[Consciência Gamer] Entre asnos e games

Escolhas, sempre tão difíceis, ou não. Mas, em se tratando de games, na maioria das vezes são bem complicadas – a não ser que você sejE um ISTA amaldiçoado, ou um cara que não gosta de câmera 3d, pois, teoricamente, esta perniciosa perspectiva acaba por estragar a diversão dos jogos… Um raciocínio deveras logomórfico… Mas, este assunto trata de asnos que, apesar das orelhas grandes, enfim…

Passadas as inúteis divagações do primeiro parágrafo, vamos ao que interessa: O que asnos tem a ver com videogame? A resposta é simples: Absolutamente nada. O retardado que vos fala – na verdade escreve, escrivinha – vem por meio desta, atestar que realizar escolhas são realmente difíceis, desde sempre, até hoje, inclusive quando a missão é escolher um simples e banal jogo de videogame.

Existe uma história, que surgiu de outra história, que deve ter sido contada pelo avô de alguém, há alguns séculos atrás, sobre um asno que morreu de fome por não saber qual fardo de feno (feno: aqueles matos quadrados de RDR) comer. A razão da dúvida mortal do asno é que ambos os fardos são igualmente saborosos e apetitosos. De acordo com o padre lá, o tal Buridan, esse burro não saberia valorar qual dos dois identicamente apetitosos fenos pegar, e ficaria em um movimento pendular uniforme até a morte por inanição.

Um exemplo de feno.

Hoje os games são numerosos demais, apetitosos demais, falados demais, e fáceis demais.

1)      A: “Se atirados ao céu ao mesmo tempo, tampariam o brilho do Sol”.

B: “Então jogaríamos na sombra”.

Não é como antes do século XXI, em que os games não eram tão numerosos, pois não havia tantos estúdios se degladiando por um lugar ao Sol na praia gamística. Hoje o número de softhouses é enorme, e o grau de especialização desses nerds mais nerds que os outros nerds chega a dar medo. São muitos games, muitos mesmo… Não é como na década de 1980 com aquele monte de joguinhos amadores, se for assim, temos que considerar também tudo quanto é jogo em flash (e os de Wii HÁ! Zueira)… Hoje a coisa é séria e profissionalíssima, com uma concorrência mais feroz que Tiamat.

"Curso de Games" da Bournemouth University na Inglaterra.

2)      Gostosinho, delícia!!!

Os games são bem feitos. Até os jogos considerados ruins, por vezes ainda são muito melhores que os que jogávamos antigamente e que nos traziam horas de diversão… Raros os games injogáveis, a grande maioria apresenta mais qualidades que defeitos, e quando você pega um jogo “ruim”, há grandes chances de você acabar gostando da coisa porque, no fim das contas, ele não é tão ruim assim.

Dark Messiah of Might & Magic, um jogo ruim, mas que não é tão ruim assim...

3)      Fazer fuxico, causar inveja: a boa índole faladeira do ser humano.

Outro fator determinante para esta vida louca que vivem os gamers atuais é a internet. As notícias sobre games que vinham em revistas mensais, quase sempre com edições precárias, hoje vêm através de grandes sites S.A. que tratam do assunto postando até vídeo-análises com narração de telejornal, comparações, medição de frame-rate, etc., tudo em prol do marketing sobre os jogos…

Porém, nada é pior que Facebook, Orkut e Twitter nesse aspecto. Nesses sites de relacionamento não são os editores apessoais de uma mega corporação que avaliam os jogos, mas seus amigos, conhecidos e colegas, que jogaram e disseram que é bom. E estamos falando de no mínimo dezenas e dezenas de opiniões falando de dezenas e dezenas de jogos que “você tem que jogar”.

4)      Fáceis como putas

Por CULPA da internet popularizada, de novo – que também é culpada por outras mazelas da humanidade, como a insubordinação do povo, a verdade sendo dita nua e crua, várias outras coisas indesejáveis – conseguir games é mais fácil que por fogo em mendigos dorminhocos (mentira, nunca ouvi falar de mendigo incendiado… isso é uma lenda urbana, mal contada, ainda). Se antes o povo do mundo em geral dependia de agentes pirateiros-comerciantes para ter acesso a monstruosidades como FFVII – que era miticamente gravado por máquinas fantásticas e caríssimas em incríveis 3 cds, chegando a ter mais de 1 gb – hoje, qualquer zé-mané baixa 8 gb de Dead Space 2 em dois palitos, e logo grava na sua ridata e bora jogar essa bagaça, com exclusividade temporária… E ainda posta um review antes do Game Spot, pra fechar com Boss Key, que é de ouro, logicamente.

É o Beco Diagonal...

Ou, se você prefere originais, nada que 200 conto não dê jeito pra você comprar uns 5 jogos promocionais da PlayAsia ou Shopto. É só passar o PayPal e 20 dias depois, você estará atolado em 5 jogos fódas lançados há 3 meses atrás, por cerca de 50 conto cada, chutando alto. Tudo bem que em 20 dias o pirateiro independente terá 50 jogos pra jogar em apenas 24 horas por dia de jogatina, mas tá fácil pra qualquer um, pirateiro ou não.

Conclusão

O que muitas vezes acaba ocorrendo, então? Você não joga nada. Pois são tantos jogos tão bons que você se vê, literalmente, obrigado a jogar, e a facilidade em consegui-los é tão grande que você, como um asno entre dois fenos, dois não, centenas de fenos, fica perdido, e acaba orneando um sonoro “PAREM O MUNDO QUE EU QUERO DESCER!!!!!!”.

Não, não… Eu exagerei… É lógico que jogamos nossos games, não somos asnos, conseguimos valorar a escolher, mas a verdade é que diante deste panorama, quase nunca jogamos com satisfação total. Sempre ficamos pensando na outra enquanto fazemos esta, por assim dizer… E isso atrapalha a diversão. Mas, este é o mundo em que vivemos, e não vamos ficar off-line só pra não ficar com a mente poluída de vontades intermináveis, mesmo porque, temos que saber qual será o próximo lançamento que será o GoTY dessa semana!

Obrigado por lerem!

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5 pensamentos sobre “[Consciência Gamer] Entre asnos e games

  1. Bem-vindo, Henrique!

    E curti muito o artigo! Concordo com ele também! Mas se parar pra pensar, nosso problema em escolher e se preocupar com jogos é tão coisa de desocupado que pqp auhehuaaeuaeuhe 😄 (e isso é mó paradoxal ao mesmo tempo, já que geralmente a gente se preocupa e escolhe pq não tem tempo o bastante para todos eles XP)

  2. Mas eu gasto horas e horas do meu dia pesquisando pq tenho pouco tempo pra jogar.

    Oh wait! …vou deletar meu orkut =X rs

    Mas falando sério, eu pelo menos não tenho muito tempo pra jogar (nao o tempo q eu queria ter. rs), então uma pesquisada é fundamental, pq jogos atraentes tem MUITOS, já foi duro escolher apenas um console nessa gen, é tb duro saber q estou perdendo muitos jogos bons só pq raramente ouço falar deles e a chuva de títulos “classe A” não pára. Em momentos q abri exceções joguei jogos “ruins” q me prenderam muito: Nier e Prince Of Persia FS por exemplo, q me presenteram com mais profundidade q muitos “GOTYs da última semana” q tem por aí.

    É a vida… [gamer], mas não me arrependo de nada. =]

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