[Tomio’s Review] Yakuza: Dead Souls

1Nome: Yakuza: Dead Souls
Produtora: SEGA
Gênero: Sandbox/Tiro em terceira pessoa
Plataforma(s): Playstation 3
Versão analisada: Japonesa

Madrugada dos mortos

Yakuza: Dead Souls (Ryu Ga Gotoku Of THE END no Japão) supostamente finaliza a franquia que teve seu início na geração passada, com o Playstation 2. Apesar da temática bizarra e da falta de numeração no nome, o jogo é continuação direta de Yakuza 4. Tendo em vista que essa versão não é como as outras de PS3, ou seja, sem videos-resumo da série, é recomendado que o jogador tenha terminado, no mínimo, o quarto jogo.

Bioperigo

Yakuza: Dead Souls, ao contrário do clássico Beat’em Up e Sandbox que a série sempre apresentou, traz agora uma proposta no mínimo inusitada: a luta dos protagonistas contra zumbis e outras ameaças monstruosas.

O jogo infelizmente é precário tecnicamente, sendo ainda mais perceptível por ter sido lançado em pleno 2011, onde até então inúmeros títulos de qualidade impecável foram apresentados. Os gráficos em geral dão a impressão de ser um jogo para Playstation 2 com filtros HD, que pode ser notado desde a movimentação robótica dos personagens a modelagens quadriculadas, texturas em baixa resolução e iluminação básica, salvo algumas partes e detalhes, como as roupas dos protagonistas que são bem convincentes e as cenas pré-renderizadas.

A parte sonora já se sai melhor, com trilha sonora agradável, efeitos e grunidos convincentes e bom uso de surround. Como os outros jogos da série, apenas as principais cenas e algumas quests importantes possuem diálogos dublados.

Em outros quesitos, levam destaque negativo os loadings demorados e as quedas bruscas de framerate quando a tela fica muito cheia de objetos e inimigos ao mesmo tempo.

A volta dos que não foram

Yakuza: Dead Souls conta um acontecimento logo após o fim de Yakuza 4, onde a cidade fictícia Kamuro é dominada por zumbis e outras bizarrices. Cabe a Kiryu e mais três heróis darem um jeito na situação. O jogo inclusive conta com o  retorno de alguns personagens antigos da série envolvidos no incidente.

Spin-off? A temática não ajuda? Motivos a parte, é fato que o mais novo Yakuza é fraco em enredo e narrativa, com uma história boba e clichê e desenvolvimento mínimo dos personagens apresentados, dando um motivo ainda maior para o jogador correr atrás dos títulos anteriores para não boiar com a trama.

Nação zumbi

Yakuza: Dead Souls abandona os sistemas de luta corporal para abraçar um sistema de tiro em terceira pessoa, a fim de exterminar hordas de zumbis. Apesar do tema, o jogo não chega a ser um survival horror e sim um jogo de ação e extermínio, já que há sempre armas e munição em abundância.

O título não deve no quesito “cidade infestada de zumbis”, pois o termo é levado à risca: há zumbis em todo lugar – andando pelas ruas, descendo de telhados, saindo de casas, brotando, literalmente, de bueiros e buracos e até pendurados em postes. A ação em geral é intensa, tendo quase sempre grupos enormes de zumbis, que vão desde 10 a até mais de 50 pra serem derrubados. A variedade de alvos mortos também é grande, com zumbis que andam, andam rápido, correm, rastejam e outros monstros, como prostitutas que berram e chamam mais zumbis, um gigante de rocha que só leva dano na cabeça e mosquitos gigantes. Vale lembrar que grande parte dos inimigos possuem inúmeros pontos fracos, como os zumbis, que caem e rastejam quando são acertados nas pernas, e os golems que vão perderndo sua armadura depois de muitos tiros. Um dos destaques do jogo fica por conta das lutas contra chefões, que são sempre desafiadoras e diferenciadas.

Além do tiroteio comum, é possivel utilizar itens dos cenários também, como uma serra elétrica ou um lança-chamas, por exemplo. Com a barra especial de Heat do personagem, é possível realizar snap-actions, que são basicamente dar tiros em locais ou inimigos específicos para causar danos massivos e/ou de área. Infelizmente os snap-actions são acompanhados de QTE exageradamente rápidas, que estragam a estratégia de jogadores mais descuidados ao tentar apertar o botão certo dentro do curtíssimo tempo de gatilho.

O jogo é bastante simples em sua progressão, com partes de puro tiroteio em mapas mais fechados e partes para retomar mantimentos e melhorar armas e armaduras no modo sandbox. Matando monstros, o jogador ganha pontos de conquistas ao cumprir um dos itens da lista de requerimentos, assim como há uma tabela com resultados de performance, deixando a jogatina com uma cara bem arcade. Cada feito do jogador concede pontos de experiência, que podem ser usadas para comprar novas habilidades, como um sistema de auto-head shot e até mesmo mais slots para carregar armas e itens.

Além de pontos adquiridos por feitos, há também itens que podem ser derrubados por alguns inimigos, como pedaços de ferro e até bonecas colecionáveis que podem ser vendidas. Guardando esses itens, é possivel mais tarde usá-los para melhorar os equipamentos, assim como vender pra conseguir dinheiro e comprar armas novas, que vão desde pistolas a gatling guns e rifles anti-tanque.

Fora da aventura principal, o jogador pode também explorar áreas já visitadas ou procurar por locais secretos contando com a ajuda de um NPC parceiro, que pode inclusive subir de nível também e adquirir skills que melhoram seu desempenho.

E agora, os pontos ruins do jogo. O título conta com uma câmera não muito boa para o gênero: totalmente livre. A ausência de um recurso de câmera automática nas costas do personagem deixa o jogo desajeitado e sujeito à vários erros de direção por conta do jogador, por não conseguir se posicionar corretamente durante as batalhas. Os controles também não ajudam, com um desconfortável sistema de “portar arma” parar só então poder fixar a câmera nas costas do personagem.

O modo sofre em escadas e locais com relevo, já que a mira não é controlável, apenas faz o personagem atirar automaticamente em inimigos próximos e na mesma altura. Ou seja, se o inimigo estiver em cima, ele não vai levar dano, e o mesmo resultado para inimigos vistos a partir de um telhado, por exemplo. Outro modo, o de precisão, faz com que o personagem fique parado e uma mira aparece na tela, para ser movida com o analógico esquerdo, um sistema que não combina com a intensidade de ação do jogo, que somado com a câmera e o sistema de “portar arma” faz da jogabilidade algo incompleto, falho e difícil de dominar.

Algumas partes de tiroteio também podem se tornar repetitivas, devido a linearidade da maioria dos locais, a quase ausência de variação de gameplay, a falta de mais oportunidades de salvar o jogo e finalizado com inúmeras e demoradas telas de loading. Para piorar ainda mais, é preciso lembrar o jogador que a ambientação, apesar de boa, nada mais é do que a destruição e terror na cidade mais reciclada da história dos games, com pouquissimas passagens realmente inéditas.

O jogo também sofre de IA, ou melhor, a falta dela. Esse ponto até pode ser perdoado quando é em relação aos zumbis, mas não muito quando algum outro monstro, ou até seu parceiro, enroscam em objetos ou fazem ações repetitivas e previsíveis. No caso da IA do parceiro as coisas até pioram, já que ele geralmente é um personagem suicida e com medo de atirar, independente das ordens que o jogador dá a ele, como atacar com tudo ou recuar, por exemplo.

Finalizando o festival de defeitos, o jogo apresenta um sistema de evolução limitado, fazendo com que todos os upgrades e levels sejam divididos entre os personagens jogáveis. O resultado são todos clones uns dos outros, diferenciados apenas pela arma particular de cada um.

Depredando patrimônio

Apesar de todas as bizarrices possíveis, Yakuza: Dead Souls ainda mantém algumas características da série, como o modo sandbox com inúmeros minigames e restaurantes disponíveis. O mais bizarro disso tudo é que, quanto mais se avança na história, mais locais são dominados por monstros, mas as lojas continuam com seus trabalhos, bastanto o jogador salvá-los de ataques dos mortos-vivos. Bizarro, mas uma ótima desculpa para manter o conteúdo que é marca registrada da série.

Além de todo o conteúdo que os fãs conhecem, novos extras foram adicionados, como subterrâneos secretos repletos de perigos, e o já citado sistema de pontos de conquistas.

Se o jogador deixar os extras de lado e se dedicar apenas à campanha principal, vai ter em mãos um jogo com cerca de 12 horas de duração.

R.I.P.

Yakuza: Dead Souls é um jogo fraco em seu todo, com inúmeros problemas técnicos e sistemas não muito bem trabalhados. Tem idéias e conceitos interessantes, mas ofuscados pelos pontos fracos. Talvez na próxima, quando resolverem gastar menos dinheiro com rostos e vozes de pessoas famosas e mais investimento em um jogo mais sólido como um todo.

Nota: 6,0

Review de Yakuza 5

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6 pensamentos sobre “[Tomio’s Review] Yakuza: Dead Souls

  1. Só joguei o primeiro Yakuza e sempre tive interesse em jogar as continuações. Mas acho zuadíssimo essa mania de ser tudo zumbi atrás de zumbi.. não joguei esse Yakuza, mas parece que estragaram a idéia que ele tinha enfiando zumbis!

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