Exclusivo para PSP, o título é continuação direta de Trails in the Sky, mas situado em outro local. O jogo traz inúmeras referências e até mesmo participação de personagens da trilogia “Sky” por conta disso.
Estelle e Joshua em Crossbell
O jogo mantém o gameplay base da série, mas traz inúmeras mudanças e evoluções, como um sistema de combate mais dinâmico e completo, dificuldade melhor balanceada e progressão menos linear e limitada, mas o principal destaque vai para o enredo: Trails of Zero apresenta os protagonistas Lloyd, Ellie, Tio e Randy, policiais de Crossbell, com uma narrativa complexa e envolvente, elenco bem trabalhado e trama política-policial com muitas reviravoltas, levando jogador pra dentro de seu universo e mantendo o alto nível até o último momento de jogo. Diferente de Trails in the Sky FC, o jogo conclui a história satisfatoriamente, mas aberto para continuação, e não aquela agonia de ver o jogo terminar praticamente no clímax.
Apresentação de dançarinas em Crossbell
Em termos técnicos, o jogo se mostra um pouco melhor que a trilogia anterior em gráficos, mas muito melhor artisticamente, graças ao ótimo trabalho combinado de cenários e câmera, deixando a jogatina ainda mais envolvente. Outro ponto que ajuda bastante a dar todo o clima necessário aos momentos é a trilha sonora, um grandioso trabalho de mais de 70 faixas bem variadas, se mostrando até então, o melhor trabalho da Falcom.
O trabalho da empresa japonesa não foi apenas bem recebido pela crítica, como também foi bastante premiado em terras japonesas, incluindo um dos mais importantes eventos do arquipélago: o Japan Game Awards.
Trails of Azure
Em 2011 chega a conclusão da saga “Crossbell”, iniciada em Trails of Zero: The Legend of Heroes: Trails of Azure. Assim como seu antecessor, o título foi também premiado, e ainda antes de ser lançado, também pela Japan Game Awards como o título mais aguardado do ano.
Assim como foi Trails in the Sky SC para FC, Trails of Azure é uma evolução em todos os sentidos em relação a Zero. A começar pelo enredo, trazendo muitos personagens da trilogia anterior, do jogo anterior e introduzindo ainda mais alguns novos, fazendo com que o elenco seja enorme, mas nem por isso pouco trabalhado – muito pelo contrário. A trama se aprofunda ainda mais ao tema político, com muitos jogos intelectuais e uma maratona alucinante de reviravoltas imprevisíveis, acorrentando mais uma vez o jogador – e dessa vez mais apertado, ao universo do título.
Um certo bardo amante de coisas belas, dançando com Mishey, o gato-mascote da cidade.
Em termos de gameplay, o jogo também não deve em nada. Trails of Azure não comete o mesmo erro da trilogia Trails in the Sky, onde as continuações reciclavam constantemente as dungeons. Apesar de se passar na mesma cidade, o jogo sempre leva os personagens a calabouços inéditos, reduzindo bastante a sensação de dejá-vu. O título oferece também ainda mais mecânicas e conteúdo opcional, como o sistema de Burst, uma espécie de barra de “Limit Break” da série Final Fantasy, que quando ativado, faz o grupo ter 6 turnos consecutivos e mais outros benefícios, e um melhor sistema de fast travel através de um veículo, que inclusive pode ser customizado em aparência e alguns dispositivos de recuperação de energia. O jogo oferece até mesmo um mini-game similar ao clássico Puyo-Puyo.
O carro da trupe
Uma das maiores novidades do título fica com as Master Quartz. Essas pedras especiais não apenas possuem propriedades únicas e aumento de status mais poderosos que os quartz comuns, como também evoluem junto com os personagens e concedem magias exclusivas de cada elemento, aumentando ainda mais o leque de recursos de customização do jogador. Mas nem tudo são flores, já que, com o aumento dos benefícios, a dificuldade também foi aumentada, levando os jogadores a enfrentarem muitos chefões, de difíceis a quase impossíveis, exigindo ainda mais de senso estratégico e administrativo.
Orbment, chamado agora de Enigma, e a Master Quartz
Todo esse conteúdo não poderia estar sem o acompanhamento de uma boa trilha sonora: Trails of Azure possui músicas inéditas, muitas delas com ênfase em piano e/ou violino, assim como faixas já usadas em Trails of Zero e faixas remixadas, totalizando mais de 100 músicas em seu repertório e se tornando o trabalho mais grandioso da Falcom em termos de sonoplastia, em todos os sentidos.
Trails of Azure termina toda a trama da saga Crossbell e já abre espaço para mais acontecimentos em Zemulia, o continente do universo Trails. Será que veremos um “The 3rd” em Crossbell? Ou será que teremos diretamente um The Legend of Heroes VIII? Ficamos à espera do próximo título da Falcom, sendo ou não um Trails, pois a empresa já provou o mais importante: que sabe fazer jogos incríveis.
Nome: The Legend of Heroes VII: Trails of Zero Produtora: Falcom Gênero: JPRG Plataforma(s): Playstation Portable, PC (apenas na China), Playstation Vita (Evolution) Versão analisada: Playstation Portable, japonesa
Uma nova trilha
The Legend of Heroes VII: Trails of Zero (Eiyuu Densetsu VII: Zero no Kiseki no Japão) é o primeiro jogo da saga Crossbell, que por sua vez, faz parte da sub-série Trails, a mesma da trilogia “The Legend of Heroes VI: Trails in the Sky“. O jogo se passa alguns meses após a trilogia anterior, e em outro país.
Começando do zero?
Trails of Zero é o primeiro jogo da série a aparecer exclusivamente no Playstation Portable (existe um port para PC, apenas na China, e um remaster para Playstation Vita lançado em outubro de 2012). Mas não é porque ele deixou de ser feito para PC que a qualidade caiu, muito pelo contrário.
O jogo conta com cenários poligonais e câmera fixa, fazendo com que o fenomenal trabalho artístico fique em evidência. O título possui muitas pegadas de câmera que fazem os belos cenários de fundo aparecerem, assim como todos os minunciosos detalhes do ambiente. Tecnicamente, Trails of Zero de certo não é o melhor trabalho comparado a títulos de empresas grandes, mas apesar de básico, o resultado é bem satisfatório, com a presença discreta de serrilhados (o inimigo natural do portátil), loadings rápidos e elementos 2D bem detalhados, com movimentação fluida.
A trilha sonora de Trails of Zero possui mais de 70 faixas de alta qualidade e de grande variedade, indo do rock à orquestrada, tudo dependendo da situação. Até então, a sonoplastia do jogo é o melhor trabalho da Falcom, produtora que sempre deu bastante atenção a essa área em seus jogos.
O jogo conta ainda com algumas cenas e situações dubladas. Mas esse aspecto de jogo é tão raro que acaba sendo mais um ponto negativo que positivo, pois ver um momento dublado a cada 100 dá a impressão de que não fizeram mais para cortar custos.
Story RPG
Falcom, a produtora do jogo, faz questão de chamar Trails of Zero de “Story RPG”. E essa obsessão não é a toa.
Trails of Zero conta a história de Lloyd Bannings e seus colegas da “S.S.S.”, ou “Seleção Especial de Suporte ao cidadão”, divisão da polícia de Crossbell, uma cidade independente de Zemulia, o mesmo continente por onde se passou a trilogia Trails in the Sky. Crossbell passa uma sensação no mínimo interessante de “anos 60″ e tecnologia atual em um mesmo ambiente.
O jogo tem basicamente dois pontos de narrativa: enquanto de um lado o jogador é apresentado ao dia-a-dia da divisão, resolvendo casos e se aprofundando em relacionamentos sociais, do outro é apresentado todo o background do jogo, a densidade da trama e as extensões colossais proporcionadas pelo universo “Trails“. Esses dois aspectos, que de início parecem até distintos, aos poucos vão se encontrando e se entrelaçando ao longo da jogatina, resultando em uma narrativa mais próxima de outros meios de entretenimento e literatura, e tão bem executada quanto.
O enredo de Trails of Zero é outro ponto a ser destacado, pois é bem diferente das tramas convencionais do gênero. Devido ao tema, algumas mecânicas de jogo e a ambientação, o jogo puxa a história muito mais para um thriller policial que para fantasia. Os mistérios, os pensamentos dos personagens, a quantidade massiva de informações apresentadas e abordagem de diversos temas políticos reais como corrupção e envolvimento de líderes estatais com o crime organizado não apenas fazem o jogador mergulhar de cabeça nos acontecimentos, como também o faz pensar as vezes que está jogando algo de outro gênero, como o point-and-click e seus jogos de detetive, ou mesmo outra mídia, como um seriado para a televisão, de tão denso e bem detalhado que o título é.
Em termos de personagens, o título com certeza não passa por dificuldades. Trails of Zero tem um elenco com dezenas de personagens, desde jogáveis a NPCs menos importantes. Além de todo o sólido background apresentado para os principais e personalidades bem trabalhadas para toda a trupe, o jogo carrega um interessante sistema, onde o jogador escolhe se quer saber mais sobre os habitantes de Crossbell – constantemente o jogo oferece cenas, situações e falas únicas para uma passagem limitada de tempo da trama, e se o jogador quiser obter mais detalhes sobre algum assunto ou do cotidiano de alguém, é preciso estar sempre atento ao redor, conversando com as pessoas e/ou realizando tarefas sempre que possível.
Apesar de ser uma nova trama, Trails of Zero exige uma noção básica da trilogia Trails in the Sky, se não quiser ficar por fora de inúmeros eventos envolvendo personagens e situações da mesma.
A luta da S.S.S.
Trails of Zero é um JRPG que se desenrola basicamente dentro da cidade de Crossbell e seus arredores. Ao contrário de Trails in the Sky First Chapter, onde a progressão era um tanto linear e limitada, em Trails of Zero o jogador pode andar livremente por todas as áreas do jogo, uma vez que as mesmas são liberadas, fazendo com que o jogador tenha um controle melhor de exploração e andamento de jogo.
O jogo é basicamente uma ligação de várias localidades, que divididas em três distintas, são elas: dungeons, estradas e Crossbell/vilas. As dungeons são uma das principais atrações do jogo – além de numerosas e de boa duração, todas elas possuem um excelente design, proporcionando um bom desafio e sensação de exploração. As estradas também possuem seus pontos positivos, pois são basicamente dungeons mais curtas e simples, sendo possível até mesmo encontrar itens caídos no caminho através de pontos brilhantes. Já para as vilas/cidade, o destaque vai para a própria Crossbell e sua imensidão – o tamanho dela chega até mesmo a assustar os jogadores de início, e é preciso um bom tempo para finalmente decorar os principais pontos dela. Para se ter uma idéia, o tamanho dela é equivalente a todas as cidades presentes em Trails in the Sky, juntas. Felizmente, para tudo isso existem sistemas de fast travel: as estradas possuem pontos de ônibus para cortar longas caminhadas, assim como Crossbell possui um menu que possibilita “pular” de uma área da cidade para outra, apenas selecionando seus respectivos nomes.
Um dos maiores diferenciais da série Trails é o sistema de pontuação. Em Trails of Zero, de tempos em tempos o jogador é apresentado a situações que necessitam tomar uma atitude, que variam desde explorar áreas e interrogar personagens fora do que é exigido pela missão a deduzir algo, organizando informações colhidas através de palavras-chave durante investigações. O resultado dessas escolhas não somente alteram algumas conversas posteriores a esses eventos, como também recompensa o jogador que tomar as decisões certas com pontos extras ao término de cada missão, que por sua vez, concedem itens exclusivos ao acumular uma certa quantia. Paralelo a esse sistema, existem também momentos em que Lloyd precisa escolher um de seus colegas para fazer algum tipo de atividade. Aprofundar a relação com alguém, além de conceder uma habilidade combinada exclusiva entre os dois, revela também mais detalhes sobre o personagem escolhido. Ao contrário do que parece, esse sistema não leva o jogo para o lado dos “sim dates”, pois tem intuito de apenas explorar melhor os personagens.
O sistema de batalhas é um híbrido de Tactics tabuleiro com o clássico sistema de turnos do gênero. Em um campo retangular, o jogador pode mover os personagens através de pequenos quadrados e realizar diversas ações, como atacar, usar magias, habilidades ou mesmo fugir. O sistema em si é simples e não apresenta nada inovador, mas é muito bem executado. Existe uma barra no canto da tela representando a ordem de ação de todos que estão na arena. Junto a essa barra, corre paralelamente outra barra com vários bônus de batalha – quando um bônus coincide com o turno de alguém, o mesmo é ativado. O interessante é que esses bônus, que são coisas como recuperação de HP e dano crítico, podem ser usados tanto pelos personagens quanto pelos monstros, exigindo assim táticas adiantadas e muito jogo de previsões. Aspectos básicos do gênero como esquivar e acertar golpes se tornaram mais importantes que o normal em Trails of Zero, já que um golpe que não acerta o oponente automaticamente ativa um contra-ataque do mesmo, dando ainda mais ênfase a trocas de equipamentos e uso de magias e habilidades de suporte.
A diculdade do jogo é outro ponto bem executado. O balanceamento de poder de crafts e arts, as habilidades e magias respectivamente, é muito bem acertada, fazendo com que todos os personagens usáveis sejam igualmente úteis, mas ao mesmo tempo bem diferenciados. Além disso, o jogo é daqueles títulos onde quem aproveita mais do que o mesmo tem a oferecer, sofre menos em lutas decisivas. Para aqueles que fazem tudo e mesmo assim querem passar por apuros, o jogo oferece diferentes níveis de dificuldade antes de começar um novo jogo.
Para o sistema de customização, o jogo oferece uma variedade de opções: Os equipamentos podem ser comprados, melhorados com um material especial ou até mesmo forjados através de itens diferentes. Além do básico, há também o sistema de Orbment – nele, o jogador pode equipar quartz, pedras preciosas que possuem uma cor e uma propriedade cada, como pedras vermelhas que aumentam a força ou pedras azuis que aumentam o HP, por exemplo. O sistema não concede apenas aumento de status e habilidades de forma bruta, como também é a chave para a utilização de arts, as magias do jogo. O número, variedade e poder das arts dos personagens dependem de vários fatores: quantidade, cor e mistura de quartz na Orbment. O que deixa cada personagem ainda mais único é o fato de cada um ter uma Orbment diferente, como um deles que permite várias pequenas combinações, ou outro que exige que dois slots sejam usados para quartz azuis, por exemplo. Tudo isso faz com que a customização seja minunciosa e não fique empacada em apenas um modelo, pois os status, habilidades e arts bons para um personagem ou situação pode não ser bom para o restante.
O trabalho de hoje:
Trails of Zero tem uma duração média de 40 horas sem contar nenhum extra. Para quem quer fazer 100% do jogo, são garantidas mais de 100 horas de jogatina.
Além das missões de main quest, o jogo apresenta inúmeras side-quests, essas também bastante variadas, como matar monstros mais fortes ou buscar livros emprestados para a biblioteca da cidade. Assim como nas missões principais, as side-quests também utilizam o sistema de pontos.
O jogo possui também diversas atividades opcionais, como alimentar um gatinho e ganhar quartz raros em troca, trazer oferendas para um santo em troca de itens, enviar relatórios de monstros (completar o bestiário) para o quartel general em troca de dinheiro e itens, e até mesmo um cassino, citando algumas das inúmeras coisas que podem ser feitas.
Um dos pontos mais interessantes dos extras do jogo é o fato de ter muito conteúdo escondido nele, como conversas, side-quests, cenas e personagens, que o jogador só poderá ver se estiver no lugar certo, no momento certo, incentivando ainda mais a exploração dos quatro cantos do jogo.
O título tem ainda um sistema interno de conquistas, similar ao sistema de troféus do Playstation 3. É interessante notar que esse sistema é muito melhor executado que os de consoles de mesa, já que cada feito concede pontos, e com esses pontos, o jogador pode destravar diversos extras, como galeria de imagens, minigames e elementos que podem ser carregados para um “New game plus”.
Para completar, o jogo incentiva o New game plus de diversas formas. As duas principais seriam uma dungeon extra, disponível apenas na segunda rodada, e os eventos exclusivos de relacionamento entre Lloyd e um dos membros da divisão, que são ao todo três personagens e um por rodada.
O relatório do dia
The Legend of Heroes VII: Trails of Zero é o que todo fã de JRPG queria nessa geração: Gameplay sólido, amplo e prazerosamente bem balanceado, somado a um enredo com narrativa impecável, história incomum e muito intrigante, personagens com profundidade e um universo complexo, mas muito bem explorado. Muitos jogadores temem pelo futuro do gênero, mas, enquanto a Falcom se preocupar em fazer títulos desse nível, não haverá razão para preocupações.