[Neto’s Review] Crysis 2

“We are all dead men walking.”

Capa do jogo

ENREDO

Crysis 2 aborda os eventos seguintes aos dois primeiros jogos da série (o homônimo Crysis e sua seqüência Warhead), só que, ao invés da paradisíaca ilha asiática do primeiro, agora somos agraciados com um cenário urbano em nada menos do que Nova York.

A trama gira em torno de uma guerra alienígena que está acontecendo na cidade de Nova York. O jogador encarna na pele, digo, na suit, de Alcatraz, um marine das forças armadas americanas que, após um acidente trágico, acaba se encontrando com Prophet, o portador da Nano Suit 2, uma armadura poderosa.

Alcatraz, à beira da morte, recebe a armadura de Prophet e, com ela, várias lembranças dele, como eventos ocorridos na ilha dos dois primeiros jogos (Prophet era o comandante da operação na época, porém não era o protagonista de nenhum deles), tudo através de flashbacks em baixa resolução em momentos determinados do jogo.

Laurence "Prophet" Barnes

A narrativa se desenvolve através de “briefings” sobre as missões que são designadas a Alcatraz, seja por quem for, e também por mensagens via rádio, no estilo Bioshock, sem tirar o controle das mãos do jogador, o que muitas vezes torna inviável tentar prestar atenção ou no jogo em si ou nas palavras de quem está falando.

Mas é na climatização de seu enredo que Crysis 2 vence bastante. O clima de caça-e-caçador é muito evidenciado durante todo o jogo, visto que Alcatraz, confundido com Prophet, está sendo caçado também pelas Forças Armadas americanas, pois é tido como um infectado do vírus alienígena. Todo esse clima é passado de forma sutil, e os poderes da Nano Suit 2 só fazem melhorar este feeling proporcionado pelo jogo.

Crysis 2 tenta travestir a história da Nano Suit com uma história de guerra entre seres humanos e alienígenas, porém logo se percebe que o foco do jogo mesmo é na armadura doada por Prophet a Alcatraz.

A Nano Suit 2

Concluindo sobre o enredo, Crysis 2 é lotado de momentos épicos e sua apresentação é sensacional, nas poucas vezes que o jogo toma o controle de suas mãos para mostrar algum fato, geralmente é para te deixar boquiaberto, de queixo caído mesmo (ok, os gráficos ajudam muito nisso), mas o seu enredo mesmo não tem tanta profundidade durante a maior parte do tempo, mas é louvável Crysis 2 ousar de não seguir a fórmula de jogos consagrados como a série Call of Duty e transformar-se em um corredor, cheio de cut-scenes a cada parte.

 

JOGABILIDADE

Como citado acima, Crysis 2 foge do chamado First Person Shooter de Corredor, onde há um caminho estritamente linear para se seguir, recheado de cut-scenes em pontos determinados. Ao invés disso, o jogo oferece diversas maneiras de se passar por cada parte apresentada no mesmo, utilizando-se da tecnologia da Nano Suit 2, que dá um “scan” no local e te apresenta várias rotas e alternativas para se executar a missão, bem como informa onde estão os inimigos, munições, diferentes armas e etc.

Como dito, a Nano Suit 2 é extremamente poderosa e volta com vários poderes presentes nos dois primeiros jogos da série. Basicamente há três módulos de poder embutidos na suit: Armor, Power e Stealth.

Quando ativado o Maximum Armor, as balas ricocheteiam na suit de Alcatraz, deixando-o impossível de se perfurar ou de se machucar com explosões próximas. O módulo Power ativa força e velocidade para Alcatraz, possibilitando-o dar um pulo maior (segurando-se o botão de pulo por algum tempo), correr a uma velocidade maior (infelizmente aqui o jogo só apresenta esta super-velocidade, diferente do primeiro Crysis, onde havia como correr sem ativar o “Maximum Speed“, dando mais chances de correr e se esconder de ameaças caso a bateria da suit acabasse) e executar golpes mais fortes, como dar um chute em um carro, esmagando quem esteja pegando cover do outro lado do mesmo, ou dar um golpe mortal utilizando a arma que estiver na mão.

Maximum Armor

O módulo Stealth ativa o modo “camaleão” em Alcatraz. O jogador fica transparente, confundindo-se com as texturas dos cenários, dando a possibilidade para que o jogador passe de modo stealth entre os inimigos, realizando golpes escondidos ou mesmo apunhalando-os com uma faca, o chamado “Stealth Kill“. Este poder, no entanto, não transforma Alcatraz no Homem Invisível, pois se inimigos estiverem próximos, perceberão sua presença e atacarão.

Cloak engaged

Todos os poderes da suit devem ser utilizados com sabedoria e, principalmente, economia. Se a bateria da suit acabar no meio de um tiroteio e o jogador precisar desesperadamente ativar o Maximum Armor e não conseguir, é morte na certa, além do que o jogo muitas vezes ficará na escuridão total, e é aí que deve-se ativar a Nano Vision, uma visão que permite enxergar no escuro e perceber ondas de calor, podendo-se saber onde há inimigos ou algo em chamas.

O tiroteio de Crysis 2 apresenta-se mais estratégico do que frenético. É importante o jogador determinar seus atos antes de correr para cima dos inimigos e desferir vários tiros deliberadamente. Procurar cover e aguardar o recarregamento da suit ou recarregar sua arma é de vital importância para Alcatraz, pois mesmo a suit não suporta tantos tiros e o jogador ver-se-á morto com poucos tiros disparados.

A IA dos inimigos mostra-se como uma das melhores da geração, com os inimigos buscando cover dos projéteis disparados por Alcatraz, fugindo do seu raio de visão, alertando seus companheiros para sua presença, chamando reforços, etc. Há alguns bugs nessa IA, como inimigos que não percebem sua presença mesmo você pulando freneticamente na frente deles, inimigos que correm em círculos (principalmente os aliens, que, aliás, são mais burros e brutos do que os humanos), outros que correm em direção à parede e não gostam de usar portas. Talvez uma atualização corrija isto nos consoles e no PC.

Ponto fraco à vista!

Há boa variedade de armas no jogo, porém o melhor feeling existente em Crysis 2 é atirar com uma shotgun a queima roupa nos inimigos. Humanos morrem em um tiro só, já os alienígenas “normais” levam dois tiros, visto que são protegidos por uma resistente armadura, sendo a parte de trás exposta (o ponto fraco deles são as partes gelatinosas, que também são exibidas quando quebra-se partes de suas armaduras) e, por lá, leva-se um tiro só para matar o alienígena com uma shotgun. Todas as armas do jogo possuem acoplamentos táticos, como diferentes miras, indo desde Reflex, Scope e chegando até a miras a laser, silenciadores… Só que dependendo da arma que o jogador adquiriu, ela não vai possuir todos estes aparatos, deve-se mudar de arma para outra com silenciador, por exemplo, caso a que esteja no equipamento não o possua.

Acoplamento tático

Agora a Nano Suit 2 também é passível de upgrades, que são “comprados” com Nanocatalysts, adquiridos quando mortos inimigos alienígenas. Há vários upgrades e, para cada modalidade, somente um pode estar selecionado. Por exemplo, não é possível dois upgrades stealth estarem selecionados ao mesmo tempo. Os poderes comprados variam para maior durabilidade da armor quando ativada, silenciador de passos, aviso de quando algum inimigo estiver próximo, rastro dos passos dos inimigos, entre outros.

O jogo possui algumas boss battles, e são nelas que a estratégia conta muito. Os chefes são inteligentes e não exibem com facilidade seus pontos fracos. O jogador deve bolar seu plano e executá-lo, com calma, principalmente. Afobar-se só vai levar à morte e ao ódio mortal de si mesmo, fazendo-o xingar o jogo, chamando o desafio de injusto, principalmente quando percebido que o inimigo já estava próximo da sua própria destruição.

Esse é bruto!

SOM

Com certeza uma das melhores trilhas sonoras da geração, toda orquestrada e com alguns dos temas compostos por ninguém menos do que Hans Zimmer, famoso compositor de trilhas sonoras de filmes, como Batman: O Cavaleiro das Trevas e A Origem. As músicas ajudam muito a criar o clima de predador e caçado que o jogo busca passar ao jogador e a trilha se faz muito presente durante o jogo todo.

(Insertion, a música tema de Crysis 2)

A sonoplastia de tiros, explosões, passos, gritos de dor, gritos dos aliens, dublagem nas falas, tudo foi feito com muito esmero e dedicação, na parte de som Crysis 2 não tem falhas, e acerta em cheio na climatização do jogo. Ponto para a Crytek e sua equipe de som.

 

GRÁFICOS

O que falar dos gráficos de Crysis 2? A versão analisada neste review foi a de PC, jogado com tudo maximizado, em Direct X 10. E o jogo é soberbo. Os primeiros jogos da série Crysis já se destacavam por seus gráficos que buscavam o realismo e foram por muito tempo considerados os jogos com melhores gráficos existentes, até que Crysis 2 bateu seus irmãos mais velhos.

Iluminação, modelos de personagens, cenários ricos em detalhes, até as armas são detalhadas ao extremo, explosões inesquecíveis, prédios caindo, helicópteros chocando-se contra construções. Tudo feito para deixar o jogador babando frente aos gráficos. A Cryengine 3 faz milagres, principalmente rodando nos consoles que, mesmo apresentando gráficos piores em relação ao PC, ainda assim fazem de Crysis 2 o mais belo jogo já visto nesta geração nos consoles de mesa.

De tirar o fôlego

Há alguns bugs percebidos, porém, como inimigos que entram dentro das texturas do cenário, algumas vezes a arma não aparece na mão de Alcatraz quando é trocada e etc. Mas isto é tudo muito mínimo perto da beleza faraônica de Crysis 2.

O ponto fraco fica para as expressões faciais dos personagens. São praticamente mínimas, se não inexistentes, mas como o jogo apresenta poucas cut-scenes, não chega a deixar o jogador “broxado” com isto.

 

VEREDITO

Crysis 2 é um jogo que esbanja criatividade no meio de um gênero que acredita-se estar se saturando cada vez mais nesta geração. O jogo entra no hall de melhores shooters dela, próximo do gigante Halo Reach. Levando um gameplay mais próximo dos FPS de PC antigos, com várias alternativas para se realizar a mesma missão, Crysis 2 cumpre bem o seu papel de, no mínimo, se igualar aos seus antecessores no que toca o gameplay. Os gráficos do jogo são de tirar o fôlego, a sonoplastia beira a perfeição artística e o clima do jogo é extremamente evidenciado, mesmo com um enredo superficial e previsível, apesar de algumas reviravoltas.

Crysis 2 é um jogo obrigatório para quem possui um bom PC, um Xbox 360 ou um Playstation 3.

Nano Suit 2

NOTAS

ENREDO: 8,5/10,0

JOGABILIDADE: 9,5/10,0

SOM: 10,0/10,0

GRÁFICOS: 9,8/10,0

NOTA FINAL: 9,7/10,0

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6 pensamentos sobre “[Neto’s Review] Crysis 2

  1. Gostei muito do teu review 🙂

    A única coisa que não gostei mesmo, foram os bugs da IA. A parte da Eye of Storm é meio “broxante” :/

    Mas fora isso, que é uma coisa minima, mas bem mina memso, o jogo é muito bom. Vou ter que comprar um original :~/

  2. Excelente review, e bem-vindo ao time, cara! O Fran que te convidou? Porque o dono do Jogador Pensante tá ausente, ele que não deve ser. Se for ver você também tem o mesmo nick e a forma de escrever é bem parecida também, só falta dizer que é gay, não gosta de Infamous e é fanboy de filminho interativo, aí diria que são a mesma pessoa!=D

    auheuhaeeHAZEauheuhaeuhaeuHAZEuaheauhe

    To pra pegar o jogo quinta! Tá todo mundo pagando tanto pau que fiquei secamente curioso, pow XD.

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