[Tomio’s Review] The 3rd Birthday

Nome: The 3rd Birthday
Produtora: Square-Enix
Gênero: Tiro em terceira pessoa
Plataforma(s): Playstation Portable
Versão analisada: Japonesa

Terceiro natal

The 3rd Birthday conta com mais uma aventura de Aya Brea, protagonista da série Parasite Eve (Playstation 1) nesta nova IP criada pela Square-Enix, podendo ser considerado tanto como um sucessor espiritual como um reboot para o survival horror mitocondríaco.

Redenção

The 3rd Birthday certamente fará os jogadores ficarem impressionados com seu conteúdo, desde gameplay a aspectos técnicos.

O jogo é atualmente um dos mais bonitos já feitos para o portátil da Sony, com ótimas texturas, iluminação, detalhes de cenários, personagens e movimentação, além das expressões faciais muito bem feitas. O trabalho sonoro também não perde em nada, com um ótimo trabalho de dublagem, som ambiente e efeitos sonoros/grunidos de arrepiar, além da trilha sonora com clima de suspense, tradicional de Parasite Eve.

Os controles do jogo também foram muito bem introduzidos, ainda mais se for considerado a ausência de uma segunda alavanca analógica para a câmera, fazendo com que a ação intensa ocorra de forma fluida e funcional na grande maioria das vezes.

O fantasma que assombrava a grande maioria dos jogos da S-E para portáteis finalmente partiu dessa pra melhor, deixando para o jogador um produto de conteúdo e mecânicas sólidas, variadas, envolventes e desafiadoras, ao contrário dos convencionais jogos de mini-games e mini-missões com nomes famosos que a empresa costumava empurrar goela abaixo através do DS e do PSP.

“O medo é um sentimento dos vivos”

The 3rd Birthday busca novamente a atmosfera noir/filme de terror B (ou trash), utilizada em Parasite Eve 1 e deixada um pouco de lado em Parasite Eve 2, passando através de cenas, músicas e personagens o peso das situações em que Aya se encontra. A protagonista também foi refeita com base no primeiro jogo, fazendo com que o jogador encontre uma mulher mais humana em seu modo de agir e pensar.

O jogo conta também com a utilização de personagens que já apareceram na série anterior, como Eve, Maeda e Kyle, alguns com funcões parecidas com a dos jogos anteriores, outros aproveitando apenas as aparências e/ou nomes.

Já o enredo não pode ser considerado um ponto forte do jogo. The 3rd Birthday conta com bons personagens e uma boa história (inclusive com um final surpreendente e emocionante) mas peca muito em narrativa, fazendo o jogador ir buscar informações sobre os acontecimentos e personagens em textos disponíveis entre um capítulo e outro, se quiser entender direito o que se passa nas cutscenes.

Academia mental

Seguindo o espírito de Parasite Eve 2, The 3rd Birthday é mais focado em ação, mais especificamente um TPS (tiro em terceira pessoa) com boas doses de RPG no quesito evolução e RTS (estratégia em tempo real) na hora dos combates, além de um desafio bem elevado. O jogo não só conta com um tiroteio completo em recursos como granadas, recarregamento, cover e esquiva, como também carrega um sistema de posicionamento de tropas para as diversas situações que o jogador precisará encarar para sair vivo. A troca de unidade é feita a partir do OverDive, um sistema onde Aya entra na mente do soldado, civil ou até mesmo no inimigo (para causar dano). Além do OverDive, é possível usar o Liberation, um modo bem similar ao famoso “bullet time” de outros jogos de tiro, fazendo Aya ficar poderosa e rápida por um período de tempo. Com o posicionamento correto de soldados, é possível realizar o Cross Fire, bastanto Aya carregar a mira e ordenar o um ataque massivo em um único inimigo.

Dificuldade é certamente um dos pontos em destaque no jogo. O jogador se verá diversas vezes em momentos críticos e beirando o impossível, exigindo não só coordenação e reflexos na hora da ação, como também raciocínio lógico rápido para armar estratégias eficientes nas mais variadas situações e inimigos que o jogo proporciona. Além de inimigos comuns, há também lutas contra chefões, que são em sua grande maioria enormes e com uma forma específica de matar.

O sistema de armamento e evolução também levou bastante atenção, resultando em mecânicas completas e bem amplas, possibilitando inúmeras combinações de arsenal e células para situações diferentes. O sistema de armas conta com uma grande variedade de equipamentos, desde pistolas e rifles até a armas especiais a laser, que podem ser liberadas em intervalos dentro das missões, comprando com pontos adquiridos com a morte de inimigos e no fim de cada capítulo. Mas não basta apenas comprar, pois antes é preciso liberá-las no shop, possível apenas dando OverDive em civis/soldados com essas armas, e depois subir a perícia com a categoria da arma comprada, que vai aumentando o nível se uma arma de mesma categoria é utilizada frequentemente. Além de comprar a arma em si, é possível também comprar upgrades para aumentar diversos atributos, como capacidade de munição ou dano causado por tiro. Além das armas, existem também roupas extras, que aumentam a defesa e mudam o visual de Aya. Ao tomar dano, a heroína perde partes de sua vestimenta. Portar armas poderosas e mudar o visual de Aya é de fato muito interessante e de muita ajuda, mas é, no mínimo hilário, levando em conta que a heroína não passa de uma presença psicológica no campo de batalha.

Já no sistema de evolução, o jogador vai brincar, literalmente, com o DNA de Aya, modificando geneticamente suas células misturando ou substituindo com outras conseguidas durante as fases, com Overdive em pessoas ou derrotando inimigos.

Com esse sistema, é possível liberar uma série de habilidades para a heroína, desde skills passivas como defesa extra a skills com chances de ativação como uma de recarregar a munição. Todas essas habilidades podem ser acumuladas, tanto para aumento de eficiência como aumento de chance de ativação. Ao avançar, o jogador pode criar outros sets de células modificadas para cada tipo de situação, mas infelizmente as skills já utilizadas não podem mais ser reaproveitadas, fazendo quem joga pensar bem aonde e como vai usar cada célula que possui.

Três anos em oito horas

The 3rd Birthday tem uma média de 8 horas de duração se jogado na dificuldade média e sem se preocupar muito com exploração. Além da campanha principal, é possível refazer as missões antigas para subir de nível e destravar novas armas, cumprir requisitos especiais para ganhar pontos bônus e aumentar o ranking que aparece no término de cada capítulo, e recomeçar o jogo em níveis mais difíceis para liberar mais roupas, vídeos inéditos e armas especiais, além de cheat codes que o próprio jogo libera. Apesar da garantia de dezenas de horas de jogatina, infelizmente não há nenhum tipo de modo multiplayer, o que cairia bem para quem procura testar suas habilidades com outras pessoas ou até mesmo para se aventurar com os amigos em um modo coop.

Retorno triunfal

The 3rd Birthday pode ser considerado facilmente um dos melhores jogos já lançados para o PSP, e um possível retorno triunfal da Square-Enix depois de tantos fracassos e jogos medianos que a empresa têm apresentado. Apesar de pecar um pouco em narrativa e a ausência de um modo multiplayer, o jogo compensa, e muito, com todo o resto do conteúdo, desde sua atmosfera obscura que não censura violência à seu gameplay completo e desafiador.

Nota: 9,5

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4 pensamentos sobre “[Tomio’s Review] The 3rd Birthday

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