[Consciência Gamer] Videogames, entretenimento e o preconceito do jogador

Com o caráter cinematográfico da geração atual, muito se discute sobre o que é videogame e o que não é. Por exemplo, muito se vê jogadores mundo afora se perguntando se um jogo que limita seu gameplay devido a buscar seguir o enredo do mesmo. Claro que apenas se fazer o questionamento não é o problema essencial. Mas, primeiramente, o que é videogame?

Videogame hoje passou a barreira do meramente diversão, do “passa-tempo”. Hoje videogame é levado a sério e é, acima de tudo, entretenimento. Entenda-se por entretenimento tudo aquilo que busca entreter quem tem acesso a ele. Hoje temos vários tipos de entretenimento, como por exemplo:

– A música, que não possui tanta interatividade, mas que, de alguma forma, muito contagia quem a ouve;

– O filme, que entretém quem o assiste, utilizando-se principalmente do conteúdo visual, através de efeitos especiais e de um enredo sólido (dependendo da proposta, claro);

– O jogo comum, como os de tabuleiro, onde enredo não existe (trata-se aqui de jogos como xadrez, damas, gamão, e não RPG), onde a interatividade é o maior trunfo, proporcionando diversão e desenvolvimento de lógica, etc;

– O livro, onde o enredo é a principal forma de se entreter quem o lê, fazendo-o utilizar a imaginação para criar tudo aquilo que o livro quer passar.

Tendo estes exemplos em mente, nota-se que o videogame tem o poder de juntar dentro de si todos eles. Ao jogar alguma coisa no console, o jogador estará sendo estimulado por todos os meios que o videogame pode oferecer:

– A trilha sonora, climatizando o jogo;

– O conteúdo visual, procurando passar ao jogador maior imersão no seu universo, aproximando-se dele;

– A interatividade, que é o maior trunfo dos videogames, sendo o jogador dono de seu destino, submetendo-se aos mais variados testes, conforme a proposta do jogo em questão;

– As mensagens extra-enredo que existem na maioria dos jogos, podendo o jogador utilizar-se de imaginação para formar suas próprias teorias no desenrolar do jogo.

Como visto, o videogame não é meramente um “brinquedo”, onde o jogador pega o controle e fica simplesmente brincando por ali, passando o tempo. Videogame, nos dias de hoje, é muito mais que isto, é entretenimento levado a sério por seus produtores e também por seus jogadores. Tendo em vista este caráter de entreter o jogador na maior variedade possível conforme a proposta, é possível exercer uma pergunta: será que julgar que um jogo deve somente ter uma jogabilidade e level design excelentes, em detrimento de um enredo forte ou de uma trilha sonora maravilhosa é a coisa certa?

Será este o ápice, o único modelo a ser seguido?

Por exemplo, será que a proposta de Heavy Rain de jogo cinematográfico vai contra os preceitos do videogame da sétima geração? Ou será que, se Heavy Rain for videogame, então isto significa que Super Mario Galaxy é um jogo perdido no tempo por focar totalmente na jogabilidade e diversão proporcionada por ela mesma do que no enredo? Ou será que, mais longe ainda, não existe mais um modelo só?

Percebe-se que, devido a este abismo de conceitos que existem entre estes dois exemplos dados acima (Heavy Rain e Super Mario Galaxy), existe também um abismo sobre o que é importante em um videogame. Jogadores hoje se dividem em grupos, principalmente os istas. Mas eles não são o foco deste texto, que é uma reflexão sobre “por que deixamos de jogar algo por puro preconceito”. E eu não estou falando de deixar de jogar Just Dance por ser casual nem nada do tipo. Estou falando de jogos hardcore mesmo.

Por exemplo, por saber que Heavy Rain trata-se de um filme interativo, totalmente focado em um enredo, muitas pessoas deixaram de jogá-lo e simplesmente foram assisti-lo no Youtube! Sim, pasme, jogador: as pessoas estão acostumando a assistir os jogos no Youtube! Assistir! Mas como assim? Será mesmo que esse jogo não proporcionaria nada caso estivesse nas mãos destes jogadores que meramente julgaram ser um videogame a ser assistido? É mesmo tão desprezível um jogo focado no seu próprio enredo?

Será que isto não é videogame?

Outros dizem que estão cansados do Mario, que sua figura já está ultrapassada. Ok, realmente a Nintendo utiliza muito a imagem do personagem, afinal é o carro-chefe da empresa e funciona como um selo de qualidade para milhares de leigos. Mas vamos ao jogo que interessa: Super Mario Galaxy, um jogo de premissa bastante simples, onde todos já sabem a história e conseqüentemente o seu final. Todos têm a total noção de que o jogo não é focado no enredo e que foca na jogabilidade fluída e também preza por uma arte de encher os olhos, tanto visual quanto sonora. E, mesmo assim, muitos deixam de jogá-lo, por ser “simples demais” ou por dizerem “já passei da idade”.

Será que este modelo está ultrapassado?

Não é o foco do texto forçar as pessoas a terem menos discernimento e jogar TUDO o que aparece pela frente, claro que não. Mas muitos deixam de jogar por puro preconceito. Será o certo a se fazer quando se joga videogame? Será correto deixar de jogar algo por ser bobo demais e infantil? Ou será que ser inovador e ser basicamente um filme interativo um crime ao conceito de videogame? A pergunta certamente tem que ser respondida por você, leitor, e não por mim, pois eu já me decidi: jogo de tudo, sem preconceitos e respeitando as propostas, nunca querendo demais de um jogo e nem de menos, apenas desejando que cumpra tudo aquilo que foi proposto em tudo que foi mostrado anteriormente ao lançamento.

PS: dou créditos da idéia do texto ao Jefferson, da comunidade Arena Gamer do Orkut.

 

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