[Tomio’s Review] Tales of Vesperia (PS3)

Nome: Tales of Vesperia
Produtora: Namco Bandai
Genêro: JRPG
Plataforma(s): Xbox 360, Playstation 3
Versão analisada: Playstation 3, japonesa

Um conto completo

Tales of Vesperia é o primeiro jogo para consoles HD da terceira franquia de JRPGs mais famosa do mundo lançado em 2008, com a versão PS3 chegando um ano depois, trazendo diversas melhorias e toneladas de extras.

A lenda da Ursa Maior

Tales of Vesperia faz parte dos jogos em 3D da série em Cel-shaded e mundo tridimensional, além do sistema de batalhas levemente modificado. Apesar da bela direção de arte, o jogo se mostra simplório em detalhes por conta da câmera fixa em dungeons e cidades, além dos cenários completamente sem vida  na grande maioria das vezes. Em compensação, as batalhas são de outro nível, com personagens muito bem detalhados conjurando magias, se movimentando minunciosamente para executar golpes especiais e muitos efeitos na tela ao mesmo tempo, fazendo o jogador confundir o jogo com uma animação jogável de vem em quando.

O trabalho sonoro é satisfatório, com belas composições e bom uso de surround. Apesar disso, o jogo é gravemente prejudicado pela curtíssima duração das melodias, fazendo a trilha sonora entrar precocemente em um loop e deixar a jogatina enjoativa aos ouvidos.

Em termos de conteúdo, o jogo apresenta um legítimo JRPG para fã nenhum botar defeito, com boa historia, personagens, dungeons, puzzles, batalhas e extras, milhares e milhares de extras.

Pecado e punição

O jogo, como todo Tales of, apresenta uma história simples, mas que carrega consigo inúmeras e grandiosas reviravoltas, além de personagens muito bem trabalhados e uma mensagem para se refletir sobre a vida real, como religião, racismo e corrupção, temas apresentados em alguns dos títulos anteriores. O jogo conta também com o tradicional sistema de skits, conversas paralelas entre o grupo que revelam coisas extras sobre o enredo ou simplesmente curiosidades sobre a personalidade de cada um, enriquecendo o universo do jogo.

É inegável a presença de clichês, mas esses são detalhes pequenos em comparação ao belo trabalho da Namco com mais esse Tales em reviravoltas, desenvolvimento dos personagens e a relação entre eles, com destaque ao protagonista Yuri Lowell, típico badass, mas que toma atitudes que um anti-herói qualquer não tomaria, supreendendo o jogador em diversos momentos.

Na parte de dublagem temos mais um ótimo trabalho dos japoneses, combinados com as expressões faciais dos personagens. Infelizmente nem todas as expressões sao boas, e os movimentos labiais são simplesmente a boca dos personagens abrindo e fechando aleatoriamene, mas nada que possa arruinar as cenas. Outra coisa que deixou a desejar foi a quantidade de diálogos dublados, pois apenas a quest principal possiu vozes nas conversas.

Apesar do ótimo desenrolar, a história deixa um pouco a desejar em sua reta final, parecendo ficar um tanto quanto corrido e vago.

Descobrindo um mundo

Tales of Vesperia é um tradicional JRPG. A comecar pelo World Map, que aos poucos é liberado para o jogador poder explorar novas cidades, dungeons e outros segredos, além de estar repleto de inimigos vagando e minérios espalhados pelas imensas áreas existentes. Vale lembrar também que o World Map é o unico local com camera livre do jogo, ponto negativo a se considerar nessa geração, ja que não há nada tecnicamente especial nas partes de camera fixa para existir a limitação.

As dungeons do jogo são geralmente extensas, com muitos caminhos alternativos para tesouros, e puzzles que vão ficando mais complexos gradativamente. O jogador pode facilmente se perder no meio do caminho por conta do jogo não oferecer sequer um minimapa, para o terror dos jogadores com memória fraca. As dungeons mais avançadas geralmente precisam ser revisitadas mais pra frente com um item especial para coletar items que eram antes inacessiveis.

As cidades também são basicas, quase sempre com uma pousada, uma loja e o restante dela relacionada a minigames e eventos fora da quest principal. Quem gosta de fazer 100% do jogo precisa sempre explorar tudo toda vez que for possivel em todas as cidades, pois grande parte dos eventos são temporários. Mesmo que seja convincente em termos de enredo, o sistema não é muito amigável para quem gosta de fazer as coisas com calma depois de finalizar o titulo.

As batalhas são feitas com o velho e funcional Linear Motion Battle da série, mesclado com um sistema de field tridimensional estilo Valkyrie Profile: Silmeria ou Radiata Stories. É interessante lembrar do sistema de batalhas onde o grupo é pego de surpresa, fazendo com que os reservas batalhem. Outro detalhe interessante é o sistema de missões secretas, condições especiais que o jogo propõe ao jogador na hora das batalhas contra chefões, como por exemplo cancelar um golpe especial ou quebrar sua barreira, para ganhar itens especiais após a vitória.

Com um botão pressionado, o jogador controla o lider livremente pelo cenário, e quando solto, a batalha entra na visao horizontal, como um jogo de luta. Além de golpes normais, é possivel defender, dar golpes aéreos e soltar especiais. Existem também técnicas extras e passivas aprendidas em armas, lembrando Final Fantasy IX e Final Fantasy Tactics Advance. Por existir uma variedade imensa de golpes e habilidades, personagens bem desenvolvidos podem atuar em batalhas como se fosse um legitimo fighting game, deixando assim as batalhas cada vez mais épicas a medida que o jogador avança.

A IA da party pode ser configurada de várias maneiras, seja uma ação para cada situação, como a posição deles em campo. Infelizmente o sistema não possui uma regulagem de importância das ações escolhidas, tendo assim personagens que curam com uma magia forte onde uma mais fraca era o suficiente, ou um mago que não se distancia o suficiente dos inimigos.

A aventura apenas começou

O jogo, se for jogado apenas pela main quest, dura cerca de 40 horas, mas para fazer 100% do jogo a duração vira uma incógnita, pois conteúdo extra é o que não falta em Tales of Vesperia. O jogador pode facilmente ficar indeciso na hora de escolher o que fazer, podendo, por exemplo, completar o inventário criando itens, o bestiário, cacar monstros especiais, vasculhar locais opcionais, brincar em fliperamas, jogar pôker ou até mesmo participar de uma competição gastronômica. O jogador pode também comecar um new game plus e conferir duas dungeons enormes, inteiramente secretas, além de tentar conquistar titulos especiais e roupas alternativas para os personagens.

Como citado antes, o jogo conta com um desagradável sistema de side quests temporárias, praticamente obrigando o jogador a parar na jornada se quiser conferir mais da metade dos eventos alternativos.

Agradável jornada

Tales of Vesperia na certa é o melhor JRPG multiplataforma da geração, e um dos melhores do PS3. Mesmo com seus problemas, é obrigatório para jogadores oldschool do genêro e fãs de jogos ricos em conteúdo.

Nota: 8.5

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