[Neto’s Review] Folklore

“Essa dupla do barulho vai aprontar altas confusões que até o Faery Lord duvida em um vilarejo que é puro mistério! “

Capa do jogo

ENREDO

Folklore é um jogo exclusivo para o Playstation 3 e é ligeiramente antigo: 2007. O jogo veio com uma proposta de usar ao máximo os recursos do console disponíveis na época, usando e abusando do sensor de movimentos do SixAxis, DLCs, etc.

O jogo conta a história de Ellen e Keats. A primeira recebe uma carta assinada por sua falecida mãe para que ela fosse até Doolin para se encontrarem, uma cidade na Europa, mais exatamente na Irlanda, conforme busca na internet, já que o jogo só informa que é no continente.

Ellen

Keats, por outro lado, é um editor de uma revista de ocultismo. E é um cético, não acredita em mitos nem em nada disso, mas, ao receber um telefonema que cita a cidade de Doolin e “Faerys”, ele se sente curioso e atraído para o local. Para nada mais do que obter uma boa notícia para que pudesse publicar na revista.

Keats

Doolin não é uma cidade normal. É infestada por mitos, pessoas estranhas com sérios problemas sociais e com muitos segredos. Não bastando isso, à noite seres sobrenaturais surgem no Pub da cidade. Dois deles – Scarecrow, um espantalho, para Ellen e Belgae, um homem invisível, para Keats – estão dispostos a ajudá-los a compreender os mitos de Doolin e do Netherworld, que seriam mundos paralelos ao real, onde seria possível se encontrar com os mortos.

O vilarejo tem novos moradores à noite

A necessidade de se encontrar com os mortos é o ponto vital para o entendimento do enredo de Folklore. Tudo gira em volta de um acontecimento no Dia dos Mortos (Samhain) de dezessete anos antes da época que se passa o jogo. Uma tragédia aconteceu, por sinal, várias pessoas mortas de formas suspeitas, pessoas que sumiram, entre outros.

Ao mesmo tempo, uma guerra está acontecendo dentro do Netherworld. O Faery Lord, uma espécie de rei dos Faerys, uma raça de seres fantásticos que vivem no Netherworld, deseja restaurar um grande mal que foi feito por uma antiga Mensageira, que afetava a continuidade da existência de seres mitológicos.

Os personagens de Folklore têm pouco carisma, com a clara exceção de Keats e do Scarecrow. Ellen é uma garota chorona, que tem medo de tudo e que simplesmente se transforma em uma excelente guerreira quando dentro do Netherworld, enquanto Keats tem um humor aguçado e sua descrença e único objetivo de encontrar uma boa história o deixa muito mais “cool” do que Ellen. Pena que tudo gire em torno da garota.

Scarecrow, ajudante de Ellen e uma das figuras mais carismáticas do jogo

A trama do jogo é bastante rica, a cultura de Doolin e do Netherworld são interessantes. O problema está na narrativa. É extremamente cansativa. Há três tipos de forma que o enredo do jogo se apresenta: em algumas cut-scenes comuns, seja em CG ou não, em vários diálogos com os personagens e em milhares de cut-scenes em formato de HQ. No começo parece uma excelente idéia, mas o tiro sai pela culatra lá pela quinta vez que o jogador se depara com isso. É cansativo, chato, simplesmente. Um jogo que buscou se apoiar até mesmo em controles por movimentos (ver na parte Jogabilidade) poderia ter usado todo o “poderio” do Playstation 3 e utilizar uma forma mais dinâmica de narrativa. Chega a dar sono os quadrinhos de Folklore, com personagens semi-estáticos. E, claro, para piorar: não há dublagem nessas passagens, apenas balões, que muitas vezes passam muito rápido e o jogador tem que voltar a página e rever.

Boooring...

JOGABILIDADE

Pode-se dizer que Folklore se divide em dois momentos distintos: coleta de informações em Doolin e batalhas e progresso no Netherworld. A parte de Doolin é simplista e bastante direta: baseia-se somente em conversar com o personagem correto, que dará a informação ou item necessário para prosseguir até o próximo Realm. Exploração é praticamente inexistente, nada em Doolin prende a atenção do jogador. É realmente a parte de descansar os dedos e o pulso (sim, o pulso).

As batalhas de Folklore são bem elaboradas, isso não há dúvidas. Cada inimigo (Folk) derrotado tem sua alma absorvida por Ellen ou por Keats. Isso dá uma gama enorme de arsenal de batalha ao jogo, cada Folk tendo seu tipo de ataque, seu elemento (como Fogo, Água, Gelo…) e sua aplicação. Há Folks que, por exemplo, só tomam dano se atacados com fogo. E também há aqueles que servem de defesa, seja frontal ou de área, Folks que causam problemas de “status” nos inimigos, entre outros.

Ellen usando um Folk de defesa

Todos os botões principais do SixAxis/DualShock 3 são utilizados em Folklore. Os Folks podem ser mapeados para os botões cruz, bola, triângulo e quadrado, podendo ser trocados a qualquer momento. O jogo também possui esquiva, que é importante ser dominada, e é bastante funcional. Lock-on também está presente, sendo necessário pouquíssimas vezes. O problema é quando se derrota um inimigo mais forte e há a necessidade de se utilizar o sensor de movimentos.

Para obter as almas dos Folks, deve-se segurar R1 e puxar o controle para cima. Tudo bem, muito simples e nada cansativo, já que uma puxadinha simples já surte efeito. A parte ruim é quando se está enfrentando um inimigo mais forte, ou um mini chefe ou mesmo o chefe do realm. Existe aí o fator frustração, e vou atentar em somente um tipo (pois existe cerca de 5 diferentes estratégias para puxar a alma de um inimigo forte): o de inclinar o controle de um lado para o outro. É simplesmente sofrível. Demora para se aprender e eu mesmo nos últimos momentos do jogo não tinha aprendido, mesmo fazendo exatamente como o tutorial (que pode ser exibido a qualquer momento na tela) mandava. O problema aí é imprecisão, causando desespero no jogador, frustração, controles jogados na parede, gritos de raiva… o que era para ser uma diversão, um desafio a mais, torna-se a pior parte do jogo. É tão chato que chega-se a preferir matar o inimigo de uma vez e não receber pontos de experiência a ter que se submeter a tamanha afronta contra uma boa jogabilidade. E, é claro, esse é o movimento predileto do jogo, os outros são mais tranqüilos (alinhar a alma no centro, puxar só quando a alma estiver vermelha, mexer o controle freneticamente quando a alma fizer o mesmo [ok, este também é muito chato]…).

Ah, não... por favor, não...

Dentro de cada Realm o fator exploração já é mais válido do que em Doolin. Tanto com Ellen como com Keats, acessar partes diferentes de cada fase é bom para obter diferentes tipos de Folks e também encontrar páginas para o livro de cada lugar. O livro possui ilustrações feitas a mão mostrando as fraquezas dos folks do realm em questão, o único que se pega obrigatoriamente (porque o jogador sempre vai encontrá-lo no curso de sua ida para o chefe, chamado de Folklore) é o de duas páginas, exibindo a forma para se matar o Folklore da fase. Com Ellen, a exploração também serve para encontrar novas Cloaks, cada uma tendo um atributo diferente.

Duas páginas de um dos livros de Folklore

E se Ellen tem cloaks diferentes, Keats tem um poder especial que o deixa poderoso, com ataques rápidos e mais fortes, mas este poder é adquirido desde o início, através de uma barra exibida no canto da tela e ela enche conforme o jogador batalha com os folks e obtém suas almas.

Ellen usando outra cloak

Folklore é um jogo dividido em capítulos. Em cada capítulo, um Realm diferente é acessado. O problema é que o jogo te força a jogar duas vezes a mesma fase: uma com Ellen e uma com Keats. As diferenças não passam de alguns folks diferentes ou os mesmos folks com ataques diferenciados. O cenário é o mesmo, o caminho não muda (exceto em apenas um realm, da metade para a frente dele). Triste, chato e de pouca inspiração.

As boss battles são bem elaboradas e cada chefe tem sua forma correta de ser derrotado, mas isso não impede que o jogador tente sua sorte do jeito que bem entender. Ponto positivo para essa parte, o jogo executa bem isso… bem, pelo menos até a parte de absorver a alma do Folklore utilizando o sensor de movimentos. Aí dá até vontade de parar de jogar.

Fazer tudo com Ellen, depois repetir com Keats... ou vice-versa

Os saves são escassos – há três por fase – e são também os check points do jogo, o que adiciona maior dificuldade (ou não muda nada se o jogador quiser passar por todos os Folks que encontrar e não derrotar nenhum). É difícil hoje em dia um jogo que não tenha check points a cada área acessada, mas Folklore se mantém firme na decisão. É nos save points que também se recupera o HP (já que não se encontram tantos itens de recuperação pelas fases) dos personagens, volta para Doolin ou se teleporta entre os outros save points.

SOM

O jogo tem músicas bastante inspiradas, isso é fato. Cada realm tem sua música, a música das boss battles é sempre interessante. Enfim, no quesito trilha sonora Folklore não falha.

(A Mysterious Door, a música tema de Folklore)

A falha vem na dublagem. É escassa, há dublagem somente nas cut-scenes. De resto, os personagens são mudos, com balões surgindo durante um diálogo. Isso não é mais padrão hoje em dia e dá uma cara de “old gen” ao jogo, o que não ajuda muito a fazer o jogador se apaixonar por sua narrativa. Há jogos com bem mais diálogos – como Oblivion, por exemplo – que são totalmente dublados.

GRÁFICOS

Folklore não é um jogo maravilhoso, que faz babar. A inspiração dos gráficos do jogo está em sua arte, os realms são bastante coloridos e belos, enquanto Doolin tem uma atmosfera solitária, nublada. O jogo tem belos efeitos, enquanto possui alguns cenários não muito inspirados, como a praia da cidade de Doolin, que é provavelmente o cenário mais feio do jogo.

Os cenários são bem variados, a arte é excelente

A movimentação de Keats e de Ellen é bem executada, suas vestes esvoaçam com os movimentos deles. O trabalho de expressão facial não é tão bom, oscila com momentos de boas caracterizações e momentos de personagens inexpressivos. O personagem Herve, por exemplo, está sempre cabisbaixo, qualquer que for o momento. O jogo possui belas CGs, mas isso é comum em jogos japoneses.

VEREDITO

Folklore é uma boa idéia. Não passa muito disso, sua execução é falha em diversos aspectos, começando por sua narrativa extremamente enfadonha e, mesmo tendo um enredo misterioso, o jogo não se decide se quer ser um suspense ou um conto de fadas. A falta de dublagens afeta bastante o jogo, o deixando ainda mais monótono. E nem se fala em relação à escolha de se usar excessivamente o controle por movimentos, que é falho e impreciso, deixando os jogadores até mesmo contundidos. E o fato de se ter que jogar duas vezes a mesma fase é algo muito insatisfatório.

Mas isso não quer dizer que o jogo seja somente uma porcaria, os combates são bem elaborados, várias estratégias podem ser abordadas, além de ter um arsenal muito expansível.

Folklore: preso em seu próprio enredo

NOTAS

ENREDO: 6,0/10,0

JOGABILIDADE: 6,5/10,0

SOM: 6,5/10,0

GRÁFICOS: 8,0/10,0

NOTA FINAL: 6,7/10,0

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s