[Tomio’s Review] Atelier Meruru: The Apprentice of Arland

Meruru_titlelogoNome: Atelier Meruru: The Apprentice of Arland
Produtora: Gust
Gênero: JRPG
Plataforma(s): Playstation 3, Playstation Vita (Meruru Plus)
Versão analisada: Playstation 3, japonesa

Forjando dinheiro…oh wait

Atelier Meruru: The Apprentice of Arland é o último da trilogia “Arland”, lançada para Playstation 3 e posteriormente para Playstation Vita, e continuação direta de Atelier Totori.

Forjando papéis para os confetes

Atelier Meruru traz diversas mudanças e melhorias em relação aos jogos anteriores, que vão desde diferenças discretas a drásticas. A começar pela trilha sonora, que vai muito além das melodias em flautas dos jogos anteriores para um repertório bem mais variado e bem trabalhado tecnicamente. O grande destaque a esse aspecto fica por conta das lutas contra os chefões, que possuem músicas semelhantes a da série Mana Khemia, também da Gust, tanto em gênero quanto em qualidade. O jogo também oferece uma opção para usar todas as músicas dos jogos anteriores, caso o jogador preferir.

O visual também foi melhor trabalhado, deixando o jogo com um aspecto mais suave, estilo lápis de cor. Além disso, os cenários e personagens foram ainda mais bem detalhados, deixando a qualidade artística, que é o forte da Gust, ainda mais em evidência. Tecnicamente, infelizmente, não se pode dizer o mesmo. Apesar dos modelos dos personagens serem muito bem trabalhados, os cenários não possuem geometria, texturas e efeitos visuais muito convincentes para essa geração, além da falta de movimentação labial e o velho problema de movimentações robóticas que assombram a trilogia. O jogo também persiste no pop-in de inimigos, NPCs e pontos de colheita de materiais, problema presente desde Atelier Rorona.

Forjando tempo para jogar…?

Atelier Meruru, apesar do subtítulo, não se passa em Arland, e sim em Arls, reino vizinho ao pais dos jogos anteriores. Diferente dos aspectos e referências à antiga Itália presente nos antecessores, Arls passa uma sensação mais britânica, o que reforça a percepção do jogador em ver que o jogo é situado em um local bem diferente do habitual Arland.

Meruru, a protagonista que dá nome ao jogo, também é bem diferente em personalidade se comparada à Rorona e Totori. A proposta do jogo ajuda bastante nesse aspecto, pois os acontecimentos fazem com que a personagem amadureça e ganhe mais visão do que acontece à sua volta. Os personagens presentes no jogo formam um simpático e variado elenco, que vão desde caras velhas a novas, e assim como nos outros jogos, é possível saber mais sobre eles realizando eventos particulares com os mesmos. É possível jogar somente este título sem ficar completamente perdido na história, mas para ter total entendimento do relacionamento entre os personagens e de inúmeros eventos citados durante o jogo, é recomendável jogar os dois primeiros jogos antes.

Em questão de história, Atelier Meruru deixa de lado o clima mais sério e dramático de Atelier Totori para voltar à velha e suave comédia de Atelier Rorona.

Forjando comida e café para o intervalo…!

Atelier Meruru segue a idéia de Atelier Totori, onde a main quest e side quests são interligadas e deixa o jogador livre para fazer o que quer na hora que quiser, além de um sistema de rank, medido por pontos ganhos a cada ação realizada. Nesse titulo, o sistema foi ainda mais aperfeiçoado e polido, deixando a sensação de liberdade e possibilidades ainda maiores, a começar pelo fator tempo – apesar do sistema de tempo limite continuar (alguns anos para terminar o jogo, onde, tirando coleta de itens e batalhas, toda e qualquer ação leva, no mínimo, um dia), todos os outros tipos de limitações foram eliminados ou extendidos. Isso significa que o jogador não precisa ficar o tempo todo de olho no calendário, pois as quests de bar para ganhar dinheiro, as de amigos para aumentar a amizade e os pedidos de trabalho do reino e dos moradores não possuem uma data para expirar. Há apenas a necessidade do jogador mostrar que está tendo algum progresso para o reino durante os primeiros anos (o que é bem simbólico, chega a ser mais difícil não ter progresso suficiente do que o contrário).

O jogo reforça ainda mais o lema “facilidade para quem busca o caminho mais difícil”, ou seja, quem se dedica em criar itens raros e poderosos, coleta inúmeros itens, batalha sempre que puder e administra o tempo com sabedoria, vai ter uma jogatina tranquila, com tempo de sobra e não vai suar tanto a camisa em lutas mais importantes.

O novo sistema de jogo é basicamente “evolua Arls para um país grande e moderno em x anos”. No começo, o reino disponibiliza poucas localidades e tarefas, mas ao longo do progresso inúmeros outros locais, trabalhos e clientes vão aparecendo. O mais interessante é que o jogo dá liberdade total à escolha, ordem e execução das quests, que inclusive resultam em eventos e finais diferentes, dependendo apenas de como o jogador traçou sua rota ao longo dos anos. Outro ponto bastante interessante é a sensação real de evolução do país ao longo do tempo. Por exemplo, realizando uma tarefa de forjar e levar materiais de construção para um terreno, o mesmo local depois de um tempo se torna uma vila com habitantes, casas, engradados e hortas, resultando em materiais raros e/ou de melhor qualidade. Infelizmente, falta um pouco de dinamismo para checar trabalhos pendentes, já que não há atalhos para onde é preciso ir, apenas para qual item forjar, necessitando o jogador procurar “manualmente” o local que está escrito nos lembretes.

O jogo também tem um novo sistema de usar os pontos de rank acumulados com a execução de tarefas. Com esses pontos, é possível comprar estabelecimentos, que ficam prontos depois de um certo tempo e dão bonus variados, como melhorias nas batalhas criando campos de treino, melhorias na alquimia com academias de estudo e até mesmo uma renda todo mês criando redes industriais.

Como todo jogo da série, Atelier Meruru conta com um sistema completo e versátil de criação de itens a partir de ingredientes e/ou outros itens, podendo manipular desde qualidade do produto a preço, propriedades, efeitos e outras particularidades. Nesse título foram implementadas ainda mais características e itens, além do novo sistema de fundir dois efeitos iguais de níveis diferentes para formar uma versão mais poderosa, resultando em itens e equipamentos ainda mais eficientes. Mas para isso, o jogador precisa ter paciência, os materiais necessários e muitos cálculos e tentativas.

As batalhas do jogo são parecidas com as de Atelier Totori, batalhas em turno com wait time contado, bem próximas da série Mana Khemia e da trilogia Atelier Iris. Em Atelier Meruru foi adicionado um interessante sistema de combo entre os três integrantes do grupo, bastandos ter barras especiais sobrando e Meruru usar algum item de ataque. Quanto maior o número de barras e o número de usos permitido pelos itens, maior o combo e mais poderoso o ataque final. Os ataques especiais dos personagens também foram modificados, tendo duas versões: a normal e uma versão extendida da mesma, que acontece quando o ataque vai finalizar o inimigo. Em questões de dificuldade, as batalhas de Atelier Meruru são bem mais desafiadoras, exigindo ainda mais dedicação do jogador, desde escolher os personagens mais adequados para os inimigos certos a forjar itens de ataque e cura da forma mais eficiente possível, isso sem falar que poucos itens no inventário é quase um sinônimo de suicídio. Felizmente (ou infelizmente), o jogo se torna bem mais fácil depois que os melhores equipamentos e itens ficam disponíveis, e poucos chefes e inimigos ainda vão dar trabalho.

A exploração varia desde pequenos pedaços de terra a caçabouços com terrenos extensos e vários setores. Apesar de ter evoluído um pouco em relação aos jogos anteriores, Atelier Meruru ainda possui fields com design simplórios demais. Deixar o jogo cheio de labirintos e armadilhas certamente arruinaria a proposta de coletar materiais que a série carrega, mas isso não impede o jogo de possuir campos menos lineares, com algo além de itens e inimigos para interagir, mesmo que fosse apenas em locais completamente opcionais/secretos.

Forjando a vontade de parar de jogar

Atelier Meruru é um jogo que pode durar de 20 a mais de 100 horas, tempo que depende de qual e quantos dos 10 finais disponíveis o jogador pretende ver. O sistema de finais do jogo é baseado diretamente no que o jogador faz ou deixa de fazer durante os anos de trabalho, diferente dos jogos anteriores, onde grande parte dos finais eram baseados na protagonista com outro personagem. Com isso, o jogo fica com uma vida útil bem maior pela probabilidade de cada nova jogada ser completamente diferente da outra para se ter um final específico.

Forjando uma despedida

Atelier Meruru: The Apprentice of Arland fecha, sem dúvidas, com chave de ouro a trilogia que começou no Playstation 3. Um jogo complexo e desafiador, mas ao mesmo tempo de fácil entendimento e relaxante. Um jogo que abraça forte o fator liberdade e mecânicas mais “manuais”, elementos que fazem muita falta em uma geração tão automatizada e cinematográfica como a atual.

Nota: 9,5

Review de Atelier Ayesha

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22 pensamentos sobre “[Tomio’s Review] Atelier Meruru: The Apprentice of Arland

  1. Pingback: [Tomio's Review] Atelier Totori: The Adventurer of Arland « Jogador Pensante

    • Cada um se limita à sua própria ignorância, infelizmente. E o que seria um “jogo para garotas”? E “jogo para macho”? Teria que ter homens realistas, musculosos e suados em HD? O jogo tem muitos mais mecânicas que muita “superprodução” que se sustenta por filminhos e automatizações. Então como teria que se chamar Heavy Rain ou Uncharted, por exemplo? “Jogo para retardados cinéfilos”? Tem que ver isso daí.

      Mas uma pessoa limitada mentalmente precisa passar longe desse tipo de jogo, realmente. Vai que acontece o que sempre teme: acabar “mudando de time” por causa de aparência de videogame (se é que já não mudou e tem nojo de algo que não tenha a macharada que já está acostumado).

  2. OMG! Eu amei o seu review! Estava em dúvida em relação ao game, nunca joguei nenhum da trilogia, mas esse me chamou atenção e fiquei super cuiriosa para saber sobre a mecanica do jogo e um pouco de sua história! ^_^ Depois disso, agora tenho certeza de que o terei, se sair por aqui né?!

    • Espero que tenha esclarecido todas as suas dúvidas, Mayu! =)

      E a NIS não vai deixar escapar esse lucro garantido. A trilogia aumenta o número de vendas a cada novo jogo, então eles anunciarem por aí é questão de tempo.

  3. Pingback: [Tomio's Review] Hyperdimension Neptunia Mk2 « Jogador Pensante

  4. Bom review
    Atelier não aparenta, mas é um bom Rpg, principalmente comparado com o que se tem atualmente. Eu iniciei a série com o atelier Marie do Ps1 uns anos atrás, e acho que a trilogia atual é a mais parecida com o jogo original na questão de sistema (não fui muito com a cara dos jogos para ps2).
    O que meio que acabou matando o primeiro jogo para Ps3 foram os gráficos, cujo aspecto infantilóide destoava com as artworks, demora para se acostumar com aquilo.
    Apesar do aspecto de game for girls, eu recomendo, por baixo das aparência, há um jogo muito legal e o sistema para alguns vai lembrar mais ou menos harvest moon.

    • Valeu pelo elogio!=D

      Cara, eu já gosto dos de PS2, principalmente o meio-spin-off Mana Khemia por ter mais elementos de JRPG, apesar de descaracterizar um pouco a série. A trilogia do PS3 já conseguiu manter a alma da série (bom, na verdade foi basicamente a volta da manipulação de pacing XD) e manter os bons aspectos de JRPG (batalhas mais complexas e mais exploração), aí acabou que gosto bem mais deles que dos anteriores. Fora que ainda me falta jogar uns tantos aí que deixei passar.

      Agora é esperar por Mana Khemia 3 e ver no que vai dar (sim, espero essa sequencia ainda =P)

  5. Opa,e aí cara? Ótimo review.

    É,parece que pra alguns,agora jogo de homem,ou o protagonista tem que ser um macho suado que explode tudo, ou alguma mulher que fica esfregando a bunda na tela pro jogador(Bayonetta).

    Sabe se essa série vendeu bem?

    É que esses dias foi anunciado o quarto Atelier pra PS3 no ocidente, mas achava que JRPG tradicional vendia mal no PS3/360.

    • E aí Marco! Obrigado pelo elogio e por ler nosso blog!

      Quanto a série, pros padrões de vendas da GUST, vendeu muito bem. Pelo que me lembre, a trilogia Arland foi vendendo mais gradativamente (se não me engano, Meruru vendeu o dobro de Rorona).

  6. Pingback: [Tomio's Review] Atelier Ayesha: The Alchemist of the Twilight Land « Jogador Pensante

  7. Como sempre, otimo trabalho com os reviews!
    Estou querendo me aventurar no universo de Atelier no ps3, mas gostaria que uma duvida fosse esclarecida antes de sair comprando por ai: Eu preciso ter o primeiro jogo da série para entender os demais, ou cada jogo tem uma historia própria?

    Obrigado!

  8. Pingback: [Tomio's Review] Atelier Escha & Logy: Alchemists of the Dust Sky | Jogador Pensante

  9. Pingback: [Tomio's Review] Atelier Escha & Logy: Alchemists of the Dusk Sky | Jogador Pensante

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