[Tomio’s Review] Final Fantasy XIII

Nome: Final Fantasy XIII
Produtora: Square-Enix
Gênero: JRPG
Plataforma(s): Playstation 3, Xbox 360, PC
Versão analisada: Playstation 3, japonesa

Cristal novo

Final Fantasy XIII é o mais novo título de uma das séries de RPG mais famosas do mundo, além de ser também o título de estréia nos consoles de nova geração e o primeiro título da mais nova compilação criada pela Square-Enix: Fabula Nova Crystallis.

Novos velhos ares

Há sempre aquele fã que espera por inovações radicais, como as de Final Fantasy XII (Playstation 2), e aquele que espera por mais um clássico, literalmente. Final Fantasy XIII é, resumidamente, uma tentativa de agradar os dois lados.

Os gráficos estão ótimos para um RPG, ainda mais se considerando que o jogo é feito por japoneses, esses que até então mostraram poucos jogos com qualidade técnica de encher os olhos nessa geração. Os modelos são bem decentes, com movimentação bem suave (muito mais suave que muito blockbuster ocidental, diga-se de passagem) e com sincronismo labial e expressões faciais impressionantes, além da taxa de frames plenamente estável. Como de costume, as CGs estão presentes também nesse título, mais belas e impressionantes do que nunca.

A parte sonora é algo questionável. Apesar de belas composições (algumas orquestradas), não se percebe muito som ambiente, e as melodias são frequentemente recicladas em várias partes do jogo, seja com a exata mesma música ou com uma leve remixada. O trabalho de dublagem dos japoneses, para variar, é impecável, e para quem acompanha filmes e animes japoneses, vai logo reconhecer alguns atores.

Narrador envergonhado

Final Fantasy XIII apresenta uma proposta simples de enredo, que vai desde história simplória a narrativa menos dramática e mais direta. Simplicidade e pobreza nesse jogo são palavras distintas, pois Final Fantasy XIII apresenta um universo rico em detalhes históricos, que, infelizmente, necessitam da boa vontade do jogador ir atrás lendo textos de menus e telas de loadings.

O jogo conta também com personagens igualmente simples, mas que se envolvem e desenvolvem de forma satisfatória ao decorrer da trama. Infelizmente a profundidade deles não pode ser avaliada igualmente de forma positiva, pois são poucos os personagens que causam impacto, ou mesmo possuem algum carisma.

Call of Fantasy

Para quem gosta de desafio, Final Fantasy XIII é um prato cheio, pois o jogo é difícil, mais especificamente em sua metade final. Não a ponto de ser injogável, pois possui mecânicas amigáveis para quem está apanhando muito, como deixar a ATB mais lenta, encher o HP da party após o término de cada luta, recomeçar uma luta para reconfigurar suas estratégias e equipamentos, possiblidade de retry se levar um game over em uma luta, potion que cura a party toda, shops acessiveis em qualquer save point e até mesmo pular cutscenes já vistas. Mas é evidente, o jogo exige que o jogador faça proveito de todas as funções estratégias e evolutivas para poder prosseguir, principalmente em partes mais avançadas, e as batalhas, mesmo com inimigos normais, vão ficando cada vez mais demoradas e complicadas.

Para o sistema de evolução foi apresentado o Crystarium, que pode ser considerado uma evolução da sphere grid, de Final Fantasy X (Playstation 2). Ao terminar batalhas, o jogador ganha CP, e com CP é possível “comprar” habilidades ou status na crystarium. O crystarium possui divisões chamadas “Roles”, que equivalem a jobs de outros Final Fantasies. Ao contrário de outras edições, o jogador nunca terá personagens-clone na sua party; cada crystaruim possui seu próprio set de habilidades e status, fazendo que cada personagem seja único.

O jogo exclui MP e alguns status como velocidade e defesa, dando lugar a inúmeras skills passivas, que embora amplie a visão estratégica do jogo, limita os recursos evolutivos do jogador.

O jogo também possibilita, além da evolução de personagens, a evolução dos equipamentos. Derrotando inimigos e abrindo baús o jogador adquire materiais. Os materias, além de serem a única fonte de dinheiro do jogo (além dos contidos em baús) servem também para melhorar o desempenho de suas armas e acessórios, e até mesmo evoluí-las para versões mais poderosas quando alcançado certo nível. Infelizmente os materiais não possuem skills ou propriedades únicas, ficando limitados apenas a quantidade de experiência que concedem às armas.

As batalhas são em turnos sem a possibilidade de mover os personagens, mas logo de cara é possível notar várias mudanças e adições em relação ao estilo clássico, a começar pela interação mais realista entre personagem e espaço. Por exemplo, magias de área de nada adiantarão se os inimigos em volta do alvo forem para fora do alcance, significando um adeus aos golpes “teleguiados” e esquivas na base da sorte de antigamente. Além disso, alguns golpes/magias podem tirar inimigos terrestres do chão, fazendo-os pairar no ar. Com isso as ações do alvo em questão são canceladas e ele fica impossibilitado de fazer qualquer ação, até que volte em terra firme novamente.

No lugar dos limit breaks clássicos, há o Stagger System. Cada inimigo possui sua barra (os personagens também), que vai enchendo gradativamente a cada ataque. A porcentagem mostrada na barra significa a quantidade de dano que o personagem pode desferir, e quando a barra fica cheia, a porcentagem aumenta consideravelmente, cancelando a ação do alvo e deixando-o vulnerável a combos aéreos e status negativos por tempo determinado. Certos inimigos inclusive sofrem alterações consideráveis em sua formação e status. Ao longo do jogo, esse sistema será o melhor amigo do jogador para danos consideráveis, e algumas vezes até a chave para sobreviver em certas batalhas.

Infelizmente não há opção para customizar a inteligência artificial da party, tampouco controlá-los manualmente. É evidente que, com o dinamismo das batalhas, controlar 2, 3 personagens manualmente deixaria o jogador no mínimo pirado, mas ter a opção nunca seria demais, pois há sempre um masoquista de plantão. Em compensação a IA é ótima. Tem sim algumas falhas e faz certas besteiras de vez em quando, mas nunca deixa o jogador na mão. O jogo também peca na falta de opção de trocar de líder durante a batalha, fazendo o jogador levar um simples e direto Game Over se o personagem controlado morrer.

As summons do jogo são similares as de Final Fantasy XII (Playstation 2), pois quando chamadas, o personagem fica sozinho com a summon em questão, com energia própria e em sua forma humanóide, que é controlado pelo computador por tempo limitado. Cada summon possui sua forma humanóide e sua forma máquina, essa última podendo ser ativada e controlada pelo jogador, com tempo determinado de acordo com o desempenho da primeira forma na luta. Após toda sua participação, a summon desfere seu ataque final que causa dano em todos os inimigos da tela (que, inclusive, pode ser utilizado antes da summon sair de cena). Parece soberbo, mas as summons possuem o mesmo problema que a maioria das summons de outros Final Fantasies possuem: são fracas, principalmente em partes mais avançadas do jogo. Em compensação, summons podem ser usadas como “escudos” para ataques mortais e momentos críticos, pois elas ressussitam e curam todos os membros da party incondicionalmente.

Para as estratégias, Final Fantasy XIII apresenta o Paradigm System. Um paradigm consiste em um set em que o jogador deixa cada um da party num role específico para o momento certo da luta. Por exemplo, é possível ter um set com três atacando, outro com três causando status negativos, e assim por diante.

Todos esses sistemas, no entanto, são utilizados pelo jogador para percorrer intermináveis corredores, verdadeiras sessões de tortura onde a jogatina se resume a batalhas, andar para frente e ver cenas por dezenas de horas, até finalmente o jogador ter acesso a áreas um pouco mais amplas e mais controle sobre onde quer ir.

Muitos podem relacionar a extrema linearidade ao enredo do jogo, que até certo ponto justifica esse design. Entretanto, é preciso lembrar que existem muitos outros jogos, inclusive RPGs, que utilizam os mesmos temas apresentados por Final Fantasy XIII, mas nem por isso são entediantes, repetitivos ou rasos, pois utilizam-se de pequenas e simples, mas boas idéias para driblar as barreiras das histórias e garantir um bom conteúdo ao jogador. Se um jogo obriga uma maratona de quase 20 horas de repetição como o jogo da Square-Enix, é preciso, antes mesmo de aplicar boas idéias, revisar o enredo e o tempo de progressão, pois o que importa, no final das contas, é o gameplay.

Side quest? É de comer?

Final Fantasy XIII sofre das citadas falta de liberdade e exploração em sua primeira metade de jogo, além da total  falta de puzzles e minigames. O jogo não possui um único momento onde o jogador precisa usar o cérebro fora das estratégias de luta, dando lugar a longas e excessivas dungeons.

Além disso, Final Fantasy XIII carece de side quests. Apesar do principal extra ser bem extenso e abrir outras pequenas quests e funcionalidades, é inegavel que, no final das contas, tudo se resume a batalhas. Para caçadores de conteúdo opcional, restam os troféus/conquistas, abrir todos os baús e o bestiary.

Outra novidade negativa fica por conta da ausência da possibilidade de backtracking em certos locais do game. Para quem gosta de completar o bestiary ou caçar todos os baús do jogo é preciso tomar muito cuidado nesse aspecto. Felizmente, no jogo não existe nada importante que seja temporário ou que se fizer alguma besteira é perdido para sempre.

F de Fail?

Final Fantasy XIII é um título que envelhece muito, e da pior forma possível. O jogo engana a muitos pela sua demora para ser lançado, pelo seu nome e pela sua beleza no começo, mas cedo ou tarde mostra sua verdadeira face: um jogo de 50 horas extremamente repetitivas, com o melhor da história em forma de textos em menus, personagens fracos e extras escassos, e os que existem, são igualmente repetitivos.

Nota: 6

Review de Final Fantasy IX

Review de Final Fantasy XIII-2

Anúncios

18 pensamentos sobre “[Tomio’s Review] Final Fantasy XIII

  1. Pingback: [Consciência Gamer] Games: Um futuro promissor ou perdido? « Jogador Pensante

  2. Pingback: [Consciência Gamer] O fanatismo dos jogadores e o acômodo das produtoras « Jogador Pensante

  3. Pingback: [Epoch - The Time Machine] Final Fantasy IX « Jogador Pensante

  4. Que review raso e parcial.
    Sou fã da série Final Fantasy desde o seu surgimento, e os meus FF’s favoritos são o IV,o VI, o Tatics e o VIII.
    O Final Fantasy IX no qual você de uma nota elevadissíma, pra mim foi um dos FF mais sem graça de toda a franquia.

    O FFXIII possui o melhor cast de personagens jogáveis, sendo comparados com o cast do VI.
    A profundidade dos personagens é incrível. E como os personagens não possuem carisma?
    A Lightning não possui personalidade? Você acha que uma soldier vai ser “sugar and rainbows”? E o Sazh, vai me dizer que ele não tem uma história e personalidade profundas? E o Hope, vai me dizer que você não comportaria que nem ele, caso passasse pela mesma situação aos 15 anos de idade?

    O enredo de FFXIII, assim como os seus personagens; são extremamente complexas. Mas é um game que você tem que parar e refletir pra imergir a história. É uma game que começa no meio do caminho (leia o livro oficial da Square Enix que mostra de forma densa o que ocorreu antes do XIII dia. FFXIII: Episode 0).

    A única coisa que falta no FFXIII em relação a personagens e enredo, é somente um vilão detestável/admirável!

    E há certas armas que possuem skills únicas de acordo com o lvl dela.
    E há limit break (em forma de técnica) sim., é só você chegar no lvl 5 do role principal de cada personagem. o stagger tem nada a ver com substituição de limit break.
    E há magias e itens de rapidez(haste) e proteção(protect).

    O FFXIII é extremamente linear, mas em Gran Pulse tudo muda.
    As side quests não são muito variadas (o único mini game que tem é o do Chocobo), mas elas são de longa duração. Em média 20 horas para se completar tudo.
    E ainda você vem me dizer que é fraca? Você queria o card game do IX, né?

    Assim como a trilha sonora. Eu amei a trilha sonora composta pelo Masashi Hamauzo. Mas se não for o Nobuo Uematsu, daí não tem graça né?
    Para de ser saudosista, você tem direito a criticar um game como quiser, todavia não faça um review cheio de equívocos.
    Pra quem da nota 6 no FFXIII, porém da 8 no Ar Tonelico: Quoga; alguma coisa ele tem.

    Aprenda a fazer melhores reviews.
    A Game Rankings avaliou FFXIII com média 8,5.
    http://www.gamerankings.com/ps3/928790-final-fantasy-xiii/index.html

    a Gamespot 8,5 e a IGN 8,9.

    Até o site brasileiro Final Boss deu nota 9,0.
    Ou seja, o teu review é raso e inconciso.

    • Olá amigo.

      Cada um joga, sente e interpreta da forma que for. Não existiria reviews se todos compartilhassem da mesma opinião, concorda? Isso é o que eu vi depois de zerar duas vezes, uma delas fazendo quase 100% (quase, pois o PS3 deu YLoD e perdi o save), feito que necessita de dezenas de horas matando adamantoises. Divertidíssimo extra, não acha?

      Leu o que eu escrevi sobre os jogos com notas superiores? Ou melhor: Jogou esses jogos? Jogou o próprio Final Fantasy XIII? Ou está se baseando puramente em notas? Pois seu comentário está cheio de achismo e opiniões pessoais, uma atitude no mínimo curiosa de alguém que quer criticar negativamente a opinião de outra pessoa, não acha?

      Não sou apenas fã de Final Fantasy como também de JRPGs em geral, avalio os jogos de acordo com o que representam em sua época e das capacidades do console em que eles funcionam, e FFXIII definitivamente não é o melhor que existe nessa geração. Mais uma vez pergunto: jogou algum outro JRPG dessa geração? Jogou o próprio Final Fantasy XIII?

      Aprenda uma coisa, amigo: Não é só porque sites “especializados” dão nota acima de “xis” que precisamos seguí-los a risca, e sites independentes como aqui precisam imitá-los. Não tenho patrocínio do jogo avaliado, e outra, é preciso saber quando um jogo está ruim para que o mesmo melhore em continuações, ainda mais se o caso é uma série que amo tanto como Final Fantasy XIII. Tanto é que o vindouro Final Fantasy XIII-2 eu tenho bastante entusiasmo pelos produtores terem declarado que ouviram TODAS as reclamações dos fãs e não cometerão todos os erros novamente. Se, de acordo com você, o jogo é tão excelente, por que os produtores se dariam a esse trabalho? Pense a respeito.

      Não que tenha a ver, mas também espero muito o Type Zero (aka Agito XIII), já que tem a equipe de 3rd Birthday envolvida. Se tiver um PSP e curtiu Parasite Eve não deixa de experimentar, um dos melhores jogos do portátil.

      Enfim, se tiver tempo, dá uma olhada no resto do blog, de repente encontra algo de seu agrado, já que não tem conteúdo só meu aqui. Será sempre bem-vindo.

      • Eu concordo com o dono do reviw. O ff 13 tem F de Fummm, e F de fracasso. A unica coisa que o salva sao os belissimos graficos, isso é inquestionavel. A historia é insossa demais, e andar por corredores por mais de 12 horas, foi a maior desgraça da minha vida, pensei em desistir dele, pq nao suportava mais: andar, bater, andar, bater, e game over, continua do mesmo lugar; credo.
        Quanto a FF IX, é a coisa mais linda em termo de RPG que ja vi, ele e FFVII sao os melhores. Nao da pra negar que ali tem historia, liberdade e muita coisa extra pra fazer, ate hj nunca peguei a Scalibur II, e eu tentei com o truque de abrir a tampa do ps1 e cortar as cgs.
        Nao levo a menor fé em ffxiii-2, mas jogarei ainda assim so para ter a curiosidade de me decpcionar ou me surpreender, veremos. Aos que defendem FF XIII nao conhecem a serie e o poder de imersao que ela tinha, hj me parece um game feito para americanos e focado em vendas, nada mais. A serie vem decaindo a anos, desde FFX, que foi excelente. O FF XII foi fraco, parecia mais Star Wars, mas…ainda foi legal jogar, cansativo – odeio o cristal de Geruvegan.

  5. Jogador Pensante: Acredito que jogamos FFXIII’s diferentes, não é possível. O que eu joguei, tinha personagens infantis e idiotas, como o Snow e Hope. Personagens rasos assim como os extras do jogo, que se resumem a matar milhares de Adamantoises, e fazer meia dúzia de Side Quests que realmente valem a pena, entre dezenas. A falta de backtracking é lamentável, pois as Plains mais parecem um Hub World (Super Mario LIKE) do que um mapa de jRPG. O jogo é vazio, automátizado de maneira excessiva, e a história só serve pra chatear o jogador.
    Concordo com o Tomio de todas as formas, e faria melhor, daria nota 5, infelizmente, é isso o que esse jogo vale. É sem dúvidas o pior da série ao lado da aberração FFX-2.

  6. Pingback: [Tomio's Review] Tales of Xillia « Jogador Pensante

  7. Pingback: [Tomio's Review] Final Fantasy Type-0 « Jogador Pensante

  8. Pingback: [Tomio's Review] Final Fantasy XIII-2 « Jogador Pensante

  9. Pingback: Review – Final Fantasy XIII-2 | Nerdice

  10. Pingback: [Consciência Gamer] Agni’s Philosophy – A nova novela das 8 « Jogador Pensante

  11. Pingback: [Tomio's Review] Tales of Xillia 2 « Jogador Pensante

  12. Eu estou no capítulo 11 com a Fang e Vanille,eu n consigo passar do BOSS Eidolon,pra mim está impossível,n está diminuindo,ou dando vantagens para eu passar desta parte,eu já tentei diversas vezes

  13. Pingback: Final Fantasy Type-0 HD tem data de lançamento marcada | Player 2

  14. Pingback: Confira trailer de Final Fantasy Type-0 HD | Player 2

  15. “Que review raso e parcial.”

    Você também não parece muito imparcial expressando seu ponto de vista e mostrando sua tendência dolorosamente óbvia pra esse jogo.

    Mas parece que parcialidade só é ruim quando convém, né amigo? 😛

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s