[Neto’s Review] Castlevania Lords of Shadow

“Dark times need a dark hero.”

Capa do jogo

ENREDO

Ah, Castlevania! Uma das franquias de videogame mais clássicas de todos os tempos. Nascida no Nintendinho, na década de 1980, é uma daquelas séries capazes de deixar os fãs loucos com qualquer notícia sobre algum novo jogo. O mais cultuado clássico Castlevania é com certeza o todo bom Symphony of the Night, do Playstation, que iniciou na série um gameplay chamado de Metroidvania, pois todo o castelo de Dracula do jogo era explorável conforme seus power ups, assim como nos Metroid.

Sempre prezando por misturar diversas mitologias, a série tem como principal ícone e antagonista Dracula. Sim, aquele vampiro mesmo, que não brilha, por sinal. Além dele, aparecem diversos monstros em toda a série, como lobisomens, frankensteins, a própria morte, morcegos, armaduras enfeitiçadas para o ataque, medusas, entre outros. O bestiário da série é certamente um dos mais extensos dos videogames.

E eis que chegou em 2010 o tão aguardado Castlevania Lords of Shadow, jogo para Playstation 3 e Xbox 360, que tem o dedo da Kojima Productions. Muito hype foi gerado, muita coisa foi discutida e especulada.

O enredo do jogo trata de Gabriel Belmont, um membro de uma irmandade em prol do bem e, acima de tudo, de Deus, na Idade Média. O jogo se passa por diversas localidades, indo desde belas florestas, passando por um castelo, locais desérticos e pestilentos, entre outros. Não há como negar a incrível diversidade de cenários no jogo.

Pan, uma espécie de guru do jogo, e Gabriel

Gabriel tem como foco em Lords of Shadow juntar as três partes de uma máscara, que estão nas mãos de três senhores da sombra, que são uma turminha do barulho, que causam altas confusões e estão atrapalhando tudo pela Terra, fazendo emergir o caos, doenças, pragas, e tudo que há de pior. Além disso, o protagonista também está em busca de ressuscitar sua falecida mulher, o que se supõe ser possível ao juntar as três partes da máscara.

O jogo é dividido em capítulos e, dentro dos capítulos, há as fases. O modo de se contar a história de Lords of Shadow oscila entre cinemáticas cheias de diálogos e bastante cinematográficas, pergaminhos que são achados nos cadáveres dos  irmãos de armas de Gabriel e também na narração de um personagem, que ocorre nos loadings antes de cada fase. Essa narração soa muitas vezes cômica, pois o narrador basicamente faz preces e louvores a Gabriel, um personagem muitas vezes ambíguo e tentando diferenciar o bem do mal.

Momento narração

Há de se notar que Gabriel é bastante perturbado pelo seu destino cruel de matador de aberrações, várias vezes tendo sonhos malditos. Afinal, Gabriel está fazendo o correto sendo o açougueiro de um propósito maior, dizendo ser guiado por Deus? De início, o jogador é levado a crer que sim, mas a narração do jogo mostra que as conseqüências vão sendo de corromper a alma do personagem, o que infelizmente não é tão bem demonstrado no gameplay, ou seja, fora da narração.

JOGABILIDADE

A jogabilidade de Lords of Shadow é claramente inspirada na série God of War. Mas isto não quer dizer que é um plágio, e o jogo passa muito longe de querer ser o exclusivo da Sony. Ainda bem.

Gabriel é dotado de uma espécie de chicote, que conforme o jogador avança, ganha novas habilidades graças à adição de implementos de um engenheiro chamado Gandolfi, que ficam espalhadas pelas fases e são obrigatórias de serem pegas, aliás, ficam no caminho de Gabriel. Tais habilidades são, por exemplo, a possibilidade de se agarrar pelo chicote em ganchos específicos espalhados pelo jogo, possibilitando a Gabriel que se avance pelas fases.

Grapling

O combate do jogo é basicamente o mesmo de God of War, onde vem uma leva de inimigos e o jogador deve utilizar combos para derrotá-los. Há dois tipos de ataques básicos: um mais forte, que é centralizado mais em um só inimigo e outro mais espacial, que busca acertá-los com um maior raio de ataque. Para cada inimigo derrotado, o jogador ganhará pontos de experiência, que podem ser utilizados para comprar novos combos e novos poderes. A esquiva do jogo funciona bem e é essencial para a sobrevivência, bem como realizar contra ataques. O problema disso é justamente porque o botão de defesa e de esquiva são o mesmo, e muitas vezes o jogador se verá esquivando ao invés de defender, devido a qualquer leve toque no stick de movimento.

Combate

Novos poderes que são utilizados conforme dois tipos de magias que devem ser dominadas: light e dark. A primeira é usada principalmente quando o jogador desejar recuperar sua energia vital, pois é bastante escasso os pontos de se recuperar vida automaticamente no jogo. A última funciona como um power up, dando mais força aos ataques de Gabriel. As duas magias também servirão para serem utilizadas com combos determinados, pois há certos movimentos que exigem que as magias estejam ativas para serem realizados.

Para encher os medidores de magia, no entanto, faz-se necessário que o jogador realize combos diversificados, o que funciona como um estímulo a mais para o jogo não ser um mero smash button, forçando o jogador a variar seu tipo de combate. Neste caso, a defesa e contra-ataque são muito necessários, pois é a forma mais fácil de se obter os orbs necessários para encher a barra de combos, que, somente então, farão os inimigos droparem orbs que encherão as barras de Light e Dark Magics.

Nos cantos inferiores direito e esquerdo são os medidores das magias

Ao longo de sua jornada, Gabriel contará com quatro tipos de itens que o auxiliarão nas batalhas: facas, águas bentas, fadas (sim, você leu bem) e um cristal. Estes itens são obtidos como drops ou encontrados dentro de containeres espalhados pelas fases. As facas servem basicamente para perfurar o inimigo, é um ataque a mais. As águas bentas funcionam como um ataque em massa e é bastante efetivo contra inimigos que têm como ponto fraco este tipo de item (cada inimigo possui uma ficha técnica, onde é exibida suas defesas e imunidades). As fadas servem como distração para os inimigos (pelo visto são os seres mais irritantes do jogo, ao lado dos Chupacabras [aliás, os chupacabras são simplesmente viciados nelas]), possibilitando que o jogador aproveite para atacá-los com mais facilidade. O cristal funciona como uma habilidade especial, onde aparece um ser bestial que ataca tudo à sua volta, é o ataque mais poderoso do jogo.

O jogo também possui bastante exploração, o que se faz muito necessário, pois possibilitará ao jogador obter pergaminhos que ajudam no desenvolvimento do enredo, bem como podem trazer dicas ao jogador sobre o que fazer à frente. Também é possível encontrar três tipos de pedras: verde, vermelha e azul, cada uma servindo para aumentar o limite máximo  da barra de vida, de dark magic e de light magic, respectivamente. Encontrá-las é importante, pois o jogo tem uma dificuldade considerável e o jogador se verá muitas vezes clamando por mais energia.

Os puzzles do jogo certamente são de grande valia e alguns são verdadeiros testes de inteligência e lógica. É sempre encontrado um pergaminho próximo a eles, que explicam o seu funcionamento e o bônus que se obtém ao cumpri-los, sempre vindos em pontos de experiência. O jogador que for menos esperto (ou mais apressado) poderá destrancar a resposta do puzzle, o que o fará perder os pontos que seriam ganhos caso cumprido sem ajuda alguma.

Momento platformer

As boss battles dividem-se em dois tipos: inimigos que são mais comuns e requerem um tipo de batalha mais padrão do jogo, utilizando-se de golpes e combos comuns, uso de magia e itens. O outro tipo são batalhas contra os titãs, que lembram muito as de Shadow of the Colossus, onde o jogador terá de escalar o gigantesco boss e destruir seus pontos fracos.

Gabriel enfrenta um dos titãs do jogo

Várias ações do jogo muitas vezes apresentam-se em forma de Quick Time Event, onde o jogador deverá pressionar um botão conforme este aparece na tela, o que tornará possível a seqüência da batalha. Além deste tipo padrão, há também os QTE que exigem mais perícia e reflexos do jogador, onde aparecem dois círculos e deve-se pressionar o botão somente quando um estiver circunscrito ao outro.

Gabriel luta com um vampiro

O equipamento de Gabriel vai crescendo conforme o avanço no jogo, onde ele ganhará botas para correr e executar maiores pulos, uma luva metálica que possibilitará socos mais poderosos e asas para um pulo duplo. Há puzzles que exigem o uso de algum equipamento, principalmente alguns onde o jogador deve bater no chão em pontos específicos, o que em raros momentos apresenta-se como gigantesca frustração devido a ser pouco precisa a área onde o soco vai acertar e muitas vezes o jogador acertará o lugar errado, fazendo-o refazer todo o puzzle.

Mas a frustração maior do jogo pode ser encontrada na câmera fixa. Diversas vezes um ataque virá de uma área onde o jogador sequer consegue ver, o que se torna bastante injusto. Outra frustração muitas vezes fica por conta de paredes invisíveis, que impossibilitam o acesso a determinadas partes ou a realização de um pulo direto a uma plataforma que estaria logo à frente. Isto, porém, não tira o brilho do gameplay complexo de Lords of Shadow, que possui um excelente sistema de batalha e uma exploração bastante recompensadora.

SOM

Uma trilha toda orquestrada, com músicas grandiosas e épicas. Certamente o compositor Oscar Araujo foi bastante feliz em sua criação, pois está uma das melhores trilhas da geração, casando perfeitamente com o clima épico de toda a aventura de Gabriel.

(Besieged Village, uma das músicas do jogo)

O trabalho de dublagem também é excelente e as vozes soam bastante fidedignas aos personagens e não há vozes irritantes, a não ser a do já irritante por si só Chupacabra, com seus joguinhos de esconde-esconde.

GRÁFICOS

Certamente uma das mais belas artes da geração. O trabalho artístico que se percebe no jogo é soberbo e a movimentação de Gabriel Belmont é bastante bem desenvolvida. O protagonista, por exemplo, executa um Sinal da Cruz a cada vez que vai vasculhar um cadáver da sua Irmandade da Luz e é bastante prazeroso ver em como isso é executado de forma majestosa pelo jogo.

A arte do jogo enche os olhos

Os cenários diversificam-se bastante e pode-se perceber que o detalhamento do jogo foi bastante bem cuidado, mas ainda assim há algumas texturas feias, principalmente quando nos últimos cenários, que são mais desérticos. Mas isto não deve tirar o brilho da arte, que é bastante inspirada em grande parte do jogo.

Detalhamento levado a sério

VEREDITO

Castlevania Lords of Shadow é certamente um dos melhores lançamentos do ano e merece que qualquer jogador, fã ou não da franquia, pegue-o para jogar. Um enredo forte (apesar de um pouco mal contado) que elucida a luta entre o bem e o mal, tendo o bem de Deus buscado de forma às vezes cruel e duvidosa em relação ao conceito de bem exposto pelo jogo, recheado por um gameplay complexo e recompensador, orquestrado por uma trilha simplesmente épica, digna do jogo e com uma arte soberba, Lords of Shadow tem tudo para prender o jogador até o último segundo (sim, simplesmente, até o último).

“Oblivium Sempiternum Daemonis.”

Gabriel Belmont

NOTAS

ENREDO: 8,5/10,0

JOGABILIDADE: 9,0/10,0

SOM: 10,0/10,0

GRÁFICOS: 9,0/10,0

NOTA FINAL: 9,1/10,0

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16 pensamentos sobre “[Neto’s Review] Castlevania Lords of Shadow

    • Realmente, Daniel, vale muuuuuuuuuuuuito a pena jogar esse Castlevania! O melhor em 3D da série! (mas também a concorrência não era muito grande né, porque os de N64 falham a lot e os de PS2 não são lá essas brastemps…)

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  3. estou jogando castlevania no ps3 e nao consigo encontrar as botas magicas e preciso delas para correr em cima do lobo e atravessar a ponte quebrada, preciso de ajuda

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