[Tomio’s Review] Yakuza 4

Nome: Yakuza 4
Produtora: SEGA
Gênero: Beat’em Up/Sandbox
Plataforma(s): Playstation 3
Versão analisada: Japonesa

Quarta lenda

Yakuza 4 (Ryu Ga Gotoku 4 no Japão) é o quarto jogo oficial, e o segundo para Playstation 3, da franquia que é considerada por muitos o sucessor espiritual de Shenmue, também da SEGA.

Quarto loop

Yakuza 4 se passa novamente na fictícia cidade de Kamuro, o local predileto dos bandidos e o cenário perfeito para muitos acontecimentos. Por óbvia consequência, quase todo o  conteúdo presente em Yakuza 3 foi reaproveitado nesse jogo. Apesar de existirem novos cenários e atividades, é inegável a sensação de dejà vu e inevitável o jogador tratar esse novo capítulo como um mero DLC por diversas vezes.

O jogo peca muito em aspectos tecnicos – texturas simples, iluminação básica, serrilhados, modelagens precárias, movimentação robótica. Itens que seriam aceitáveis apenas na geração passada estão presentes aos montes em Yakuza 4. Por outro lado, a ambientação e o design da cidade é muito bem trabalhada, com ruas movimentadas e construções distribuídas de tal maneira que às vezes é de se duvidar se aquela cidade é realmente inventada. Outro fator positivo são as cutscenes pré-renderizadas, onde apresentam cenas superiores em absolutamente tudo, desde texturas e modelagens à movimentação dos personagens, realizada por captura de movimentos de atores reais.

O trabalho sonoro também não é dos melhores. As músicas de Yakuza 4 não prendem, sendo várias delas reaproveitadas dos títulos anteriores, e quando não são, simplesmente são pouco inspiradas na maioria das vezes. Além disso, grande parte do jogo não é dublado. Em compensação, o som ambiente continua competente, passando bem a vida agitada da população na cidade, por exemplo.

Quatro lendas

Yakuza 4 retrata, dessa vez, a vida e o destino não apenas do eterno protagonista Kiryu Kazuma, como também de outros três personagens: Akiyama, um empresário que trabalha com empréstimos; Saejima, um foragido; e Tanimura, um detetive. Apesar da temática seca e pesada, Yakuza 4 consegue manter bem uma linha simples de narrativa, enquanto aposta mais nos pensamentos e sentimentos dos personagens no mundo do crime organizado. Como consequência, nasce uma faca de dois gumes: se por um lado a história fica fácil de entender, fica igualmente previsível muitos dos acontecimentos mostrados.

Certamente um dos pontos fortes de Yakuza 4 fica por conta dos personagens. Todos eles são extremamente bem trabalhados em termos de personalidade, fazendo o jogador se apegar rapidamente ao elenco e aos acontecimentos. As cenas recheadas de drama, com auxílio da dublagem impecável dos japoneses e das expressões faciais convincentes das cenas pré-renderizadas, isso tudo sem esconder violência, são motivos o bastante para acompanhar mais de perto um pouco da máfia da terra do sol nascente.

O jogo se divide em capítulos, sendo os primeiros dedicados exclusivamente para um personagem diferente. Infelizmente a idéia do jogo de carregar quatro protagonistas foi desperdiçada pelo enredo linear, pois só é possível escolher qual personagem usar pra prosseguir nas partes finais e em side quests, e mesmo assim, não altera em nada os acontecimentos mostrados.

O que Streets of Rage 4 queria ser

Yakuza 4 é dividido basicamente em dois modos de jogo: o de beat’em up, famoso estilo que carrega clássicos eternos como Final Fight e Golden Axe, e o sandbox, de GTA. Alternar entre os dois modos será necessário para o jogador não só prosseguir, mas também para se preparar melhor na hora de entrar em uma briga. É possível aproveitar o grande acervo de lojas e itens espalhados pela cidade para fortalecer o personagem com equipamentos e mantimentos.

A parte beat’em up e as batalhas de Yakuza 4 são as partes que mais brilham no jogo – o jogador conta com mecânicas e variações para fã de “briga de rua” nenhum botar defeito: combos, defesa, esquiva, agarrões, fugas, perseguições, golpear com itens coletados nas ruas e arremessos, que funcionam suave e perfeitamente. Além de tudo isso, é possível também realizar finalizações especiais, desde golpes poderosos de artes marciais a interações com o cenário, como “enterrar” a cabeça de um bandido contra uma parede, por exemplo. Tudo isso pode ser realizado de formas diferentes, dependendo do personagem utilizado/escolhido: cada um possui características e habilidades únicas, tornando as batalhas ainda mais variadas. Para finalizar, é possível também melhorar e ampliar o leque de habilidades dos personagens, realizando side-quests, aprendendo com NPCs ou “comprando” com experiência adquirida durante o jogo. O sistema de evolução agora ficou mais focado em adaptar os personagens aos jogadores, fazendo com que elementos como barra de energia e barra de Heat (necessária para os golpes especiais) crescam automaticamente ao subir níveis, deixando as opções de customização apenas em quais golpes ou técnicas aprender.

Os personagens se diferenciam não apenas no estilo de luta, como também no gameplay geral. Akiyama, por ter ajudado muita gente, frequentemente consegue ajuda de algum conhecido durante as batalhas. Tanimura recebe periodicamente sinais da central para resolver novos casos (side-quests). Já Saejima precisa passar despercebido dos policiais que perambulam a cidade, fugindo deles em casos extremos. Além disso, todos os personagens possuem quests distintas.

A violência explícita, com inimigos de cara estourada vomitando sangue e personagens fazendo com os inimigos o que uma criança não pode imitar com um amiguinho, certamente criará um sentimento de sadismo em alguns jogadores, motivo o suficiente para ser evitado por jogadores mais jovens e/ou com a cabeça mais fraca.

Explorando os quatro cantos

Conteúdo é, certamente, a primeira palavra encontrada no vocabulário de Yakuza 4. Além das 20 horas de main quest que o jogo proporciona, é possível explorar a cidade japonesa atrás de side quests, que variam desde ser treinador de um lutador de artes marciais a um empresário de acompanhante de bordel. Não só as side quests, como a cidade e outras localidades em si podem ser utilizadas para a diversão, como um Karaoke, campo de golfe, e cassinos. Não só a variedade como a qualidade das atividades são um ponto alto de Yakuza 4 – muitas delas são tão detalhadas e completas quanto um jogo dedicado a apenas isso.

Quatro queijos

Yakuza 4 traz aspectos de geração passada em sua parte técnica, mas é um jogo que ensina para muito “blockbuster” da geração o que faltam neles: mecânicas funcionais, simples e viciantes, conteúdo vasto e de qualidade, e um enredo que envolva através da simplicidade.

Nota: 8

Review de Yakuza: Dead Souls

Review de Yakuza 5

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10 pensamentos sobre “[Tomio’s Review] Yakuza 4

  1. Cara, esse jogo tem TANTA cara de old gen… sei lá, já tentei jogar, mas sei lá, tem muita cara de PS2… sem dublagem em tudo, bah… enfim, eu pretendo dar outra chance a Yakuza 4, tenho a Premium Edition aqui em casa, veio com trilha sonora e tudo…

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  5. Ótimo review Tomio!

    Nunca joguei nenhum Yakuza. Parece Shenmue? Dá aquela sensação ruim de vazio,sem nada pra fazer, que alguns sand-boxes dão?(como Saint Rows e Red Dead Redemption)

    • Obrigado, Roger!=D

      Olha, diria que a ambientação e alguns aspectos sandbox são semelhantes, mas no conjunto ele é bem distinto de Shenmue, principalmente nas batalhas.

      Não sou muito fã de sandboxes exatamente por essa sensação de “vazio”, mas Yakuza eu consigo jogar numa boa porque ele geralmente não possui um problema comum do gênero, que é o tempo “a toa” gasto entre uma missão e outra, dando pra jogar continuamente sem muitos intervalos. O conteúdo do jogo também é bem “real”, por entrar em lojas para almoçar, pra jogar em arcades, baseball, etc, então os extras além das side-quests são bem variadas.

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