[Tomio’s Review] White Knight Chronicles 2

1Nome: White Knight Chronicles 2
Produtora: Level 5
Gênero: JRPG
Plataforma(s): Playstation 3
Versão analisada: Japonesa

Continuação?

White Knight Chronicles 2 veio para encerrar a saga de Leonard e sua turma. Ao contrário da numeração, o jogo não é bem uma continuação, mas sim um complemento do primeiro, podendo considerar o título anterior um prologue/beta a preço de jogo novo (e completo). Apesar da total falta de respeito da Level 5 para com o consumidor, as pessoas que não jogaram (ou, pelo menos, aproveitaram o suficiente) o primeiro título sairão no lucro, pois o jogo vem com o novo capítulo e o capítulo anterior inclusos no mesmo disco.

Cavaleiro branco em Ivalice

White Knight Chronicles 2 oferece campos gigantescos para explorar, com baús escondidos e locais específicos para colher materiais, como minérios e plantas para forjar itens mais poderosos, além de cidades/vilas bem movimentadas e vivas. Além das belas CGs e gráficos razoáveis, o jogo agora tem um sistema mais bem trabalhado de iluminação em comparação ao título anterior, que muda dentro do mesmo ambiente dependendo da posição de câmera/personagem. Infelizmente há um perceptível problema de pop in, que as vezes é prejudicial, com inimigos “brotando” perto de seu grupo quando o jogador menos espera.

A trilha sonora é bem variada e na maioria das vezes agradável (algumas inclusive lembram as de Final Fantasy XII, para Playstation 2). O trabalho de dublagem também é bastante satisfatório, sendo dessa vez mais bem trabalhado no segundo episódio. Infelizmente os saves são demorados, levando cerca de 30 segundos cada.

Fugitivos da APAE? NOT!

Em White Knight Chronicles 2, apesar da aberração em forma de trama mostrada em sua primeira parte, apresenta agora uma história que tomou um rumo mais sério, com enredo mais sombrio e dramático, e com personagens que finalmente tomam mais atitudes racionais e menos falação besta e desnecessária. Claro, não é nada extraordinário considerando o mercado de RPGs em geral, mas é uma enorme evolução se considerado como algo feito pela Level 5, que sempre teve tramas medíocres e personagens sem carisma em seus jogos. O jogador pode agora curtir uma boa narrativa e uma história interessante sem se sentir mentalmente insuficiente.

Infelizmente não é possível apenas elogiar esse aspecto, pois a Level 5 não deixa sua fama mentir – na segunda parte, o jogador conta com a inclusão de viagens no tempo. Até aí tudo bem. Mas a falta de cuidado com esse tipo de coisa deixa uma péssima impressão para quem joga. Exagero? Então volte 40 anos no tempo e encontre, nos mesmos locais, aquelas NPCs crianças, aquelas quests, e aqueles baús abertos no futuro, abertos no passado também…de certa forma ajuda o jogador a ter acesso ao conteúdo do jogo sem se prender ao enredo, mas são coisas simples que poderiam ter sido evitadas sem muitas complicações.

Olha, um lagarto de fogo…FIRE BALL!

O sistema de batalhas de White Knight Chronicles 2 lembra, novamente, Final Fantasy XII (Playstation 2), onde o jogador movimenta seu personagem livremente e precisa esperar um círculo encher para poder executar uma ação. E são várias as ações.

Basicamente o jogo oferece 3 tipos de ataques além das elementais: de perfuração, de esmagamento e corte. Se o inimigo for fraco em um desses tipos de ataque, o dano mostrado sairá em amarelo e muito maior que um golpe normal, valor que varia com base em 50% extra. Os ataques podem consumir MP e AC (Action Chips). Action Chips são necessários para se transformar em cavaleiro ou para a excecução de combos. Dependendo do tamanho do monstro ou do tipo de golpe, eles podem literalmente sair voando, fazendo com que suas ações atrasem consideravelmente.

Ao encontrar um inimigo, o ele pode ser passivo ou agressivo. Independente disso, o jogador precisa apertar o botão de ação quando um ícone de espadas aparecer pra só então entrar na batalha. Infelizmente os membros da party não entram em modo batalha por conta, tampouco configuráveis para isso.

Infelizmente a inteligência artificial continua não sendo muito boa, pois ela basicamente usa de modo randômico as ações que o jogador configurou nas barras dos personagens. No jogo também falta uma opção para deixar vários sets de ações configuradas para trocar em situações diversas. Em compensação, para cura os personagens são mais espertos, pois sempre procuram um modo de deixar a party fora de perigo com o mínimo de recurso possível. Apesar de não adiantar muito, há versões pré-programadas, como lutar livremente, focar em ataque massivo, focar em cura, etc. Em meio a batalhas o jogador também pode mudar as táticas, como concentrar o ataque em um alvo, atacar múltiplos alvos ou mandar todos recuarem. Esse último será bastante útil em momentos onde há guests na party, pois, se algum deles morre, é game over (felizmente há uma opção “try again” que leva a party ao savepoint mais próximo com tudo que tinha antes de morrer, ótimo para descuidados que esquecem de salvar o jogo).

Com um ark de um cavaleiro e no mínimo 7 cp, o personagem pode se transformar em um cavaleiro. Em modo cavaleiro, o jogador tem, a cada ataque, uma lista com as partes do monstro para atacar (quando ele é gigante). Ótima chance para acertar as pernas com o golpe-ponto-fraco e quebrar o posicionamento deles mais rapidamente, fazendo-os cair e ficarem completamente vulneráveis por um tempo. No modo cavaleiro, o MP vai sendo drenado constantemente, então para batalhas longas e difíceis é melhor levar um estoque de itens para MP. Sendo praticamente um modo a parte, o cavaleiro tem uma lista de ações pré-definidas, que mudam de acordo com a arma equipada. Cada ação pode não custar nada ou custar algum MP, portanto é preciso pensar bem antes de sair desferindo os golpes mais poderosos. Para golpes devastadores dos inimigos, há a opção de quebrar o turno deles, um golpe poderoso onde o número de uso é determinado também pelo tipo de equipamento.

Em cidades, o jogador pode encontrar um tipo especial de ferreiro que evolui e faz outros acessórios para os cavaleiros, que podem mudar drasticamente o desempenho da party.

Os equips dos knights são basicamente boosts pra quem não está transformado no modo cavaleiro, ou seja, para o resto do grupo. Por exemplo, o jogador pode equipar itens que dão proteção contra todos os elementos, proteção contra dano físico, invulnerabilidade temporária, aumento massivo de status e ter um grupo tão poderoso quanto o gigante de armadura.

Para evoluir um personagem, é bem simples: basta subir um nível, e ganhar pontos. Dependendo do nível o número de pontos ganhos vai aumentando. Com pontos, o jogador pode “comprar” novas habilidades, status ou magias. Algumas delas só são liberadas depois que outras já foram compradas, então é preciso pensar bem antes de sair gastando tudo em uma só categoria.

Há também skills especiais que só ficam “a venda” depois de concluir quests de civis especiais. As skills são bem variadas, passando de magia branca e elemental a perícia a armas. As armas de uma mão, por exemplo, podem ser equipadas em uma mão com escudo ou duas de uma vez só, assim como lanças podem ter ataques rápidos a distância e machados de duas mãos com ataques carregados, tudo dependendo apenas de quantos pontos foram investidos na categoria específica.

Pra ninguém botar defeito

Antes de começar o jogo, o jogador deve criar um personagem que será usado no modo online com um modo edição bem completo, que vai desde tipo de cabelo até o tom da voz e modelagem do corpo/rosto. Quem quiser pode fazer um avatar idêntico a si mesmo, basta se dedicar e ter paciência.

Nas cidades, o jogador pode buscar por vários tipos de extras. São eles: caça a inimigos perigosos, quests de civis e quests de guildas, além de outros vários extras escondidos pelo vasto mundo que o jogo oferece.

As caças são como as mob hunts de Final Fantasy XII, tendo que ir até uma guilda e aceitar um dos pedidos. Os inimigos em geral são apenas inimigos comuns, mas com cor e aparência levemente modificadas e 3 vezes mais fortes que o comum, dando dinheiro, pontos de guilda e Dalia (outro tipo de moeda do jogo, serve para trocar por itens). Infelizmente, as caças são um tanto quanto burocráticas, podendo aceitar apenas uma por vez.

As quests de civis são basicamente conversar com NPCs com exclamações na cabeça/mapa e aceitar seus pedidos. Geralmente as quests são de ser mensageiro ou entregar algum item. Mas as coisas não são tão simples assim, pois os itens podem ser resultados de outras ações, como por exemplo, item de forja de rank alto, item raro de um inimigo ou mesmo minério raro de uma localidade específica. As quests de civis em geral dão pontos de guilda. Infelizmente as quests de ser mensageiro poderiam ser melhores e/ou menores, pois algumas são extensas e repetitivas, além do assunto que envolve elas não serem lá muito interessantes.

As quests de guildas são as quests online. O jogador pode optar por jogar offline também, jogando com o seu avatar e mais dois personagens do modo história. Os pontos de guilda citados acima servem para subir no rank e desbloquear novas quests.

Dependendo do rank, até quatro pessoas podem jogar online em missões que variam entre matar um boss ou coletar tal item, acionar tal dispositivo ou chegar em tal lugar. Em ranks altos o jogador pode entrar em um grupo de até 6 pessoas e…se transformar em cavaleiro também! Quests de guildas dão pontos de guilda, dinheiro, dalia e itens. Alguns itens podem ser misteriosos, com um “???” no lugar do nome, sendo preciso levar para alguma cidade e fazer o reconhecimento. As missões são bem numerosas, apesar de boa parte delas serem versões mais difíceis de uma já disponível, ou reaproveitadas do capítulo anterior. Além disso, agora é possível conversar com head set durante as partidas. Ótimas adições, coisa que fazia muita falta no primeiro episódio.

Com materiais recolhidos de inimigos, mineração e quests, é possível forjar itens. A fórmula é clássica e básica: Dar dois itens diferentes para o ferreiro para que ele produza o item desejado. Para subir o rank do ferreiro e ele liberar mais receitas, é preciso “sacrificar” itens e trocar por pontos de experiência. A cada item novo forjado, o jogo marca seu ícone com um check vermelho, ótimo para quem busca fazer tudo da lista (por troféus) e acaba se perdendo com o que foi e não foi feito.

O jogo conta também com um sistema de equips que mudam o visual dos personagens de acordo com o que vestem, além de influenciar no peso, que afeta na velocidade deles em batalhas. O jogador deve ficar atento também em estar sempre arrumando seu equipamento (que pode ser realizado em save points também), pois eles quebram com muito tempo de uso, fazendo com que o potencial deles caia bastante.

Infelizmente o jogo sofre de um excesso de backtracking, que fica evidente que foi inserido para encher linguiça (apesar do tempo total de backtracking não passar de um pouco mais de duas horas se o jogador não enrolar com mineração e batalhas), coisa desnecessária que poderia ser evitada seguindo a lógica do enredo.

O modo online, além das missões de guildas, pode servir também como uma comunidade. Com a Geonet, que funciona como o twitter/facebook, o jogador pode postar novidades e criar salas para juntar uma galera e partir em missões específicas. O jogador pode até usar uma câmera durante o jogo e tirar fotos do seu avatar ou dos locais, para usar como tema do seu espaço.

O jogador pode também criar sua própria cidade, chamada de Georama. Com ela, o jogador pode recrutar NPCs pras missões, além de fazer com que alguns abram lojas que vendam itens raros ou trabalhosos de se preparar, ótimo para quem busca fazer equips poderosos. Deixando a cidade bem povoada e moderna, o jogador pode comprar terrenos maiores para expandi-la ainda mais. Infelizmente o modo online não possui mercado interno entre jogadores, o que seria extremamente útil se tratando de materiais raros.

Para completar, White Knight Chronicles 2 presenteia os amantes do modo online com uma extensão para o final do jogo, apresentando mais algumas informações e um desfecho definitivo através de uma dungeon extra, acessível somente para jogadores com guild rank alto.

E no final…é bom?

White Knight Chronicles 2, se considerando como o verdadeiro White Knight Chronicles, é um grande jogo. Longo (cerca de 50 horas pra finalizá-lo sem fazer extra nenhum), com muitos extras e coisas secretas, grande parte dos erros do episódio anterior corrigidos  e um online interessante. Pra quem já jogou à exaustão o primeiro episódio e visa apenas a segunda parte, pode não ser um bom negócio mesmo com todas as melhorias, já que não há muito conteúdo novo pra ser chamado de sequência. Mas para quem jogou pouco o primeiro ou nunca tocou na série e é fã de JRPG, o título é praticamente obrigatório.

Nota: 9

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8 pensamentos sobre “[Tomio’s Review] White Knight Chronicles 2

  1. Pingback: [Tomio's Review] White Knight Chronicles « Jogador Pensante

  2. Já tive o primeiro mas não tive paciencia pra prosseguir, tb pq foi na época q anunciaram o 2 e seu “esquema” de 2×1… talvez qndo sair a versão ocidental eu dê mais uma chance, me anime com seu review.

    Pegando o 2 é obrigatório jogar o 1 né? =/
    Essas aproximadas 50 horas é contando só o wkc2?

    • Vilela, é obrigatório ter clear data do 1, e são 50 contando o “pacote” todo (1+2). Mas, se você está realmente disposto a dar outra chance, espera sair o 2 pra jogar o primeiro episódio a partir dele, pois é bem melhor jogar com as novas mecânicas.

    • Obrigado, GameEstácio!

      Acredito que as análises negativas são de pessoas que jogaram apenas o primeiro (que é de fato ruim, além de incoimpleto) e depois pegam “de leve” no 2, ou menos nem pegam, no pior dos casos. É difícil de entender, e muito triste ver as pessoas não reconhecerem um bom jogo, não perceberem melhorias e mudanças tão visíveis.

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