer um canivete. O jogo consiste em andar (o jogo é um side-scroller 2D) e pular, somente. E o pulo do garoto é bastante curto, por sinal, bem como sua resistência: uma queda curta já é o suficiente para o garoto morrer e qualquer ataque também.

Será que dá?

Como o mundo todo está contra o garoto e ele não tem habilidade alguma, Limbo mostra-se um jogo de inteligência e puzzles. Empurrar caixas para alcançar um local, utilizar um imã para levar alguma coisa para outro lado, empurrar uma armadilha de urso para que uma aranha morra nela, enfim, o fato é que o jogador nunca ataca nada diretamente. Tudo é feito à base de raciocínio.

A hostilidade do ambiente também se prova com mudanças de gravidade em certas partes, armadilhas ativadas pelo próprio jogador, estranhas pessoas que querem sua morte por algum motivo desconhecido, vermes que se alojam em seu cérebro e o fazem andar para o lado oposto do necessário, só alterando o sentido quando alguma luz forte incide sobre eles, além de uma aranha gigantesca que o persegue por algum tempo no jogo (é provavelmente uma das fugas mais tensas dos videogames).

Corre, garoto...

Mas o jogador não deve pensar que o foco nos puzzles faz com que Limbo seja um jogo lento, por exemplo. Agilidade de pensamento e de ação são necessárias, pois a morte é certa em quase todos os desafios propostos, a sorte é que a cada desafio superado, o jogo faz um checkpoint.

Não parece uma boa idéia pular para tomar um choque de vários mil volts...

Apesar de Limbo ser um jogo linear, provavelmente o jogador vai querer voltar por causa dos troféus/achievements que ficam escondidos e dificilmente são notados logo na primeira jogada. No entanto, jogar Limbo na segunda vez deixa implícito de que não vai ser tão desafiador quanto da primeira vez, visto que todos os segredos principais para se passar de cada desafio já serão conhecidos. Mas é um jogo de puzzle majoritariamente, o que mais pode-se esperar?

 

SOM

Ok, este é um ponto meio polêmico. A trilha sonora do jogo é basicamente composta por sons da natureza, das máquinas, do ambiente. Apesar de haver alguns sons que não são ambientes, mas que ajudam muito a deixar o jogo ainda mais atmosférico e arrepiante, mas esta trilha diferenciada – não-ambiente – do jogo faz sua aparição apenas em poucos momentos.

(Survival Instinct – uma das atmosféricas músicas de Limbo)

A escolha pela trilha sonora ambiente fica clara quando se joga Limbo: o jogo é solitário e minimalista, em todos os sentidos. Talvez se houvesse uma trilha sonora composta para o jogo, este não seria tão climático e o ambiente não se fizesse tão doentio e hostil. A escolha foi certa e encaixou perfeitamente com a proposta do jogo.

 

VISUAL 

Limbo é todo em preto-e-branco, para início de conversa. E isso é sensacional. E o clima noir do jogo ainda é coroado com um filtro que deixa a imagem um pouco “chuviscada”. Junto com o som, o visual é um ponto perfeito para a proposta de Limbo: um jogo completamente “cinza”, preto e branco, triste e depressivo. O visual ajuda muito.

A morte é um tema comum na arte de Limbo.

Agora, as mortes em Limbo são altamente fantásticas, diga-se de passagem. E elas causam muita estranheza, pois o que se vê muitas vezes é um garoto sendo mutilado, decepado, afogado, sufocado, empalado, alvejado, eletrocutado, queimado, esmagado… ajuda bastante para mostrar que aquele cenário não quer a criança lá. Ela está lá porque quer.

(Uma montagem com as mortes do garoto)

Os cenários de Limbo também variam bastante: vai desde uma floresta, passando por uma cidade e indo até estranhas fábricas.

Um dos cenários do jogo... com chuva.

 

VEREDITO

O minimalismo de Limbo se prova fantástico no conjunto da obra. Um jogo hostil, difícil e de fritar os miolos de quem o joga. O clima de estranheza é coroado pela trilha sonora ambiente e pelos gráficos noir que o jogo apresenta. Talvez o problema maior do jogo seja sua duração: é um jogo muito curto, é possível zerá-lo em quatro, cinco horas, se o jogador tiver pensamento e ações rápidas.

O garoto em toda a sua solidão.

 

NOTAS

ENREDO: 8,0/10,0

JOGABILIDADE: 9,0/10,0

SOM: 10,0/10,0

VISUAL: 10,0/10,0

NOTA FINAL: 9,5/10,0

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9 pensamentos sobre “[Neto’s Review] Limbo

  1. Sempre tive vontade de jogar esse jogo desde uma matéria antiga que li na EGW sobre ele, e lendo tudo isso sobre o game, agora me deu mais vontade ainda.
    Eu imaginava que era um game muito fácil pelo fato do personagem ter poucos comandos, vi que estava errado.
    Agora que saiu na Steam, com certeza vou comprar já .
    Obrigado pelo artigo.

    • Opa, e aí radrenato!
      É um jogo muito bom de se jogar, uma pena ser tão curto. Garanto que vai gostar bastante, se procura um desafio pra queimar os miolos de pensar =D

      Obrigado por ter lido e comentado!

  2. Pingback: The Humble Bundle V é lançado e traz 5 jogos incríveis! « Ubuntu-BR-SC

  3. Limbo é um jogo excelente, de fato. Como foi dito, infelizmente é muito curto. Essa é uma sina dos chamados “jogos de arte”: geralmente são curtos e possuem fator replay lá no chão. Mesmo tendo terminado (sem nenhum tipo de ajuda, pois isso mataria a razão de ser do jogo: garoto sozinho sem ajuda de ninguém) e gostado muito, não sinto nenhuma vontade de jogá-lo novamente.
    Ótimo texto. parabéns.

  4. Eu particularmente adorei o jogo,ás vezes da um certo receio pelo modo em que o garotinho morre.Mesmo assim não consegui parar de jogar e salvei com meu na morado,estou pensando em jogar novamente.
    Um jogo aconselhável ! 😀

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