[Consciência Gamer] Preconceito, racismo, perseguição: A história da humanidade representada nos games.

Os humanos são seres fascinantes, capazes de realizar as mais belas maravilhas. Até que aparecem alguns fanáticos. Daí pra frente, a humanidade passa de fantástica a lunática. Ainda assim, mesmo quanto a idiotices, os seres humanos conseguem realizar feitos catastroficamente fantásticos. Vários desses feitos aconteceram através do preconceito que levou às perseguições étnico-religiosias que sempre produziram shows de horrores durante toda a história da fascinante humanidade, toda mesmo.

Durante toda a história “civilizada” ocidental, então, vários grupos específicos, quase sempre detentores de culturas próprias e irritantemente peculiares, foram caçados pelas civilizações dominantes em uma espécie de caça às bruxas. Opa! Ainda não!

Cristãos jogados aos leões, no Coliseu, e por romanos.

 A primeira perseguição organizada famosa que se tem notícia ocorreu contra os cristãos e foi realizada pelos romanos. Os romanos não queriam que sua religião doméstica fosse substituída por qualquer doutrina semita, como o cristianismo. Daí a solução foi caçar e queimar todos os cristãos, e sua Bíblia Sagrada. Provavelmente isso deve ter causado profundos traumas nos cristãos, tanto que a mesma técnica de perseguição utilizada contra a outrora presa, foi reciclada e expandida por esta que agora ganhou status de caçador. Para se tornar a força dominante na Europa, a Igreja Católica realizou um sistemático esquema ininterrupto de conversão que incluía a criminalização de outras religiões e culturas, proibindo tudo quanto o que não fosse relativo ao cristianismo.

Um bom jeito de fazer alguém confessar que é o Coelho da Páscoa.

Um bruxo maligno sendo devidamente torrado.

Agora sim, caça às bruxas! Bem, depois de sua força consolidada, continuou com suas técnicas de proteção da população cristã contra os ataques de Satanás – que influenciava homens de pouca fé a dizer até que a Terra não era o centro do universo, blasfêmia! – através do que ficou conhecido como a Santa Inquisição. Resumindo, para conquistar e garantir seu poder, a Igreja realizou uma série de medidas que resultou em druidas executados, médicos e farmacêuticos torturados, indígenas massacrados, e negros africanos escravizados. Fora a caçada aos judeus, ciganos e maçons.

Esses acontecimentos, aliás, foram tratados por várias obras literárias, entre elas As Brumas de Avalon, O Corcunda de Notre-Dame, entre outros.

Eis que surge a modernidade, e o que era esperado finalmente aconteceu! O Iluminismo, que levou ao Renascimento Cultural na Europa devolveu ao homem europeu a razão, e ele não mais estava preso às garras do fanatismo religioso. Finalmente ganhou sua liberdade para pensar e raciocinar seguindo os preceitos da lógica, e tão logo se viu liberto da égide do poder do Vaticano (enfraquecido pelo movimento protestante que se espalhou por toda a Europa) chegou à conclusão que com o desenvolvimento científico, tecnológico e filosófico seria possível perseguir, matar, pilhar – e criar teorias racistas muito mais eficientes e complexas que as anteriores – com muito mais comodidade, e sem sair de casa.

Ku Klux Klan - Cuidado ao rir, você pode ser mal interpretado, "kkk"

O resultado dessas idéias científicas e filosóficas, de pensadores como o francês Conde de Gabineau e o inglês Chamberlain, foi o nacional-socialismo teorizado por Rosenberg. Nasceu o Nazismo, mas judeus, ciganos e maçons continuaram morrendo, só que agora em número muito maior.

Pronto, conseguimos!

Pronto, conseguimos!

Obviamente, um fato tão comum na história da humanidade não poderia estar de fora do mundo dos games. E vários são os jogos que em seus mundos representam situações análogas. Os bolas da vez são Dragon Age II e The Wicher 2.

Em Dragon Age II, o panorama é o mesmo do universo da versão anterior junto com suas expansões: Magos, abençoados com um dom que faz deles irritantemente peculiares (e mais poderosos que os humanos normais) leva os homens comuns a prendê-los em uma espécie de escola de magia, onde os magos são compulsoriamente matriculados. A escolinha mais parece uma prisão, e lá os magos perdem toda sua liberdade e privacidade sendo constantemente vigiados, além de serem submetidos às mais terríveis atrocidades – como o Rite of Tranquility, uma quase lobotomia – mais ou menos como em um mosteiro de inquisitores ou mesmo um Campo de Concentração. Quem toca o estabelecimento são nada mais nada menos que os Templars, uma ordem de cavaleiros especializados em caçar magos, e que obedecem diretamente às ordens de Divine, uma espécie de Papa para as Chantrys, que são uma espécie de igreja. Os magos não cadastrados são considerados os Apostates, e estes são caçados pela Chantry através dos Templars.

A prisão dos magos em Dragon Age II, e sua diretora, Meredith.

Em The Witcher2, o protagonista Geralt sofre preconceito por ser um witcher, uma espécie de caçador de monstros que perdeu prestígio com o passar do tempo e agora é considerada uma abominação. Mas, os witchers não estão sozinhos nessa: Elfos, anões, halflings, e qualquer outra raça não humana, sofrem preconceito e até perseguição. Por isso, formaram uma guerrilha conhecida como Squirrels. Como o jogo é polonês, e é baseado em um livro polonês, não é difícil imaginar porque trata sobre o assunto de modo tão veemente – veja  o que foi feito da Polônia na 2º Guerra Mundial.

Elfo membro da milícia dos Squirrels, em The Witcher 2, luta contra o preconceito e segregação racial.

Campo de Concentração para darcsens, os judeus de Valkyria Chronicles

Mas, ainda existem vários outros jogos que tratam sobre o mesmíssimo assunto, como Final Fantasy Crystal Chronicles, em cuja mágica foi proibida pelo império dos pequenos e encrenqueiros Lilties, que chegou até a destruir quase por completo os Yukes, povo esbelto e alto ligado à magia. Também em Valkyria Chronicles, com seus Darcsens que são a versão gamística dos judeus da Segunda Guerra Mundial, permanecendo até mesmo em Campos de Concentração onde eram forçados a trabalhar. E, a grande maioria dos RPG’s, tanto orientais, mas principalmente ocidentais tratam sobre o assunto, de modo mais intenso e centralizado, como os que citei, ou de modo mais secundário, como Knights of The Old Repulic, Mass Effect, praticamente todo Final Fantasy possui apologia aos malefícios do preconceito ou racismo, assim como Lost Odyssey, The Elder Scrolls e vários outros jogos.

É a natureza e a história humanas sendo retratadas nos jogos como mais uma tentativa de mostrar que tolerância é a chave para a coexistência, e que preconceito, segregação racial e racismo só levam à destruição.

E quase nunca são engraçados ou fofinhos kkk, quer dizer, hehehe

Obrigado por lerem!

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5 pensamentos sobre “[Consciência Gamer] Preconceito, racismo, perseguição: A história da humanidade representada nos games.

  1. Excelente, Henrique. Excelente.

    Tales of também aborda esses temas do texto, mas de forma bem mais “crua” que Final Fantasy.

    E o texto é foda. Por esse tipo de coisa que eu gosto de contar com enredo em jogos. Melhor que testar e ampliar seus reflexos e coordenações, é fazer tudo isso e ainda por cima testar/ampliar seus conhecimentos, sua forma de pensar. Haters gonna hate.

  2. Pingback: [Consciência Gamer] Preconceito, racismo, perseguição: A história da humanidade representada nos games. | Nerdice

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