[Epoch – The Time Machine] Chrono Trigger

If history is to change, let it change. If the world is to be destroyed, so be it. If my fate is to die, I must simply laugh.

Capa do jogo

Chrono Trigger é um jogo de RPG lançado no Japão no ano de 1995 para o Super Nintendo. Em 1999 o jogo foi lançado para o Playstation com várias melhorias, inclusive algumas CGs. Este escrito não vai se ater ao lançamento de 1999 e sim ao de 1995, para o saudoso Super Nintendo, aquele videogame da Nintendo da época em que íamos à locadora e alugávamos as maiores porcarias existentes e, mesmo assim, jogávamos até o fim e até nos divertíamos. Era uma época de jogos simples, geralmente de plataforma, quando o objetivo do jogador era geralmente pular em cima da cabeça dos inimigos, escapar de armadilhas, pular alguns buracos, como Super Mario Bros. bem nos ensinou na época do Nintendinho, o irmão mais velho da família Nintendo de consoles de mesa.

Em meio a todos estes jogos bobos que eu vivia alugando, como Aero The AcroBat, Joe & Mac, dentre outros que muito me divertiam na época (provavelmente hoje continuam me divertindo, mas vendi meu Snes e jogar no emulador não é a mesma coisa), encontrei um jogo com uma capa curiosa. Era um monstro enorme sendo atacado por uma loira, um sapo e um garoto de cabelos espetados e vermelhos. Eu não sabia falar inglês na época, não olhava a parte de trás das capas dos jogos (a não ser para ver as fotos do jogo – ler mesmo, que nada) e nem sabia as diferenças de PLATFORMER, RPG, ACTION, dentre outros. Para mim só existiam três tipos de jogos: Luta, Corrida e todo o resto, que eram simplesmente jogos. Bom, então eu decidi alugar o jogo, que tinha uma cena muito legal na capa, afinal, quão legal é uma menina jogando um raio de energia direto para a espada de um garoto prestes a atacar um monstro gigantesco? Eu te digo quão legal é: é CHRONOTRIGGERMENTE legal!

Para início de conversa, quando liguei o videogame já pulei rapidinho a introdução (como eu era herege, hoje eu não pulo uma introdução de jogo algum se for a primeira vez que jogo), e me vi em uma tela perguntando se eu queria jogar ACTION ou WAIT. Oras, quem é que quer esperar (isso eu sabia o que significava)? Logo apertei o botão no Action sem nem saber o que significava (mas action soava bem mais legal do que wait, é claro). Então eu deveria por um nome no garoto de cabelos espetados. Na época eu nem reparei que o garoto era a cara do Goku e que a garota que a mãe do Crono perguntava pra ele o nome era a cara da Bulma. Ambos são personagens da série Dragon Ball, criado por Akira Toriyama. Ah, mas claro, foi o Toriyama quem criou os personagens!

(Nunca pule esta intro)

Vamos agora para um pouco de informação sobre o time de produção de Chrono Trigger. Era um time tão bom, mas tão bom (acredite, era muito bom), que foi chamado de Dream Team.  Hironobu Sakaguchi (produtor da série Final Fantasy), Yuji Horii (diretor da série de jogos Dragon Quest), Akira Toriyama (criador de mangás famosos, como Dragon BallDr. Slump), o produtor Kazuhiko Aoki e Nobuo Uematsu (músico de Final Fantasy). Com um time deste calibre, não era possível sair algo ruim. E realmente, não saiu.

Lucca

Chrono Trigger foi o jogo que me pôs no mundo dos RPGs, eu não conhecia Final Fantasy nem nenhum destes jogos famosos na época. Talvez tenha começado pelo Chrono Trigger justamente por ter gostado da capa. Depois desta leve introdução à minha experiência com Chrono quando ainda era uma criança, vamos a uma revisão um pouco mais criteriosa do jogo.

Chrono Trigger começa com a mãe de Crono (ou Neto, Link, Zora, Zelda, Paulo, Jose, Ze, Bruxao, o nome que você quiser) acordando-o para ir ao Millenial Fair, uma feira em comemoração à virada do milênio (o presente do jogo se passa em 1000 AD). Sua amiga Lucca estará lá para apresentar uma de suas novas invenções (a garota é um gênio): um eletransportador. Crono acaba esbarrando na garota loira da capa, chamada Marle. Os dois caem e ela perde seu colar. Crono o encontra e devolve para ela, ao passo em que os dois começam a andar juntos pela feira. Como Crono é mudo e responde somente com movimentos de Sim e Não com a cabeça, quem propõe o passeio é ela. Enfim, logo depois os dois vão assistir à apresentação de Lucca, que funciona muito bem com o protagonista, porém quando Marle sobe na máquina, seu colar começa a brilhar e ela é jogada para um portal que a leva para uma época passada. Crono, é claro, vai atrás.

Marle é sugada para dentro do portal

A grosso modo, Chrono Trigger é sobre viagem no tempo. Certamente é um dos enredos mais bem trabalhados da história dos jogos, visto a pouca complexidade que a maioria dos jogos apresentavam em relação a este quesito. Chrono, conforme a aventura vai se desenrolando, vem a conhecer novos companheiros, cada um buscando uma conquista pessoal, porém no final o objetivo de todos é o mesmo: derrotar Lavos, a fera que está adormecida embaixo da Terra. Para tanto, Crono e seus amigos vão viajar por diversas eras, desde a pré-história até o futuro, onde nos é apresentado o que acontece se Lavos não for derrotado: um mundo completamente destruído após o apocalipse (chamado de Day of Lavos no jogo).

Lavos

A trama é muito bem apresentada durante o jogo, em cada época que o jogador visita, ele vê traços do que acontecerá em breve, desvendando, por exemplo, como Lavos chegou à Terra.  Ele chegou até mesmo a ser invocado por Magus, um dos personagens mais badass de todos os tempos. Magus é um personagem enigmático, de poucas palavras e bastante fechado. Chega a fazer parte da equipe de Crono e seu poder de magia é extremamente forte. É um personagem ambíguo, que faz o jogador ter raiva ou adoração por ele, visto que é um inimigo (pessoalmente do Frog) em primeira instância.

Magus

Caso o jogador derrote Lavos, o apocalipse não acontece e o jogador assiste a uma das várias seqüências finais do jogo, conforme foram seus atos durante o jogo. Chrono Trigger é certamente um exemplo de enredo a ser seguido, cheio de reviravoltas, viagens no tempo, dentre outros, tudo com uma trama extremamente bem amarrada, divertida e bem estruturada. É um dos enredos mais sólidos dos videogames.

Em relação à jogabilidade, é aí que entra o caso do Action e do Wait. Se o jogador quiser ir pelo Action, o jogo será mais voltado à ação nas batalhas, como o nome do modo já diz. Os inimigos, então, não esperarão pelas suas decisões durante o seu turno, o que torna as batalhas bem mais rápidas e exigem mais experiência do jogador em relação a RPG (pode-se ver, portanto, que eu comecei na dificuldade errada e falhei miseravelmente na primeira locação). Caso a escolha seja Wait, os inimigos vão esperar pelas suas decisões, o que torna o jogo ligeiramente mais fácil.

As batalhas são baseadas em turnos, tendo cada personagem da equipe do jogador que aguardar uma barra de ação encher para poder executar o golpe. Cada personagem possui um tipo de arma diferente, por exemplo, enquanto Crono sempre empunha espadas samurai, Lucca prefere as armas de fogo, Marle o arco e flecha, etc.

Outro adendo importante são as magias: cada personagem possui um tipo de magia diferente, seguindo o exemplo das armas. Crono usa magias de Raio (Lightning), Marle usa da água (assim como Frog), Lucca do fogo. O engraçado nesta parte é o robô que não possui nenhum tipo de magia, pois é, ahn… um robô. Mas isto não impede que ele tenha técnicas, assim como todos. O mais legal das magias é o sistema de Dual Tech e Triple Tech, que são magias executadas em conjunto, que gastam bastante MP, porém faz um dano bem maior do que o comum. A exemplo da capa, aquilo que está sendo executado é um Dual Tech, mesmo que Marle jamais lance um raio para a espada de Crono durante o jogo todo. Ainda assim a capa é legal!

Sistema de batalha em Chrono Trigger

Conforme ocorrem as batalhas, a cada vitória a equipe inteira de Crono ganha pontos de experiência, o que permite a subida de nível. Talvez seja um ponto negativo não poder customizar aonde queremos que os pontos sejam distribuídos: o jogo os distribui automaticamente para o jogador. Eu acho melhor assim, não sou muito de customização, sinceramente.

A exploração do jogo é muito bem constituída e recompensadora. Os mapas das áreas de Chrono Trigger são muito bem feitos e permitem que o jogador ande livremente por todo o cenário, entrando em salas onde há tesouros escondidos (bem como armadilhas). O jogador deve realmente procurar vasculhar todos os cômodos de todas as áreas, pois pode estar esquecendo algum item que pode muito lhe ajudar, como, por exemplo, uma nova espada para Crono ou um acessório que melhora a magia de algum personagem. As lojas também são muito importantes e o jogador deve sempre manter um estoque cheio de poções e itens para a recuperação dos status e da magia.

Mapa de Guardia em 1000 AD

Como já foi dito, os cenários do jogo são criativos. Isto pode ser percebido por causa do excelente trabalho de arte realizado no jogo. Na época eu nem me prendia a gráficos (na verdade, eu nem prestava atenção nisso), mas hoje eu percebo como Chrono Trigger é belo para um jogo daquela época. Claro que ele não é Donkey Kong Country, porém a arte se faz presente e os gráficos são agradáveis e coloridos. A animação dos monstros é muito bem feita, bem como a dos personagens, que, quando atacam, atacam mesmo e não simplesmente se mexem para frente e para trás e, então o inimigo toma o dano sem o personagem sequer encostar nele. Quando Crono ataca, ele passa a espada pelo inimigo, de fora a fora.

O trabalho sonoro é marcante e as músicas ficam na cabeça por horas. O destaque vai para o tema principal do jogo, aquele que toca durante a intro que eu tanto pulei quando era criança. Hoje eu nunca pulo esta intro, do tanto que eu gosto dela.

(Corridors of Time, música do jogo)

Resumindo, Chrono Trigger é um jogo marcante e deve ser jogado por todos que querem entender o que é um bom RPG, bem estruturado e cheio de minúcias, com um enredo grandioso, uma jogabilidade viciante e uma trilha sonora excelente de se ouvir. Recomendado a todos!

Personagens de Chrono Trigger

Uma curiosidade: há um tempo atrás um grupo independente iniciou a produção de um projeto chamado CHRONO TRIGGER RESSURRECTION. Era uma espécie de remake do original, porém a Square impediu que o grupo continuasse produzindo, então o projeto foi cancelado.

Chrono Trigger Ressurrection

E eu não poderia ter escolhido jogo melhor para abrir a sessão EPOCH – THE TIME MACHINE, visto que Epoch é o nome do veículo capaz de atravessar as barreiras do tempo em Chrono Trigger. Viajar na Epoch é maravilhoso.

Epoch

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6 pensamentos sobre “[Epoch – The Time Machine] Chrono Trigger

  1. Chrono é sem duvidas “O” clássico dos rpg’s, é um jogo que não tem o que melhorar, trilha sonora perfeita , história extremamente envolvente (ri, chrora, chora de rir, fica ansioso, relutante, você joga horas e não percebe), revolução em interatividade, e mesmo com o gráfico de época, voce ainda “viaja” numa boa quando joga…sem falar que Aquira Toriyama(Montanha dos passáros, Tori passáro, Yama Montanha), embora tenha um traço de mangá infanto-juvenil, e faça os personagens sempre iguais (ele mesmo admite, que só muda roupas e cabelor que não sabe desenhas rostos diferentes, compare:Drangon Ball;Dragon Quest;Blue Dragon;Dr. Slamp;Chrono Trigger;e os “one shots”) é um excelente progetista de prédios naves armas e etc (sempre são referencia, seja em questão de anime ou de jogos), para jogos e animes, alias, pessoalmente acho o trabalho dele (a parte gráfica pelo menos) melhor para jogos que animes…bom, só teve cara foda, o jogo é foda e é isso…

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