[Neto’s Review] Mafia II

“Vito Scaletta is making a name for himself on the streets of Empire Bay.”

Capa do jogo

ENREDO (esta parte tem pequenos SPOILERS, mas nada que vá atrapalhar, nada pontual, apenas panorâmico)

Máfia. Eis um substantivo que traz muito consigo no imaginário de qualquer pessoa. Qualquer um, quando ouve o nome máfia, rapidamente se lembra do grande clássico O Poderoso Chefão, o famoso filme adaptado do romance de Mario Puzo. Na cabeça dos jogadores, além do filme, vem à tona o brilhante jogo Mafia, lançado em 2002. Considerado por muitos um dos jogos mais imersivos de todos os tempos, o primeiro jogo da franquia fez com que o hype de Mafia II fosse elevado a grandes alturas.

E eis que em 2010 vem Mafia II, seqüência do jogo de 2002. Na nova adição à franquia, o jogador controlará Vito Scaletta, um americano filho de imigrantes italianos. A trama do jogo envolve a máfia italiana da cidade de Empire Bay, a cidade onde se passa o jogo. Todo o enredo é contado pelas lembranças de Vito, que no início do jogo aparece fumando, bebendo whiskey e olhando um álbum de fotos.

O enredo é lento e não coloca o jogador diretamente a conhecer os mafiosos da cidade. A entrada de Vito neste mundo é bastante lenta e gradual. O protagonista é um ex-combatente da Segunda Guerra Mundial, tendo lutado na Itália pelos Estados Unidos. Scaletta, enquanto na guerra (esta parte é jogável, porém bastante curta), aprende bastante sobre armas, sobre como atirar e etcétera, o que é interessante, pois mostra de onde Vito sabe tanto sobre como se esconder de forma adequada, atirar, dentre outros.

Vito Scaletta na Segunda Guerra Mundial

Vito Scaletta, mesmo sendo um herói de guerra (condecorado, inclusive, com uma medalha), não quer saber da vida de bom moço. Logo que volta da guerra, antes mesmo do final dela, Vito se reencontra com seu amigo Joe Barbaro, um bandido de pouca influência no início do jogo, porém que conhece bastante sobre o submundo do crime. É aí que Vito começa a entrar para a máfia propriamente dita, mas a entrada na família vem somente depois de vários capítulos. Não se dirá aqui o tanto de capítulos existentes no jogo para não estragar ou provocar quaisquer reações no leitor, mas este é um ponto que acho que foi um pouco mal trabalhado. Alguns capítulos são longos demais e uma ação acaba sendo desconexa da outra, dentro do mesmo capítulo. Poderíamos ter cerca de seis capítulos a mais, caso cada um fosse mais bem definido dentro da proposta. Enfim, isto não estraga a narrativa feita pelo jogo.

A primeira parte do jogo se passa no fim da Segunda Guerra Mundial, na segunda metade dos anos 40. Esta é a parte mais lenta do jogo e pode até mesmo fazer o jogador desistir (eu mesmo quase o fiz), pois tudo soa genérico demais, infelizmente. É necessário aparecer um fator que coloca o jogo em uma das melhores experiências imersivas da geração: a prisão de Vito Scaletta. Sim, é na forma como a prisão é apresentada que Mafia II se revela extremamente climático. Desde a chegada de Vito na penitenciária, a interação dele com os outros detentos, o clima pesado e hostil de tudo aquilo faz o jogador se sentir em um filme. É principalmente ali que o protagonista aprende muito sobre o mundo do crime e estabelece suas convicções em relação ao tipo de trabalho que fará quando sair.

A segunda parte acontece já nos anos 50 e aqui é que começa o jogo propriamente dito, é aqui que Mafia II começa a mostrar que almeja ser um grande jogo. A cidade está completamente diferente e finalmente consegue fazer o jogador se sentir na época mostrada, diferentemente na parte dos anos 40. E é aí também que Scaletta começa a entrar mais dentro do mundo da máfia, porém isso é tudo muito sutil e, de repente, Vito está dentro da família após alguns trabalhos. Não que de repente seja ruim, pelo contrário, mostra que quem manda ali são os chefes mesmo, não tendo Vito ou Joe (que está sempre junto do protagonista) nenhuma influência nisto.

Enfim, várias reclamações foram em relação ao protagonista do jogo ser fraquíssimo e sem personalidades. Deve-se lembrar, porém, que Scaletta está em um mundo onde quanto mais se abaixar a cabeça, melhor. Ele é o homem perfeito para a máfia, o tipo de criminoso favorito dos chefões. É comum acharmos que o protagonista de certo jogo deve ter uma personalidade forte, porém este não foi o foco de Mafia II. O foco de Mafia II foi mostrar como é entrar em um mundo criminoso e como a pessoa ideal para o trabalho sujo deve se portar. Talvez seja um erro e tire a vontade do jogador de controlar um completo pau mandado, mas foi assim que funcionou com Mafia II e isto não tira o brilho da trama bem montada e cheia de reviravoltas apresentada pelo jogo.

Mafia II é, acima de tudo, um jogo com enredo bastante adulto, que envolve crime organizado, drogas, assassinatos, tortura, guerra, assaltos, sexo, dentre outros.

Vito Scaletta e Joe Barbaro

JOGABILIDADE

É impossível não comparar com a série Grand Theft Auto quando se vai falar da jogabilidade de Mafia II. O jogo apresenta-se como um open world linear, ou seja é um jogo de ação travestido de sandbox. O jogador que comprar Mafia II pensando que vai jogar um GTA de época, irá se decepcionar bastante, visto que a Grand Theft Auto apresenta-se com muito mais liberdade do que Mafia II. Todos os elementos que fazem a série da Rockstar um sucesso estão em Mafia II, no entanto: roubo de carros, tiros, explosões, crime organizado (e também desorganizado), uma grande cidade aberta, lojas para compra de armas, comida e roupas, dentre outras semelhanças.

Mafia II, no entanto, não é uma mera cópia, justamente por ser mais linear. Existe uma missão para fazer, somente, o jogador não pode pegar ora uma missão de mafioso X e ora de mafioso Y: isto não existe em Mafia II. As missões são longas, porém. Algumas ocorrem em mais do que um dia e envolvem uma série de objetivos diferentes, invadir um local disfarçado, seguir um carro sem que ele o perceba, perseguir outro em alta velocidade, matar alguém, dentre outros.

O modo de tiro apresenta-se como um Third Person Shooter clássico e o jogador deverá recorrer sempre ao cover, ficar em pé e atirando para todo o lado que nem o Rambo não dá certo com Vito Scaletta: se fizer isso, o jogador verá várias vezes a mensagem de game over e voltará no checkpoint mais próximo. O protagonista dispõe de uma gama bastante variada de armas, como pistolas, shotguns, metralhadoras, coquetéis molotov, dentre outros. Todos com o charme especial da época retratada pelo jogo, dando um toque a mais de imersão. Os inimigos nas partes de tiroteio não são burros, pelo menos não da metade do jogo para a frente: eles procuram se esconder e encontrar o melhor momento para desferir o próximo tiro em Vito.

Sistema de Cover em Mafia II

Tiroteio em Mafia II

Algumas vezes, Vito não terá escolha e deverá enfrentar inimigos corpo a corpo. Felizmente o combate foi extremamente bem desenvolvido e Vito tem três simples movimentos: soco leve, soco forte e esquiva. Tudo funciona muito bem e, quando pegado o jeito, o combate se apresenta fácil, porém estratégico. É muito melhor esperar para contra-atacar do que ficar desferindo socos sem a menor estratégia. Depois de caído o inimigo ao chão, Vito pode executar um golpe final, mostrado de forma cinematográfica.

Luta em Mafia II

Também existe o modo stealth no jogo, onde em algumas missões o jogador deverá invadir locais sorrateiramente por algum motivo especificado. Funciona bem e é bastante simples, devendo Vito usar o sistema de cover para se esconder dos inimigos e, quando eles derem uma brecha, executar um assassinato silencioso, tudo isso devendo ser realizado com calma e lentamente.

Quando na cidade, Vito pode fazer uma série de coisas. Apesar de ser linear, poucas missões apresentam um tempo para serem cumpridas. O jogador pode fazer diversas coisas, como tunar seu carro, pintá-lo, comprar armas e munições, comprar novas roupas, matar alguém, entrar em combate corpo a corpo com um qualquer pela rua, dentre outros. Tudo isto, infelizmente, é bastante superficial e sem muito propósito no jogo. Tudo bem que é legal quando as lojas começam a oferecer ternos com sobretudo para o jogador comprar, deixando Scaletta bem mais “cool”, mas ainda assim é bastante superficial e não altera em nada, apenas faz o jogador gastar dinheiro.

Mapa de Empire Bay, a cidade onde os acontecimentos de Mafia II ocorrem

Se o jogador não se comportar como um cidadão tranqüilo e pacato, a polícia virá atrás de Vito, esteja ele a pé ou de carro (o mesmo vale para o policial). E sinceramente, é uma droga quando a polícia vem atrás, o jogador não demorará muito e conseguirá escapar dela, o problema é quando é reconhecido e/ou tem a placa de seu veículo procurada, então o jogador tem que trocar de roupa e de carro, ou trocar a placa do automóvel. Mas creio que isto contribui para o caráter mais “simulador de época” que é Mafia II, seus atos serão punidos pela polícia, mesmo andar em alta velocidade com o carro já faz os tiras virem atrás de Scaletta. É uma droga, sim, mas deve ser assim na vida real, não é mesmo? Despistar a polícial, porém, é extremamente fácil e logo o jogador perceberá que os guardas são mais burros do que parecem.

Exemplo do que fazer em Mafia II para que a polícia venha atrás do jogador

SOM

Grande parte do tempo, o jogador passará dirigindo. Portanto, o que ele mais vai ouvir serão as rádios do jogo. Nos anos 40 há apenas duas, enquanto nos anos 50 há três. Logo é percebido que não há grande variedade de músicas, porém as que há ajudam na imersão proposta pelo jogo. Poderiam haver mais? Com certeza, fica aí um ponto negativo. O ponto positivo fica por conta das notícias extraordinárias dadas pelas rádios, bem como propagandas que se ouve, o que ajuda e faz o jogador se sentir mais dentro do jogo, como quando nos anos 40 ouve-se notícias sobre a guerra e nos anos 50 principalmente notícias sobre o que está acontecendo na cidade (geralmente alguma carnificina realizada por Vito e Joe). O jogo também apresenta uma trilha sonora própria, bastante climática em relação à época e em diversas situações a música da trilha sonora do jogo será colocada para tocar, o que acrescenta na sensação que o jogo se propõe no momento.

O trabalho de dublagem é bastante bem feito e as vozes dos personagens são convincentes, com sotaques, vozes roucas e afins. Vito, por exemplo, quando acorda e tem de atender o telefone, sua voz soa rouca, bem como realmente é quando nós realmente acordamos. O melhor trabalho de dublagem, porém, cabe ao corretor de imóveis que apresenta o novo apartamento a Vito. A pessoa é uma figura e fala todo o tempo como alguém que está anunciando um produto na rádio. Simplesmente hilário.

Os sons de explosões, batidas, tiros, enfim, os sons ambientes também funcionam bem. O ronco do motor dos carros é muito bem reproduzido.

Theme Song de Mafia II

GRÁFICOS

Para um jogo de mundo aberto, está bastante bom. Este review está sendo feito a partir do que foi jogado no PC, portanto é uma versão dita superior às dos consoles. Tem lá suas falhas, claro, mas, numa soma geral, apresenta um mundo bastante colorido e vivo: toda pessoa que está em Mafia II está fazendo alguma coisa; Mafia II apresenta uma iluminação soberba e o cenário é muito sólido. Este, inclusive, é bastante destrutível: desde uma vidraça até ripas de madeira frágeis.

Cenários destrutivos

A expressão facial dos personagens não é lá muito bem executada, mas tudo isto é compensado quando se vê o trabalho de caracterização dos ferimentos de tiro e de surra quando em uma cut scene ou mesmo durante o jogo. A violência foi muito bem caracterizada, neste aspecto.

Ferimentos bem retratados

A modelagem dos personagens é um tanto estranha, principalmente as mãos, sendo os dedos destas quadrados e um esquisitos quando aparecem de perto. Com o jogo rodando, no entanto, isto mal é percebido e é muito bem executado, bem como as reações dos personagens perante tiros, explosões e afins, a física do jogo é muito bem executada.

O destaque dos gráficos vai para a “maquiagem” dos ferimentos, como já dito acima e para os efeitos de fumaça, principalmente quando o carro está derrapando, para o excelente trabalho de iluminação do jogo, que possui sombras excelentes e também para o trabalho com as explosões.

Sombras em Mafia II

Explosão em Mafia II

VEREDITO

Mafia II é um jogo que pretende mostrar como se alcança o topo do crime organizado sob qualquer preço. Vito Scaletta é o criminoso perfeito para este tipo de trabalho e isto é mostrado durante o jogo. O uso de mundo aberto pode enganar o jogador desatento, que adquire o jogo pensando ser como um Grand Theft Auto de época, o que não é, feliz ou infelizmente. O triste é ver que uma cidade tão grande e bela como Empire City foi mal utilizada no jogo, há muito espaço sem necessidade alguma. As paisagens são bonitas, é claro, mas não têm muito sentido de estarem ali.

Concluindo, Mafia II certamente merece ser jogado e merece que o jogador tenha paciência com o seu enredo que demora a engrenar, o que pode ser cansativo, mas o jogo realmente se revela somente após alguns capítulos.

Mafia II está disponível para PC, Xbox 360 e Playstation 3.

Vito Scaletta

NOTAS

ENREDO: 8,5/10,0

JOGABILIDADE: 7,5/10,0

SOM: 8,0/10,0

GRÁFICOS: 9,0/10,0

NOTA FINAL: 8,5/10,0

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10 pensamentos sobre “[Neto’s Review] Mafia II

  1. Muito bom o seu review, tá de parabéns. Eu gostei muito desse jogo, e concordo que o que faltou mesmo foram missões aleatórias, como em GTA e Red Dead Redemption, por exemplo. Mas é um jogasso e não me arrependi de ter comprado não. Abraços e continue assim !

  2. Pingback: Os números de 2010 « Jogador Pensante

  3. Concordo com o seu review, o jogo é muito bom mesmo. Só tem uma coisinha besta, mas que me incomoda no jogo. A parte depois da prisão se passa em 1951, mas na rádio toca várias músicas que saíram em 55, 56. Isso é uma falha da reconstituição de época que nenhum GTA fez. Mas de resto muito bom mesmo.

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