[Epoch – The Time Machine] Shadow of the Colossus

“Thy next foe is…. Within the ruined city…. Lost beyond time….. A sentinel watches over”.

Capa do jogo

Um garoto chega montado em um cavalo e trazendo um embrulho a um local que se parece com um templo. E assim se inicia Shadow of the Colossus, a seqüência espiritual de ICO (ambos para Playstation 2) e uma das maiores obras primas já realizadas em termos de jogos eletrônicos. Talvez SotC seja o jogo que mais tenha feito as pessoas se questionarem acerca de videogame ser ou não arte.

A premissa do jogo é bastante simples, tendo o jogador que derrotar dezesseis colossi, que são as representações gigantescas de cada ídolo presente no templo (chamado de Shrine of Worship). Derrotando todos os dezesseis, a entidade que reina soberana acima do templo promete a Wander, o protagonista, trazer de volta a vida a garota que ele trouxe no embrulho e fica o jogo todo deitada no altar.

Além disso, pouco é explicado ao jogador durante todo o jogo. É um dos enredos mais fechados e sutis de todos os tempos, procurando fazer com que o jogador bole suas próprias teorias, procurando uma razão para tudo aquilo. Afinal, quem é a garota deitada? Nenhum dos dois personagens humanos do jogo têm nomes, o jogo não os cita em momento algum. Creio que o chamam de Wander por se assemelhar a Wanderer, andarilho. E a garota é chamada de Mono, mas o jogo em momento algum a chama desta forma.

Wander e Mono

A entidade superior (uma espécie de deus) que se manifesta na Forbidden Lands (local onde se passa o jogo) chama-se Dormin. E aliás, Dormin, quando escrito de trás para a frente, é Nimrod, que é uma figura bíblica, descendente de Noé. Nimrod é descrito como o primeiro poderoso na Terra e responsável pela construção da Torre de Babel, o que provocou a ira de Deus  (o Talmude Babilônico (Erubin 53a) declara: “Então, por que foi ele chamado de Ninrode? Porque incitou todo o mundo a se rebelar (himrid) contra a Sua soberania.”) . Divagações à parte, Dormin sempre se manifesta somente através de sua voz, etérea e cheia de enigmas. Dormin por vezes é objetivo, mas a maioria das vezes é enigmático, forçando o jogador a encontrar seu próprio caminho. Dormin, portanto, serve também como uma espécie de tutorial, ajudando Wander nas batalhas contra os colossi.

A Torre de Babel (por Pieter Brueghel), à esquerda e o Shrine of Worship, à direita

A proposta de Dormin para Wander é de que, caso ele derrote os dezesseis colossi, ele faria Mono voltar à vida. Os colossi estão espalhados por toda a Forbidden Lands. E o mapa é gigantesco. A única esperança de se encontrar o próximo a ser derrotado é erguendo-se a espada de Wander contra a luz do sol e, no local onde os raios de luz se juntarem, é o caminho a ser seguido. E é sobre isso que se trata Shadow of the Colossus: explorar uma terra gigantesca e vazia em busca de seres gigantescos, que devem ser derrotados para que Mono possa ser revivida.

Wander e Agro enfrentam um colossus

As batalhas contra estes seres são nada menos do que épicas. Enfrentar um inimigo cinqüenta vezes maior do que o protagonista não é para qualquer jogo. Wander é um grande alpinista, diga-se de passagem. É a unica forma de derrotá-los, escalando-os até seus pontos fracos e cravando-se a espada nestes. Só que, quando derrotados, tudo fica bastante estranho, pois não é como se o jogo fizesse o jogador comemorar a carnificina provocada. Cada colossus que cai deixa o jogador triste, a cut scene que aparece do colossus caindo é perturbadora, e muitas vezes faz o jogador pensar que está fazendo o mal a qualquer custo para seu próprio benefício. Tanto é que, quanto mais o jogador avança, mais a expressão de Wander torna-se corrompida.

Existem também alguns colossi de pequeno porte

Deve-se destacar muito o trabalho sonoro do jogo, visto que é um dos mais belos de todos os tempos. Músicas orquestradas e que dão ainda mais clima épico, principalmente no que tange às batalhas. Inclusive foi criada uma língua própria para o jogo, o que é perceptível quando Dormin conversa com Wander, mas as legendas são em inglês mesmo, relaxe.

(The Opened Way, uma das músicas do jogo, executada de forma épica por uma orquestra)

Shadow of the Colossus é um grande jogo, considerado por muitos o melhor de todos os tempos. Com um enredo praticamente inexistente, mas que consegue ser muito mais profundo do que boa parte dos jogos, o jogo fez com que jogadores do mundo inteiro se reunissem em fóruns de discussão para várias teorizações acerca do jogo, principalmente do chamado The Last Big Secret, pois até pouco tempo atrás acreditava-se que existia um grande segredo no jogo, fazendo os jogadores caçarem cada pixel do mapa. Tudo em vão, pois não havia nada. Mas esta é a magia de Shadow of the Colossus: aguçar a curiosidade do jogador, fazê-lo teorizar e querer procurar mais e mais, parando às vezes para apreciar como é bela a Forbidden Lands, um cenário de desolação e, ao mesmo tempo, busca pessoal de Wander. É a jornada do conhecimento próprio dele, de testar todos os limites, de deixar os meios de lado e se importar apenas com o fim.

Esta imagem é sensacional e descreve muito da sensação de pequenês de Wander perante a tudo à sua volta.

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3 pensamentos sobre “[Epoch – The Time Machine] Shadow of the Colossus

  1. Pingback: [Fran's Review] Castlevania: Lords of Shadow « Jogador Pensante

  2. Pensei em pegar ele na playstation store. Lembrei que você fala tão bem desse jogo e vi um gameplay e realmente parece fantástico. Vou dar uma olhadinha nele qlq dia desses.

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