[Neto’s Review] Enslaved: Odyssey to the west

“If I die, you die.”

Capa do jogo

ENREDO

Pós-apocalipse. Um tema desafiador a se tratar em um videogame, visto que tantos jogos já trataram disso. Nesta geração certamente Fallout 3 é o expoente máximo de um mundo pós-apocalíptico. E eis que em 2010 surge Enslaved: Odyssey to the west, inspirado no clássico chinês Jornada para o oeste.

O jogo trata basicamente da odisséia vivida por Monkey e Trip, dois sobreviventes de um acidente de um avião que os levava até o local onde seriam escravizados. O jogador controlará Monkey, que é um personagem solitário e que não gosta muito de falar de seu passado. Logo após a queda do avião, ele é escravizado por Trip, através de uma espécie de capacete, chamado de Headband que é conectado diretamente no cérebro do personagem.

O headband

O objetivo da garota com isso é ter alguém que lhe proteja na sua jornada de volta para casa, sendo esta a única maneira encontrada para que Monkey aceite a empreitada. Obviamente isso desagrada muito o protagonista, mas se sente forçado a ajudar, pois se Trip morrer, ele também morre.

Basicamente o enredo do jogo não é muito complexo, é apenas uma narrativa da viagem dos dois, mas mostra muito bem como o relacionamento de ambos cresce, ao ponto do headband ser um mero acessório , visto que Monkey desenvolve um sentimento protetor por Trip. Mas a simplicidade da aventura não deve desanimar o jogador, pois o jogo possui frases de efeito marcantes, tanto de Monkey quanto de Trip e a atuação de ambos é primorosa. É como ver a um filme de ação descompromissado.

Monkey e Trip, os personagens principais do jogo

O jogo é dividido em capítulos e possui um epílogo, sendo este último somente a cut-scene final do jogo. E, caro jogador, que cut-scene. Só ela vale todo o jogo, acredite.

 

JOGABILIDADE

O jogo se porta como um adventure. Monkey é um personagem bastante forte e possui um bastão, que serve tanto para ataques corpo-a-corpo quanto para ataques a longa distância.

O combate corpo-a-corpo é simples, mas a movimentação de Monkey é um pouco estranha e lenta algumas vezes e o há horas em que o controle não responde perfeitamente. Há basicamente dois tipos de ataques, um mais forte e um mais rápido e fraco. O jogador também pode dar um ataque carregado, quebrando escudos e defesas inimigas. Existe um botão de defesa, mas não há muita utilidade para ela, pois é mais fácil usar a esquiva do que tentar defender. E os ataques também não possuem muitas combinações, tornando o jogo basicamente uma alternância entre os botões de ataque.

Combate corpo-a-corpo

Ataques de longa distância faz o jogador entrar em um modo Third Person Shooter, com uma mira na tela e utilizando-se o analógico direito para movimentá-la. São dois os tipos de tiro: um para causar dano no inimigo e outro para deixá-lo atordoado ou quebrar escudos. É muito importante que o jogador domine o modo de tiro do jogo, pois há diversos inimigos que ficam atirando em Monkey de longe, e muitos deles possuem escudos, tendo o jogador que alternar entre o tiro que atordoa e o que causa dano. E para evitar este tipo de dano, o jogador pode pedir a Trip para realizar uma distração holográfica, tirando a atenção dos atiradores de Monkey e atraindo-a para o holograma.

Ataque de longa distância

Monkey também possui um escudo, que se carrega automaticamente e serve para defendê-lo de balas desferidas pelos inimigos. Uma vez que o escudo foi descarregado, a vida do personagem começa a ser drenada.

A interação com Trip é extremamente importante, pois ela funciona como um cérebro do jogo e é quem executa os upgrades no equipamento de Monkey. Trip pode dar novas habilidades de combate ao jogador, aumentar o poder dos tiros, a quantidade de balas (plasma) possíveis de serem carregados, dar um escudo mais duradouro, aumentar o nível de vida, entre outros. Tudo isso através de Tech Orbs, que são coletados aleatoriamente através dos cenários e após derrotar inimigos.

Trip é o cérebro do jogo

Por várias vezes, Trip encontrar-se-á presa em algum local, não podendo avançar devido a, por exemplo, um pulo que ela não consegue realizar sozinha. O jogador deve, então, arremessá-la para as plataformas, levá-la nas costas em diversas partes, entre outros. Isto é muito interessante, pois percebe-se que o nível de afetividade dos dois vai crescendo conforme o enredo e este tipo de interação consegue mostrar bem isso.

O jogo apresenta alguns puzzles que dependem da interação com Trip. Nada complicado nem complexo. Tudo bastante simples, mas divertido, apesar de tudo. Estes são os momentos onde o jogador controla o que a garota deve ou não fazer, pedindo-a para ativar botões, puxar alavancas, avançar pelas plataformas, entre outros.

A parte platformer do jogo é bastante automática, principalmente no início do jogo. Após o meio deste, porém, torna-se mais precisa, tendo as plataformas perigos como labaredas de fogo sendo jorradas próximas ou pedaços gigantescos de máquinas atrapalhando a passagem de Monkey e sendo fatal muitas vezes.

Momento platformer

As batalhas contra chefes merecem destaque, pois são bastante estratégicas e os ataques deles são bastante fortes, drenando rapidamente a vida do jogador descuidado. Em várias batalhas desta o jogador deve usar um dispositivo de Monkey chamado Cloud, que é uma espécie de disco flutuante, um acessório bastante rápido e que permite uma movimentação mais livre. É uma pena que os momentos de se usar tal dispositivo sejam sempre pré-definidos e o jogador não tem liberdade de usá-lo a qualquer hora.

Monkey surfando na Cloud

SOM

O trabalho musical composto por Nitin Sawhney é um trabalho primoroso. As músicas orquestradas funcionam bem com os diversos climas dos diferentes momentos do jogo, principalmente nos momentos de tensão do jogo. O destaque musical, incrivelmente, vai para a música que toca nos créditos do jogo, após o final inesperado: No Death in Love, executada por Nitin Sawhney e cantada por Tina Grace.

(Rhino Chase, música do jogo)

A dublagem também funciona muito bem, as vozes condizem com os personagens e com os momentos, transparecendo os sentimentos de desespero, emoção e afins deles. Aliás, transparecer a emoção dos personagens é uma das especialidades de Enslaved: Odyssey to the west.

 

GRÁFICOS

A arte do jogo é certamente bonita, muito rica em cores. Mas o jogo é bastante instável e divide momentos de beleza extrema com texturas feias em diversas partes. Na versão jogada para a realização deste review foi a de PS3 e percebeu-se muitas vezes o personagem entrando dentro do cenário. Não que seja algo a ser destacado, mas ocorre muitas vezes durante a aventura toda.

Como dito anteriormente, a especialidade de Enslaved é transparecer a emoção dos personagens e isso se reflete muito nas expressões faciais dos personagens. Certamente este é o destaque do jogo em relação aos gráficos, e as expressões são uma das melhores da geração e são dignas de aplauso.

Expressão facial de Monkey

VEREDITO

Enslaved: Odyssey to the west tem um início lento e até mesmo desanimador, mas vai se provando um excelente jogo conforme vai se desenrolando. A movimentação de Monkey é um pouco estranha de início, mas com o tempo pega-se a prática. O trabalho sonoro certamente poderia ser melhor aproveitado, pois em vários momentos o som é somente o ambiente, sendo as músicas somente para climatizar momentos de batalha ou de fuga. Os gráficos são satisfatórios e os cenários às vezes impressionam, mas em geral são bastante simples perto de outros gigantes da geração, enquanto que o trabalho de expressão facial certamente deixa o jogador de boca aberta tamanho a perfeição com que foi executado.

Monkey e Trip

NOTAS

ENREDO: 9,0/10,0

JOGABILIDADE: 7,5/10,0

SOM: 8,0/10,0

GRÁFICOS: 8,0/10,0 + 1,0 pelo incrível trabalho com as expressões faciais e captação de movimento dos personagens = 9,0/10,0

NOTA FINAL: 8,2/10,0

 

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