[Consciência Gamer] O fanatismo dos jogadores e o acômodo das produtoras

Dragon Quest, Pokémon, Monster Hunter…o que há em comum entre esses jogos? O sucesso. Para as produtoras, a filosofia de mercado é simples e direta: em time que está ganhando não se mexe. Afinal, uma empresa de videogames é igual a qualquer outra, visa o lucro. Mas, e para os jogadores? Vale mesmo a pena comprar Pokémon Meteoro-transparente por ter mais 150 modelos de monstrinhos e um jogo com mecânicas e aspectos de décadas atrás?

Pokémon White/Black (DS) e suas melhorias – daqui quantas décadas virão as próximas?

O mercado de games já nos mostrou muitos casos de séries que abusaram da preferência e inteligência do consumidor e vem perdendo bastante força para continuar a dar lucros, como é o caso da franquia Tony Hawk. Já outras produtoras souberam frear idéias desgastadas antes que seja tarde demais, como no caso da série Bioshock (PS3, PC, 360), com ambientação completamente reformulada para o vindouro Infinite, ao contrário de Bioshock 2 (PS3, PC, 360), divisor de opiniões por reciclar a utópica Rapture, a cidade submersa que veio a se tornar o principal atrativo do primeiro jogo da série.

Bioshock 2 (PC, PS3, 360): Jogabilidade polida em um ambiente desgastado.

Outras empresas já apostam em manter um mesmo nome de sucesso para novas idéias, como é o caso da série Final Fantasy, onde cada jogo canônico é basicamente um reboot, resgatando apenas alguns aspectos que lembram o nome que o jogo carrega. Podendo dizer “antes tarde do que nunca”, há casos onde empresas dão reboot em suas séries em numerações avançadas, como, por exemplo, as séries Devil May Cry e Tomb Raider.

Um novo Dante, um novo Devil May Cry.

Mas, e as séries que pouco ou nada evoluem, mas fazem sempre um sucesso estrondoso? A série Dragon Quest, que possui 9 episódios em mais de 20 anos vem trazendo o mesmo universo, os mesmos sistemas, o mesmo design, o mesmo modelo artistico e as mesmas linhas de composições sonoras em prol da “nostalgia” e dos “fãs”. Mas a série realmente merece todo esse destaque, esse respeito e esse sucesso? Será que as missões e itens extras de Monster Hunter precisam necessariamente de um novo jogo, e não de uma simples expansão? Os monstrinhos de bolso serão preferência absoluta eternamente, mesmo com aspectos técnicos de duas, três gerações atrás?

Dragon Quest IX (DS): Projetado para ser action RPG, porém cancelado – ponto para os fanáticos, perda para os gamers.

Você, jogador, mesmo sendo fã de empresas e séries estagnadas, nunca imaginou inovações em jogos como esses, seja em aspectos técnicos, seja em conteúdo, ou até mesmo ousadia em arriscar coisas novas? Se sim, fica a pergunta: por que consumir, e não reivindicar? Por que incentivar a regressão dos jogos, se o que você quer não é isso? Mas, se a resposta é não, parabéns, pois está ajudando o mercado a ficar, a cada dia, com  mais e mais jogos “mais do mesmo”, mais e mais empresas que não dão mais seu suor para nos apresentar produtos de qualidade. A razão? Simples, em time que está ganhando não se mexe, e para times perdedores ou iniciantes, nada mais natural e fácil que se espelhar no “mais forte”.

E rezemos para que o protagonista de Dragon Quest X (Wii) seja um criador de ovelhas, e não um pescador.

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8 pensamentos sobre “[Consciência Gamer] O fanatismo dos jogadores e o acômodo das produtoras

  1. Eu penso muito nisso e lendo o artigo acabei me lembrando das franquias famosas da Nintendo. Super Mario aparenta ser mais do mesmo sempre, MAS realmente não é, cada jogo é único e todos eles têm a sua identidade, mesmo mudando bastante. Afinal, é só verificar o salto do 2D pro 3D (obviamente), mas então tivemos o arriscado Super Mario Sunshine e depois no Wii dois episódios de um estilo mais tradicional de Mario, nos Galaxy’s.

    Enfim, acho que a Nintendo consegue a mistura perfeita de mudança e tradição em suas séries que têm vários episódios, como se verifica em Super Mario e The Legend of Zelda, isto só para citar dois dos pilares mais importantes do mundo dos games.

    E bom texto, Tomio! 😀 É legal pra gente pensar no que a gente anda jogando e aceitando por aí.

    • Valeu, Neto XD

      Cara, acho os jogos da Nintendo (Mario, mais especificamente) da mesma categoria dos Final Fantasies, afinal, como você mesmo disse, eles mantém sua identidade em jogos bem distintos uns dos outros, então não há o que reclamar neles (tirando o desleixo que é a linha de jogos “Wii ***” do Wii, mas essa é outra história XD).

  2. Boa reflexão. Ultimamente venho ficando com muito medo desse mercado, os ultimos bons jogos q joguei não fizeram sucesso satisfatório pra suas desenvolvedoras. E os jogos mais badalados são geralmente nojentos pra mim, msm tentando experimenta-los, não dá p engolir quase nada do Wii, Kinect, move, multiplayers (FPSs então…)… Até a Platinum anda fazendo um jogo focado só em multiplayer (q é o q vende), justamente qndo tudo q eu esperava dela era uma SEQUENCIA de 2 dos jogos q me reanimaram como gamer em 2010: Bayonetta e Vanquish.

    Bem, 2011 tem tudo pra ser um ano espetacular, novas franquias nascendo, a onda de reboots q prometem salvar franquias desgastadas, The Last Guardian (tã-dãh! rs), e block busters de parar todo mundo gamer, vamos ver se os resultados serão do nível das expectativas e q resposta os consumidores darão pra tudo isso.

    • Também tô bem animado com esse ano! Só no começo temos Catherine, que promete ser um puzzle + suspense muito bom, e o Yakuza de zumbis, que por mais bizarro que seja, parece que vai ser bem divertido XD.

  3. Concordo com tudo que falou!
    As empresas estão de fato se acomodando com o que vende, sem pensar em fazer algo de qualidade e talvez mais do mesmo, pois sabe que vende e vai dar lucro… até que muitas tentaram seguir o rumo de outras. Por exemplo Call of Duty vende pra caralho, e tentaram fazer um Medal of Honor na mesma fórmula, mas foi um fail total.
    Enquanto isso jogos fodões, como Mirror’s Edge, que mereciam uma continuação bem trabalhada, mal vendeu e parou por aí.

  4. Eu discordo.

    A inovação é necessária no mundo dos gamers. “Francisco”, eu já gostei de você por causa do avatar do Dexter, mas você errou grotescamente ao falar que o GoTY 2009 (Mirror’s Edge) não vendeu. O jogo é absoluto, inovador, fantástico. Vendeu e vendeu muito, e ainda acho que terá uma continuação para a história.

    Também discordo do comentário sobre FPSs. Team Fortress 2, por exemplo, é um jogo muito divertido, e na verdade a ideia dos FPSs multiplayer é promover mais interação e diversão do que história e tals. Metas diferentes, e ambas funcionam. Veja também F.E.A.R., GoTY 2006 merecidíssimo. Ideais diferentes, entende?

    Acho que o “mais do mesmo” está em decadência. Alguns jogadores podem ser mais conservadores, mas isso não dá dinheiro para as empresas. É claro que alguns jogos vendem apenas pelo nome, caso do GoW III, mas em geral, não vale mais a pena. Os jogos estão em pleno bump, só que esse bump faz eles ficarem todos meio parecidos…

    Enfim, o texto está bem redigido, parabéns.

    • E ae Caio, obrigado pelo elogio.

      Sobre o “mais do mesmo” estar em decadência, bom, é algo meio complicado. As três séries que destaquei no texto, por exemplo, são “mais do mesmo” dentro de suas próprias franquias, mas vendem horrores. Sim, pordemos perceber que, ao longo dos tempos, as séries-clone estão cada vez mais empoeiradas nas prateleiras, mas também é inegável que essas mesmas séries-clone estão ocupando muito mais espaço no mercado ultimamente, vendendo ou não, fazendo com que pérolas que mereciam a devida atenção não brilhassem tanto (ou quase nada) nos olhos do consumidor. Séries boas sempre venderão pelo nome, mas a partir do momento em que as empresas se acomodam a essa situação, seja da forma que for, temos um problema.

      E vou entrar de metido no comentário para o Fran, mas vamos lá XP:

      Mirror’s Edge realmente está com planos pra uma continuação, mas também não vendeu “muito” como você disse. Lembro que teve uma matéria que a EA esperava que vendesse 3 milhões, e pelo que eu saiba o jogo sofreu para passar do primeiro milhão.

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