[Neto’s Review] Batman Arkham Asylum

“Welcome to the Madhouse!”

Capa do jogo

ENREDO

O Coringa armou uma cilada para o Batman e arrumou uma rebelião dentro do Arkham! Sim, este é um resumo muito simplificado, porém conciso do que acontece em Batman Arkham Asylum. No jogo o jogador é, obviamente, o Batman (no PS3 é possível ser o Coringa, mas não vou me prender a este, pois nunca joguei sendo o vilão), o tão famoso Homem Morcego, personagem criado quando nossas avós ainda iam em bailes de carnaval.

Coringa no início do seu plano

Batman já esteve presente de várias formas, seja em quadrinhos, desenhos animados ou filmes. O herói já teve seu lado cômico, como naquele antigo seriado, onde cada soco e chute dado víamos explodindo na tela vários “SOC”, “POW”, dentre outras onomatopéias. O lado mais badass do super herói sem nenhum super poder (o que faz ele ser ainda mais badass) é provavelmente aquele apresentado nos dois últimos filmes oficiais sobre o universo do Homem Morcego: em Batman Begins e em O Cavaleiro das Trevas. Arkham Asylum nos traz uma versão mais próxima destes dois últimos filmes, onde vemos um jogo escuro, um Batman silencioso, que prefere ser um predador silencioso do que um mero fanfarrão que desfere socos e chutes a toa.

O enredo, porém, nem chega aos pés das duas super produções cinematográficas. Infelizmente, a história de Arkham Asylum beira o clichê, com o Coringa manipulando toda a operação de do hospício, fazendo da vida de todos um inferno. É um enredo adulto, no entanto, cheio de mortes, torturas, dentre outras coisas que nós sabemos que o nosso amigo Coringa adora.

Não se deve, porém, analisar o enredo de Batman Arkham Asylum somente pelo grosso da história. O jogo possui suas minúcias, seus momentos épicos, principalmente aqueles momentos onde o Espantalho está envolvido. Dirigir o todo poderoso cavaleiro das trevas encarando seus traumas infantis não tem preço. O destaque fica para a cena onde Batman é levado a reviver o dia da morte dos pais.

Outro destaque é o número de vilões clássicos presentes no jogo, o que traz bastante variedade e aguça o jogador a querer avançar no jogo para enfrentar seu inimigo favorito (se ele estiver presente). Um vilão interessante é o Charada, que mantém contato com o jogador o tempo todo, propondo charadas (uau, sério?) para que o jogador explore bastante o cenário.

JOGABILIDADE

Este é, provavelmente, o quesito onde Batman Arkham Asylum vence e se faz grande. E, quem sabe, se faz o melhor jogo de super herói de todos os tempos. A variedade em Arkham Asylum é grande.
Arkham Asylum é um jogo, acima de tudo, linear, porém conta com um cenário bastante grande. O jogador, a todo momento, tem seu objetivo apontado no mapa (que pode ser acessado a qualquer momento). A forma como ele vai chegar até lá geralmente é só por um caminho. Rotas alternativas são praticamente inexistentes. Isto não faz do jogo desagradável, apesar de grande parte dos jogadores de hoje em dia reclamarem de linearidade. Com uma movimentação bastante fluída e com várias formas de se mover pela sala (desde simplesmente andando, até por possibilidade de se viajar pelo teto, usando a Grappling Hook por gárgulas), andar do ponto A ao ponto B em Arkham Asylum é bastante prazeroso.

Batman sobre uma gárgula

Conseqüentemente, o jogador virá a encontrar vários inimigos. Geralmente eles vêm em grupo. Com o desenrolar do jogo, inimigos mais fortes, com diferentes armas aparecerão. O combate em Arkham Asylum é, assim como sua movimentação, bastante fluído e até mesmo intuitivo. Nunca foi tão legal desferir socos e observar finalizações em um jogo de super herói. Enquanto o jogador está desferindo um milhão e quatrocentos e cinqüenta e dois mil socos em um inimigo, outro se prepara para atacar o cavaleiro das trevas. É aí que entra o CONTRA ATAQUE de Batman, uma excelente adição ao jogo, o que torna o combate muito mais fluído e bacana de se realizar. Arkham Asylum é certamente um jogo onde você não vai querer simplesmente passar correndo pelos inimigos, pois seu combate é muito divertido. Estes dois são os golpes convencionais: ataque normal e contra ataque. O jogador, porém, por diversas vezes, encontrará inimigos com a capacidade mental maior do que a de uma criança de um ano e meio que defenderá suas investidas. Batman possui um ataque que utiliza sua capa, atordoando o inimigo, fazendo-o, assim, vulnerável aos seus ataques. É possível (e muitas vezes necessário), também, utilizar o Grappling Hook nos lunáticos, trazendo-os para perto e, então, executando os combos, que são contados conforme seus hits sobre os adversários. É possível também o uso de Bat Rangs, aquele acessório com o formato do símbolo do Batman, que o herói atira contra os inimigos. Quanto mais perfeito for a execução do combate do jogador, mais pontos de experiência Batman ganha e, com isto, pode-se comprar, a cada nível subido, um upgrade, seja ele para a sua armadura, adicionando mais pontos de vida ao cavaleiro das trevas, ou para seus equipamentos.

Combate em Arkham Asylum

Nem só de batalhas frente a frente vive Batman. Muitas vezes a melhor estratégia é pelo caminho do silêncio, do stealth. Isto funciona muito bem em Arkham Asylum. Não adianta ir de encontro a um inimigo equipado com uma arma de fogo, por exemplo, pois é praticamente suicídio (Batman perde muita energia neste caso). A melhor estratégia, portanto, é pegar o inimigo pelas costas, executando um golpe silencioso, pondo o inimigo para dormir (para sempre, no caso). Ou ir de gárgula e gárgula, utilizando a grapple, pegando os inimigos desprevenidos e pendurando-os (é necessária um upgrade para este movimento). O stealth pode falhar, no entanto. Se um inimigo equipado com uma metralhadora te vê, ele começará a atirar. Não se preocupe: é só jogar a Grappling Hook para cima e esquivar de gárgula em gárgula até que o inimigo perca você de vista. Mas será grande o número de vezes em que o jogador morrerá neste caso. Portanto, faça o possível para não ser visto.

O cavaleiro silencioso

As Boss Battles são bastante diferentes entre si, o que traz mais variedade ainda ao jogo. Cada boss requer um jeito diferente de combate. É impossível derrotar Bane da mesma forma que se derrota Poison Ivy, por exemplo.

Killer Croc, um dos chefes do jogo

Batman conta, para a exploração do cenário e execução de estratégias de abordagem nos inimigos, com muitos de seus equipamentos extremamente caros (e extremamente úteis). O jogador, conforme o passar do jogo, ver-se-á na necessidade de, por exemplo, explodir uma parede. Batman possui um gel explosivo (ele é tão rico que possui um gel que explode), que é aplicado sobre estruturas frágeis e, com um toque no botão do comando, a parede (vamos supor que a estrutura frágil seja uma parede no caso) cai, com uma pequena explosão. Outras adições são a grappling hook, um detector de sinais que faz com que sistemas de segurança caiam e o jogador possa acessar portas trancadas anteriormente, dentre outros. Talvez o acessório mais utilizado seja a visão de raio-x.

Batman usa seu Gel Explosivo

E é a visão de raio-x uma tortura muitas vezes. O jogador ver-se-á utilizando este acessório a maioria das vezes. Fica fácil, desta forma, enxergar onde estão os inimigos, onde estão os reféns, onde há uma porta, onde há uma estrutura frágil. Não que isto seja de todo ruim, muito pelo contrário: é bom para bolar estratégias. Mas cansa sempre ficar em uma visão toda azulada, vendo o esqueleto das pessoas em grande parte do jogo (além do que isto talvez estrague a beleza e a riqueza dos cenários).

A maior variedade do jogo acontece nos combates contra o Espantalho, onde é apresentado em sua maioria um cenário com jogabilidade 2D side-scroller. Nestes estágios, Batman deve sempre se esconder do raio de visão do Espantalho. Se ele ver nem que seja a ponta da capa do cavaleiro das trevas, é o fim da linha, tela de game over aparece com palavras de pouco carinho do nosso amigo que adora um gás alucinógeno.

Game Over

O jogo apresenta vários extras, constituídos de Desafios que podem ser acessados pelo menu principal. Quando terminado o jogo, Batman volta para o Arkham e lá pode fazer tudo o que foi deixado para trás, principalmente pegar Riddler Trophies esquecidos durante a campanha do jogo ou para matar as charadas do Charada.

SOM

O trabalho sonoro em Arkham Asylum foi levado a sério. Excelentes dublagens, principalmente em se tratando da voz grave de Batman, ou nas risadas do Coringa e no seu jeito esganiçado de ameaçar tanto Batman quanto o povo de Gotham.

O som ambiente também é excelente, ouve-se sons de chuva, de trovão e etc, tudo bastante verossímil (não, não faz TIGAU-GAU). Os sons dos golpes também são excelentes, ajudando ainda mais na diversão que é dar uma surra nos lunáticos.

A trilha, assim como nos filmes, é toda orquestrada, o que é excelente, porém esta se faz bastante sutil, casando com o ambiente. Foi deixada em segundo plano a trilha sonora, ela não aparece diretamente, não é possível ouvi-la diretamente a todo momento. Talvez seja ruim este ponto, pois Batman pede por uma trilha mais presente. Por outro lado, isto ajuda no clima de desolação e caos no qual o asilo se encontra.

(Música tema de Batman Arkham Asylum)

GRÁFICOS

Muita dedicação ao cenário, mas pouca dedicação aos personagens, principalmente em cut scenes que usam os gráficos in-game. Os personagens são praticamente sem expressão alguma. Um personagem assustado é exatamente igual a um personagem feliz, por exemplo. A única expressão bem trabalhada talvez seja a do Coringa. As CGs, que não são muitas, são muito bem feitas e têm tomadas dignas de cinema.

CG do início do jogo

Coringa sorrindo... mas ele está sempre sorrindo com esta maquiagem!

O cenário, porém, é muito bem trabalhado e o trabalho de física do jogo é soberbo. Neste ponto, Batman Arkham Asylum prova que um jogo de super herói tem tudo para ser também um super jogo enquanto na montagem do cenário, o que só faz aumentar o clima caótico e insano que o jogo nos quer apresentar.

Chuva em Arkham Asylum

Arkham Asylum é um jogo escuro e usa isto a seu favor: a iluminação é soberba durante todo o jogo, a transição de um local extremamente escuro para um extremamente claro é muito bem feita. Talvez não seja a melhor iluminação da geração, mas certamente é uma das melhores, o que eleva ainda mais este jogo ao nível de uma super produção.

VEREDITO

Batman Arkham Asylum é um jogo que vem para provar que nem todo jogo baseado em super herói precisa ser, necessariamente, uma porcaria, como muito se vê por aí. Não é meramente um Batman que foi digerido e, posteriormente, vomitado para o jogador. Arkham Asylum procura construir um universo único, independente de tudo o que já foi feito sobre Batman, porém respeitando todos os limites que fariam os mais fanáticos de Batman se rebelar caso fossem transgredidos. É um must play da geração, um dos melhores já feito, com uma das jogabilidades mais viciantes e legais da geração. Infelizmente o enredo é bastante clichê (acho que eu estou mal acostumado depois de Batman Begins e O Cavaleiro das Trevas) e as expressões faciais são simplesmente inexistentes. Tudo isto pode ser relevado, no entanto, pois é um jogo desafiador, com escolhas de dificuldades e bastante variado, com bastantes recompensas para o jogador que desejar completar 100% do jogo, como liberação de perfis dos personagens, dentre outros.

Batman Arkham Asylum está disponível para Xbox 360, Playstation 3 e PC.

Batman e Coringa

NOTAS

ENREDO: 7,5/10,0
JOGABILIDADE: 9,5/10,0
SOM: 8,5/10,0
GRÁFICOS: 9,0/10,0
NOTA FINAL: 9,2/10,0

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2 pensamentos sobre “[Neto’s Review] Batman Arkham Asylum

  1. Pingback: [Neto's Review] Batman Arkham Origins | Jogador Pensante

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