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08
dez
12

[Neto’s Review] Far Cry 3

“A sociedade te ensinou a falhar. Não a natureza”

Poster de Far Cry 3

Poster de Far Cry 3

Turismo de aventura

Far Cry 3 é a nova aposta da Ubisoft na franquia. O anterior, Far Cry 2, foi um jogo um tanto mal recebido e com muitas falhas, momentos morosos e com bastante repetitividade. Ficar com um pé atrás com o novo jogo da série é o normal.

O enredo e o cenário de Far Cry 3 são totalmente diferentes e sem ligação com o anterior da série. Desta vez o jogo se passa nas Ilhas Rook, em algum lugar do Pacífico, provavelmente nas polinésias, mas nada disso é dito durante o jogo, então é impossível de se saber onde ficam as Ilhas Rook.

As ilhas são o local perfeito para realizar um belo turismo de aventura, principalmente skydiving. E é para lá que Jason, o protagonista do jogo, e seus amigos e irmãos vão para torrar as fortunas de seus pais. Mas eles não esperavam que isso terminaria muito mal, tudo porque as Ilhas Rook são o covil preferido de piratas e traficantes de escravos.

Vaas, o Rei da Floresta

Agora, imagine só a situação: um bando de playboy sequestrados e enjaulados para serem vendidos como escravos para qualquer um que queira comprar. E além disso, por um vilão claramente psicopata, chamado Vaas, um dos personagens mais detestáveis e carismáticos já criados algum dia para os videogames.

Perceba, Vaas não é um vilão comum que fala grosso e é diabólico porque tem um plano de conquista global. Ele tem uma voz esganiçada e que falha quando fica nervoso e parece se divertir com a crueldade e medo que causa nos seus cativos, sempre com frases de efeito e discursos sobre a loucura.

Vaas

Vaas

E é diante disso que Jason foge para a floresta, procurando se esconder de Vaas e recuperar seus amigos e seu irmão mais novo, mas para isso vai ter ajuda mística e muita tinta.

A Garça, o Tubarão e a Aranha

Toda a mitologia das Ilhas Rook giram em torno de um guerreiro poderoso que surgirá e conseguirá todas as tatuagens e livrará as ilhas de todo o mal que os piratas causam para a ilha. Jason surge como a possibilidade de ser o Neo de Far Cry 3 e ganha suas primeiras tataus (tatuagens) de um guerreiro Rakyat (o povo das ilhas) chamado Dennis.

Estas marcas de tinta no braço esquerdo de Jason Brody surgem como upgrades do jogo, baseados em pontos de experiência que se ganha fazendo as missões do jogo, matando inimigos, cumprindo side quests e afins. Há três trilhas distintas das tatuagens, baseadas nos três animais sagrados do povo Rakyat: a Garça, o Tubarão e a Aranha.

É importantíssimo o upgrade no jogo, visto que somente assim obtém-se mais barras de vida, ganha-se mais resistência, aumenta-se o poder das seringas curativas e ganham-se novas habilidades de matar inimigos, de aumentar precisão das armas e outros.

Tatau mostrada na skill tree

Tatau mostrada na skill tree

Essa skill tree não é tão grande e complexa quanto a de um Skyrim ou algum outro RPG, mas, entendendo-se que é um shooter, há muito o que se evoluir, o que é um tanto difícil haver em jogos do gênero. Isso é um ponto extremamente positivo, pois aumenta o conteúdo do jogo significativamente e também dá mais vontade ao jogador de cumprir objetivos secundários ou procurar matar os inimigos de formas menos convencionais do que somente um tiro no peito, visto que um tiro na cabeça dá mais pontos de experiência, bem como um assassinato silencioso dá ainda mais.

A civilização da caça e coleta

As Ilhas Rook são grandes. O jogo possui um mapa aberto gigantesco, mas que está recheado de animais selvagens. De primeiro, pode-se pensar que isso é uma bela de uma porcaria, porque, vai caçar para quê? Só para vender?

Mas não, Far Cry 3 conseguiu colocar bastante motivos para a caça. Além do upgrade da tatuagem, há também o upgrade de bolsas de inventário, coldres de armas, mochilas para carregar granadas e bombas, carteiras de dinheiro e etc. E para que isso ocorra, é necessária a caça de animais.

Cada região do mapa possui um grupo distinto de animais para caça. Por exemplo, para se obter determinado upgrade, requerem-se duas peças de couro de búfalo. E não, não vende nas lojas espalhadas pelo mapa. A única alternativa é ir até um local onde haja búfalos e caçar. Feita a caça, um simples acesso ao menu e pronto, aumenta-se a capacidade de carregar itens dentro da mochila (por exemplo).

Caçando

Caçando

Isso é bastante interessante, mas há horas em que fica difícil encontrar os animais em questão para caça, e é aí que entra a coleta de folhas e plantas medicinais.

O jogo possui vários tipos de seringas que podem ser feitas pelo jogador: de medicamento, de boost de caça, de exploração e de combate. Há vários tipos diferentes de folhas: verdes, amarelas, vermelhas, azuis… e cada uma produz uma seringa diferente, ou combinadas obtêm-se algumas seringas mais poderosas (mas não sempre). Portanto, há seringas de caça que permitem que Jason consiga sentir o cheiro dos animais, que aparecem destacados pelo cenário.

E não se preocupe: as Ilhas Rook estão infestadas de plantas, que aparecem diretamente no radar. Mas jamais se esqueça de ter sempre seringas de medicamento de prontidão e algumas folhas verdes guardadas, para o caso de acabarem… se curar nesse jogo é imprescindível.

O mapa da selva

O mundo de Far Cry 3 é enorme, e o mapa vem completamente fechado. E aqui um empréstimo de Assassin’s Creed não fez mal: há diversas torres de rádio espalhadas pelo mundo que, se escaladas e desativadas, garantem duas boas coisas ao jogador:

A primeira e mais importante é a liberação da visualização de uma grande área do mapa. Isso garante uma mobilidade mais fácil e possibilidade de ver as zonas de influência inimiga, áreas que são extremamente hostis ao jogador.

A segunda é a liberação de armas gratuitas nas lojas. Quanto mais torres de rádio liberadas, mais armas ficam gratuitas para o jogador. E isso é interessante, visto que dinheiro é um problema para se conseguir.

Torre de rádio

Torre de rádio

Liberado o mapa, é possível ver as zonas de influência dos inimigos. Essas áreas são perigosas para se caminhar, pois estão cheias de inimigos andando para lá e para cá, e vão atacar assim que verem. Para dar fim a essa influência, Jason deve exterminar todos os inimigos de algum posto avançado da área, que garantirá vários benefícios, o primeiro e mais óbvio é a erradicação da hostilidade da área; o segundo é a abertura de um ponto para viagem rápida (imprescindível em um jogo desse tamanho); o terceiro, por fim, é a abertura de um ponto de venda de armas e munições em cabines automatizadas dentro destes postos.

Jason Fisher Snake

Liberar estes postos avançados não é coisa fácil. O level design destas partes vão se intensificando conforme as missões vão se movendo para novas áreas. Não é obrigatório liberar estes postos, mas fazê-lo facilita muito, pois andar pelo mapa pode se tornar cansativo (apesar dos inúmeros veículos que o jogo apresenta).

Estes postos contêm vários inimigos que ficam rondando a área, prontos para atirar ao menor aviso de inimigo. Outro problema que Jason vai encontrar é que todos esses postos possuem alarmes, que servem para chamar reforços. Portanto, já deu para perceber que partir para o modo berserker é praticamente um suicídio, certo?

E é aí que fica clara a importância do stealth no jogo. Não é algo obrigatório, mais uma vez, mas fica como algo extremamente vantajoso. O primeiro passo é desativar o alarme sem ninguém perceber. E, se você for audacioso e cuidadoso o suficiente, vai eliminar todos como um verdadeiro assassino silencioso, o que vai te garantir um bônus muito maior por liberar o posto do que somente eliminar todos fazendo explosões e barulho demais.

O stealth de Far Cry 3 é bastante simples, porém funcional. Jason possui, para seu auxílio, duas coisas essenciais: uma câmera fotográfica e a habilidade de arremessar pedras. A câmera serve para marcar os inimigos no minimapa/radar e conseguir vê-los através das paredes. Simplesmente esconda-se e aproxime a lente da câmera nos inimigos e eles automaticamente serão marcados. Isso facilita bastante o seu trabalho de espião ninja.

Stealth

Stealth

E atirar pedras é crucial para desviar a atenção dos inimigos. Jogue uma pedra próxima de um soldado e ele vai desviar sua rota normal de patrulhamento e assim o jogador pode passar despercebido por ele, ou abre uma brecha para um nocaute silencioso, golpe em que Jason executa o inimigo com uma facada mortal.

Parece fácil, mas é bastante difícil, visto a quantidade de inimigos e o level design das fases, que faz isso ser bastante complicado de se realizar. Mas é uma daquelas coisas que, quando dá certo, o jogador se sente o Rei do Mundo, principalmente pelo bônus enorme de pontos de experiência que liberar um posto avançado silenciosamente, sem ninguém te notar, dá.

Além disso, vários postos possuem animais ferozes e predadores presos em gaiolas. Atirar nelas faz com que elas se abram e o animal vai sair atacando quem quer que esteja na frente (tenha certeza de que não seja você). Isso serve para desviar a atenção dos soldados e também para eliminar alguns (pode até eliminar todos, mas normalmente o animal vai ser morto antes de isso dar certo), abrindo o caminho de Jason para eliminá-los mais rapidamente.

Outra coisa interessante que pode ocorrer são eventos aleatórios de um bando de animais selvagens atacar o posto durante o assalto a ele. Isso ajuda muito e traz um sorriso ao rosto do jogador facilmente, pois é algo totalmente de repente, sem qualquer coisa para ativá-lo. Muito bom, mas que também ocorre raramente somente.

Vish!

Vish!

O livro da selva

Nas missões principais de Far Cry 3, Jason vai enfrentar os mais diversos desafios. Pegar alguma anotação que está com algum capanga, eliminar alguém, explodir um posto de combustível… há muita variedade de missões.

A maioria consiste em invadir e matar, seja silenciosa ou agressivamente. Possuir armas, granadas e munições fica sempre imprescindível, bem como ter seringas de medicação e de boost de combate.

Mas também há missões de dirigir um veículo enquanto algum companheiro dispara pela arma acoplada, e vice-versa também, depois disso subir em um avião e pular de para-quedas e muito mais. Tudo bem montado.

Incendiar a vegetação pode ser uma das possibilidades para eliminar inimigos. Mas o contrário também pode ocorrer.

Incendiar a vegetação pode ser uma das possibilidades para eliminar inimigos. Mas o contrário também pode ocorrer.

A dificuldade mesmo vai residir no level design. Far Cry 3 possui cenários muito abertos e os inimigos vêm por todos os lados. Achar um cover e decidir suas ações nesse momento é importante. A IA dos inimigos é um pouco fraca e eles não pensam muito em se esconder propriamente, e acabam sendo alvos fáceis, mas ao mesmo tempo Jason também fica vulnerável devido a esse cenário extremamente aberto.

Munição para as armas dificilmente será um problema, mas possuir várias armas diferentes, para determinadas situações, também se torna crucial, já que há grande variedade de inimigos: snipers, outros que vêm correndo em sua direção enquanto se ateiam um coquetel molotov, inimigos blindados com metralhadoras poderosas, cães que vão farejar Jason e atacá-lo e outros desafios. E isso retorna à necessidade de dar upgrade nas bolsas e mochilas, afinal, poder carregar somente duas armas em um jogo tão aberto pode ser complicado.

Pintando o sete

Far Cry 3 contém uma gama enorme de missões secundárias e desafios: entrega de medicamentos com tempo cronometrado, encontrar um inimigo e matá-lo ao modo Rakyat (com uma faca), matar determinado animal raro requerido, corridas com veículos e etc.

Nesse ponto, é possível perceber como Far Cry 3 é um verdadeiro parque de diversões. É um FPS open world extremamente recompensador e divertido, com muita coisa para se fazer além das missões principais. Muitas vezes vai-se deixar de lado o salvamento dos amigos de Jason para fazer alguma missão que pode dar uma boa recompensa. E explorar o cenário em busca de coletáveis também pode se provar divertido, com áreas escondidas e templos enterrados em cavernas, tudo devido aos visuais magníficos do jogo também.

Safari colorido

Far Cry 3 é um jogo extremamente colorido, com muito mato bem verde, um céu azul lindo e muito mais. A versão testada foi a de consoles, e nem é preciso dizer que a versão de PC tem um poder de mais de oito mil perto destas.

O jogo roda em um framerate estável, sem quedas bruscas, nem mesmo quando várias explosões ocorrem ao mesmo tempo. É um dos jogos mais bonitos da geração, com expressões faciais belíssimas e modelagem muito boa, apesar de alguns probleminhas, como uma vez vi um personagem andando flutuando a 2cm do chão.

As Ilhas Rook tem cenários de tirar o fôlego.

As Ilhas Rook tem cenários de tirar o fôlego.

Outro problema que pode incomodar são os constantes screen tearings (cortes na imagem) que o jogo possui, além de bastante serrilhado e texturas feias quando aproximadas muito.

Mas no geral, é um jogo belíssimo e o port para os consoles de Far Cry 3 foi um trabalho milagroso, a Ubisoft realmente tirou leite da pedra nesse caso, sinceramente.

Bú!

Bú!

Vozes e tambores

A dublagem de Far Cry 3 é simplesmente maravilhosa. O já citado vilão Vaas merece prêmios pela dublagem e atuação, sempre muito expressivo e carismático, mas os outros personagens não perdem por muito, os principais sempre têm dublagem e atuações muito positivas e interessantes.

Confira como foi dublar Vaas, nesse vídeo da Ubisoft. Legendado em português!

O jogo possui uma boa trilha sonora, com momentos com músicas extremamente excelentes, principalmente durante as missões, misturando um ritmo de tambor e de orquestras. Fora delas, como é de praxe nos dias de hoje, reina o silêncio e o som que se ouve é o da floresta, de veículos e afins.

Sangue, tiros e tinta

Far Cry 3 se provou um jogo com um conteúdo muito expressivo. Há muito o que se fazer pelas Ilhas Rook e tudo, absolutamente tudo, é divertido e recompensador. O enredo do jogo consegue prender o jogador por toda a sua extensão, se renovando com novos personagens e várias reviravoltas (como é de praxe em jogos de mundo aberto, especialmente os bons sandboxes), além de possuir um dos vilões mais carismáticos e odiosos de todos os tempos dos videogames.

A execução das missões principais têm alguns problemas e anticlimaxes, com batalhas importantes ocorrendo por meio de QTEs, porém com atmosfera muito interessante.  A IA dos inimigos também é um tanto ruim e o desafio maior vai ser mais para se manter vivo do que para conseguir acertar os alvos.

O trabalho para portar Far Cry 3 para os consoles também merece destaque, pois foi uma tarefa de titã, apesar de todos os problemas, como screen tearing e serrilhados.

Jason Brody

Jason Brody

O melhor: conteúdo e mais conteúdo, horas e horas de diversão pelas Ilhas Rook

O pior: IA fraca tira um pouco do desafio, mesmo no nível mais difícil

Nota: 9,0 (Parque de diversões)

28
nov
12

[Neto’s Review] Assassin’s Creed III Liberation

“Eles teriam me matado, levado meu coração. Eu nunca quis te deixar.”

Capa do jogo.

ENREDO

Assassin’s Creed III Liberation foi lançado no mesmo dia de Assassin’s Creed III, a última entrada da franquia nos consoles de mesa. Exclusivo para o carente PS Vita, Liberation era um dos títulos mais esperados pelos donos do portátil (e por fãs da franquia em geral), principalmente porque parecia, pela primeira vez, que a série estava finalmente sendo levada aos portáteis com seriedade. Será que é realmente isso tudo?

O jogo foca na protagonista Aveline de Grandpré, uma negra francoamericana que conseguiu escapar das garras do forte escravismo de Nova Orleans, tendo sido adotada por uma rica família após se perder de sua mãe. O jogo vai focar todo no tema de libertação dos escravos e intrigas de estado, com uma cidade dominada por exércitos espanhóis na maior parte do tempo.

Tela de apresentação do jogo.

O problema é que o enredo é muito confuso e não há muita ligação entre as cenas que tentam explicá-lo. Como todo Assassin’s Creed, há muita conversa, muita apresentação de personagens e tudo mais, mas tudo é feito com pouco carinho e cuidado nesse ponto.

A confusão do enredo é causada devido principalmente a essa falta de ligação citada. Aveline uma hora está no ponto A, e de repente vai para o ponto B, que está acontecendo algo com alguém que nem sabemos quem é, devido ao fraco desenvolvimento de personagem que o jogo tem.

É muito estranho e triste isso, visto que ser uma mulher pela primeira vez em Assassin’s Creed poderia render bons frutos para o enredo, mostrar um lado diferente, mas esse ponto é tão deixado de lado que soa enfadonho e chato. A história do jogo é facilmente esquecível e os personagens nem um pouco marcantes, apesar de Aveline ser a mais emotiva de todos os assassinos que um dia a Ubisoft já nos deu nas pontas dos dedos.

As ligações entre as memórias geralmente são essas imagens, tudo bem confuso e sem muita ligação no fim das contas.

A reconstrução histórica poderia ter sido bem melhor se o enredo tivesse sido melhor trabalhado. Essa coisa de brincar com a história sempre foi excelente em todos os jogos da franquia (pelo menos nos de mesa), mas dessa vez passa em branco… Nova Orleans parece apenas servir de palco para os acontecimentos e personagens históricos (se é que existem, já que a história da escravidão de Nova Orleans e seu domínio pelos espanhóis me são desconhecidos) passam despercebidos, muito diferente do resto da série.

Há algumas coisas interessantes em relação ao enredo, no entanto, como a verdade estar escondida por uma espécie de pessoa-bug do Animus acessado e, se essa pessoa for morta, a verdade sobre determinada cena será revelada e isso pode causar boas reviravoltas.

JOGABILIDADE

Assassin’s Creed III Liberation é um jogo open world com duas áreas principais: a cidade de Nova Orleans e o Pântano.

O jogo possui diversas missões pelas muitas “memórias” acessadas de Aveline. O básico aqui, como nos outros Assassin’s Creed, será escalar, matar e lutar.

Escalar é bastante fácil e funcional, praticamente idêntico ao dos jogos de mesa, com um bom adendo de um chicote que pode fazer a personagem pular mais longe se necessário de uma plataforma para outra. E todos sabemos que escalar na franquia Assassin’s Creed é essencial.

Sim, é claro que há os famosos “View Points”.

Agora, a parte do combate do jogo já não é tão legal assim. O combate do jogo é baseado em contra ataques, e o problema principal aqui é que a mecânica funciona muito mal. O jogo tem problemas em detectar se você apertou ou não o botão no momento certo, e acaba-se apanhando muitas vezes, tentando apertar na hora certa (que incrivelmente é a hora errada). Pode esquecer, você não vai pegar a manha, porque não há uma. Houveram horas que eu achei que tinha pegado o timing, mas não, o jogo simplesmente ri na sua cara e você toma espadadas, machadadas e tudo mais, então simplesmente é mais fácil ficar apertando bolinha sem parar para evitar tomar um dano, até que chega um inimigo em que você for obrigado a bloquear seu ataque para conseguir encontrar uma brecha para o ataque. Triste.

A maior adição para a jogabilidade é a troca de roupas que a personagem possui. Há três vestimentas diferentes: a de dama, de escrava e de assassina. Cada uma possui suas peculiaridades: a de dama pode seduzir homens para te proteger e subornar guardas, a de escrava se disfarça entre os trabalhadores e escala melhor, e a de assassina pode manipular mais armas. Tudo isso poderia ter sido muito mais bem explorado e poderia ter tido mais vantagens de se usar uma roupa ou outra. No fim das contas, usar a dama será um saco pois ela é lenta e não pode escalar, e usar a escrava ou a assassina é quase como trocar seis por meia dúzia…

Escrava Aveline

Agora, quanto ao que fazer em Nova Orleans além das missões… bem, não há muito. Há algumas side quests espalhadas, normalmente para encontrar e matar um alvo, há alguns coletáveis para serem roubados de transeuntes, lojas para comprar roupas ou armas, câmaras para se trocar de roupa para serem compradas… mas ainda há algo pior… há o Pântano.

O Pântano é um lugar claramente pensado como a Fronteira de Assassin’s Creed III. Esta última é um verdadeiro playground para o jogador, com caça, missões diferenciadas, fortes para serem liberados e muito, mas muito mais mesmo… já o Pântano é pura chatice. Possui side quests de eliminar inimigos e nada muito mais do que isso. E é uma área grande e infinitamente chata (e ah, não há sistema de fast travel no jogo), a movimentação por um terreno alagado é péssima, apesar de existirem as árvores para uma melhor transitada pelo local.  Há alguns coletáveis por aí, como ovos de crocodilo para serem pegos, mas, a não ser que você seja alguém que tem sede de fazer 100% em todos os jogos, não há motivos para ir atrás disso.

No final das contas, o conteúdo de Assassin’s Creed III Liberation é extremamente pobre, apesar de haver missões principais bastante diversificadas e algumas (poucas) bastante empolgantes.

Mas o pior de tudo fica a cargo do gimmick forçado pelo jogo. Sabemos que o PS Vita é um videogame com funções motion, touch (frontal e traseiro) e com câmera. E a aventura de Aveline tentou utilizar absolutamente tudo. Mas isso é absolutamente muito chato, principalmente alguns puzzles onde deve-se girar o Vita para fazer uma bolinha passar pelo labirinto (frustração é pouco para a imprecisão dessa parte) ou encontrar uma fonte de luz forte e apontar a câmera do Vita para que apareça algo escrito em uma carta (se você estiver jogando e faltar energia na sua casa, pode fechar o jogo e ir brincar de pogobol).

Não, por favor, não…

SOM

Primeiramente, a dublagem. É o ponto mais alto do jogo, uma dublagem forte e com muita personalidade. É muito bom ouvir as conversas em inglês permeadas de francês da região de Nova Orleans do século XVIII.

Já para as músicas, a coisa fica um pouco pior. No Pântano, quando fora de perigo ou em pontos específicos da missão, só se ouve o som de sapos e afins, enquanto na cidade há uma música depressiva e muito, mas muito chata, que começa a irritar e dá vontade de simplesmente tirar o som do jogo.

Há algumas músicas boas, especialmente na última missão do jogo, que casa totalmente com o clima e dá até pena em pensar em como o trabalho musical de Assassin’s Creed III Liberation foi feita de modo fraco e sem muita atenção.

Uma das poucas boas músicas do jogo.

VISUAL

Um dos jogos mais bonitos do Vita, mais uma vez. Por ter áreas maiores do que Uncharted: Golden Abyss, é possível dizer que Liberation é mais bonito do que este. O jogo conta com vegetações muito bem feitas, variedade de cenários, detalhes nas construções e movimentação muito boas para seus personagens. As expressões faciais também são bem feitas, bem como a iluminação do jogo.

Belíssimos cenários.

Há alguns bugs (como era de se esperar), como personagens que estão DENTRO das paredes, seres que ficam estáticos em posições estranhas após algo acontecer e vários outros bugs menores.

E as colisões na hora dos assassinatos beiram o surreal: muitas vezes é como se Aveline estivesse atingindo o inimigo com uma extensão invisível de sua espada ou de sua hidden blade. Isso chega até a irritar, pois ocorre muitas vezes.

Mister M, senhor dos sortilégios, nos conte seu segredo de entrar dentro da parede!

Outro ponto baixo fica por conta das cut scenes, onde personagens que já pararam de falar continuam gesticulando, ou outros que estão conversando entre si não se olham (talvez sejam todos vesgos ou estrábicos… acho que não, né?).

E por fim, o jogo tem quedas de desempenho bruscas, muitos slow downs e muitas vezes há a impressão de que Aveline corre em câmera lenta.

Bela vista.

VEREDITO

Assassin’s Creed III Liberation é uma grande decepção. Esperado por muitos como um forte jogo para o PS Vita, a aventura de Aveline se mostra bastanta insípida, sem muito conteúdo, com muitos momentos chatos, trilha sonora passável e muito mais…

Se vale a pena? Eu diria que a preço de um lançamento, definitivamente não. E diferente de Revelations, nem o multiplayer vale a pena… quer saber como é o multiplayer de Assassin’s Creed III Liberation? Jogue algum jogo social do Facebook, o paradigma é o mesmo.

É muito triste ver a Ubisoft entregando um produto claramente caça níquel e que soa como feito às pressas para ser lançado juntamente com o poderoso e ambicioso Assassin’s Creed III, provavelmente buscando vender no rastro do hype imenso dos fãs que aguardavam a aventura de Connor.

Parte dama, parte escrava, parte assassina… e total decepção.

NOTAS

ENREDO: 3,0/10,0

+ Aveline é uma personagem interessante

+ Algumas reviravoltas graças aos “personagens bug” do Animus

- Problemas críticos de narrativa

- História confusa e esquecível

- Cadê a reconstrução histórica memorável que tanto marca a série?

JOGABILIDADE: 5,0/10,0

+ Escalada simples e funcional

+ Missões diversificadas

+ Sistema de troca de roupas é até interessante, mesmo podendo ter sido melhor explorado

- Gimmick forçado

- Contra-ataque falho

- Falta de conteúdo para um jogo de mundo aberto

SOM: 7,0/10,0

+ Dublagem bem feita

+ Algumas músicas empolgam

- Mas a maioria é passável, quando não irritantes

VISUAL: 6,5/10,0

+ Possivelmente o jogo mais belo do Vita

+ Bons efeitos de iluminação, água, enfim, os cenários em geral são muito caprichados

- Bugs estranhos

- Colisões em batalhas muito ruins

- Cut scenes mal feitas

- Muitas quedas de desempenho

NOTA FINAL: 5,0/10,0

Clique aqui para entender as notas do Jogador Pensante.

20
nov
12

[Suicídio Gamer] Expendables 2 The Videogame

Nome: Expendables 2 The Videogame
Corajosa: Ubisoft
Vítimas: Playstation 3, Xbox 360
Versão testada: Demo de 2012 para Playstation 3 (1181 MB)
Quanto tempo aguentei : Mais ou menos 20 minutos.

E lá vou eu me aventurar em uma obra-prima para o suicidio gamer!!

Sou fã da Ubisoft, acho o estúdio muito talentoso e preocupado com o que os gamers querem. Por isso, apelidei carinhosamente o estúdio de Ubi Linda. Afinal, com Splinter Cell, Assassin´s Creed, Rayman, Rainbow Six, Prince of Persia e outras obras o estúdio é muito F***. Mas a Ubi tem uma péssima mania de licenciar porcaria que tem no mercado sobrando; foi assim com Beowulf, Driver, C.S.I e outras bizarrices que ela têm, manchando a sua ampla e gloriosa biblioteca de títulos.

Expendables 2 The Videogame é mais uma licença ordinária que a empresa resolveu adquirir. Enquanto eu baixava os mais de 1000Mb desse jogo, já estava sentindo calafrios e com vontade de desistir, mas pelo bem de todos (menos meu) continuei em frente. Esse jogo é muito ruim! Não…ruim é pouco, é uma porcaria imensurável.

O jogo (se é que dá para chamar de jogo) segue a linha de jogos mais antigos de guerra em Side Scrolling, como os gloriosos Contra e Metal Slug. Mas só seguir não significa que conseguiu executar, ou pelo menos imitar a qualidade dos citados.

Durante a jogatina, a única coisa que você vai fazer é apontar os dois analógicos para alguma direção e segurar o R2 para atirar loucamente em qualquer direção, sem entender nem metade do que está acontecendo. Inimigos aparecem e somem misteriosamente e você sequer percebeu que eles estavam por ali. Tem uns golpes mortais que dá para executar com o Quadrado, quando se aproxima, mas sinceramente, você sequer lembra disso….afinal, você está dando tiros desenfreadamente. Para dar variedade, temos 4 personagens jogáveis para escolher. São eles: Stallone, Jet Li, Lundgren e Crews. Cada um tem uma especialidade em combate. Ah mentira! O que muda é a arma inicial deles, mas é só começar a jogar que tem de tudo quanto é arma no cenário, e vira tudo a mesma coisa…tipo caminhão de japonês ..tá piada ruim. É isso dar tiro loucamente, sem noção do que está fazendo, e acertando os mesmos inimigos milhões de vezes, sem notar que está matando. Tem como ficar trocando o personagem durante o jogo também, mas serve para nada, é tudo igual mesmo!

É incrível como conseguiram pegar um gênero tão divertido e deixar enjoativo, e sem qualquer atrativo.

Graficamente, essa joça parece um game old gen (sabe, bem do inicio do Ps2). Textura aqui não existe, esqueceram de avisar os caras da produtora de colocar pelo menos umas camadinhas nesse treco. Ah, sem falar do volume de objetos e matos reciclados no jogo. Nos mais de 20 minutos que joguei (sim eu fiz isso), o jogo repetiu tanto o que tinha no cenário, que parecia que era sempre o mesmo lugar.

Agora vamos para o que interessa: O som do jogo! (Porque é o pior de todos.)

Eita! Que bela meleca fizeram aqui. Os criadores desse jogo devem ser uns garotos nerds tetudos, que vivem na casa dos pais ainda…só pode. As armas do jogo têm o pior som que já ouvi em um jogo. É horrível. Bem pior que a era dos 16 bits (naquela época existia desculpa.). A arma do Falcão ( O Stallone) faz um barulho tipo pioca estourando em uma panela, só que abafado, é irritante, e estressante. Deu vontade de jogar no mudo. As demais armas é a pipoca estourando só que com queijo ou Bacon….

Pelo menos as vozes são originais, é o Rocky ( O Stallone ueh!) sempre dá suas liçõezinhas de moral.

A historia segue a do filme, e na demo deu para ver que deve ser uma “beleza”.

Ah, é isso! Olha, essa sessão vai ser um martírio  Tem jogo que até Deus deve duvidar que exista, sabe. Falando no todo poderoso, eu acho que ele estava tentando me livra desse sofrimento, pois tentei baixar “isso” 3 vezes, e o arquivo corrompeu em 2. Só pode ser obra divina!

Bem, o veredito é que se você vê alguma coisa licenciada que nunca foi elogiada por alguém, ou sequer aparece entre os favoritos de um ser nessa terra, acredite, aquilo é uma bomba e pode te traumatizar por um tempo.

Pelo menos a Ubi não anunciou sequencia…ainda.

NOTA : Tudo que tenha um Video Game no titulo, não merece nem 20 minutos.

02
nov
12

[Neto’s Review] Assassin’s Creed III

“É melhor ter fé em algo do que não ter fé nenhuma.”

Capa do jogo.

ENREDO

E finalmente chega a aventura final de Assassin’s Creed. Pode ser estranho para quem não é ligado na série, mas Assassin’s Creed III é na verdade o quinto jogo da série principal da franquia! Isso porque Ezio (o protagonista do segundo jogo) pegou dois jogos a mais: Brotherhood e Revelations.

Mas então a Ubisoft decidiu parar com isso e colocar um fim às memórias dos ancestrais de Desmond, protagonista da série toda, que revive as memórias de seus antepassados que estão embutidas em seu DNA, através de uma máquina chamada Animus. Toda essa ideia de reviver as memórias tem base em um cataclisma iminente que se aproxima da humanidade, cabendo a Desmond se colocar na pele de seus antepassados para encontrar artefatos e pistas que o ajude a parar essa tragédia.

Com a Apple of Eden em mãos, Desmond e sua equipe agora precisam encontrar uma chave específica que abre um portal em uma caverna construída por seres além da compreensão humana, onde então o fim do mundo poderia ser evitado. E é na busca dessa chave que entra o papel do último ancestral: Ratonhnhaké:ton.

Desmond e sua equipe.

Mas como esse nome está na língua negra de Mordor (a qual não pronunciarei aqui) no idioma indígena dos EUA, o jogo oferece um nome mais simpático às nossas línguas: Connor, um nativo americano do século XVIII, antes da Revolução Americana acontecer de fato.

Antes de conhecer Connor, no entanto, somos apresentados ao seu pai, Haythan Kenway, um inglês que vem para os Estados Unidos em busca de informações sobre “Aqueles que vieram antes”, ou seja, os seres místicos, bem antes do nascimento de Connor. Conhecer Haythan antes do protagonista do jogo em si é excelente para o enredo, pois ele é um personagem pivô na trama de Assassin’s Creed III. E conhecendo ele, de quebra também acabamos conhecendo todo o pessoal que o cerca.

Tudo isso consegue fazer o jogador ficar preso na história do jogo. Isso sempre foi marca da série, porém dessa vez é algo muito mais elevado, Assassin’s Creed III conta com uma ligação jogador-personagens muito maior do que antes, quando nossa ligação mais forte era no máximo com os protagonistas Altair e Ezio. Agora essa ligação está em outro nível, os personagens são mais expressivos e conhecê-los mais detalhadamente é o que dá margem para isso.

Haythan, à esquerda.

Outro ponto fenomenal do enredo de Assassin’s Creed III são algumas reviravoltas, que deixam o jogador aturdido e uma delas é um “mindfuck” total, digno de “When you see it, you’ll shit bricks”. Essa característica também faz o jogador ficar muito imerso na trama, vendo todos os detalhes e conferindo cada cena e conversa, pois a qualquer momento pode acontecer algo diferente.

Agora, em relação à reconstrução histórica do período da Revolução Americana, mais uma vez a série deu um show. O cuidado para apresentar personagens famosos como George Washington é algo difícil de se ver até mesmo em filmes que retratam a época, a fidelidade das vestimentas dos personagens, os prédios e, inclusive, os próprios fatos, são de extrema qualidade e aguçam a curiosidade do jogador para ir saber mais sobre todo esse universo.

George Washington

O jogo bombardeia o jogador com informações o tempo todo, que podem ser vistas em forma de base de dados bastante detalhadas, como uma mini wikipédia. Absolutamente qualquer coisa famosa, como um prédio, um fato ou uma pessoa famosa (ou pelo menos pivotal para o enredo do jogo, mesmo que fictícia) aparece detalhada, com curiosidades e um resumo de sua vida e obra.

Não há receio em dizer que é o melhor enredo da série, o que mais prende e o que mais faz o jogador ter um elo de ligação forte com seu elenco.

O pequeno Connor sendo ameaçado, em uma artwork.

JOGABILIDADE

Assassin’s Creed III é um jogo sandbox, que bebeu enormemente da fonte de Red Dead Redemption. Sendo Connor um indígena, é natural que ele seja um expert em caça e sobrevivência na selva, e é nesse ponto que o jogo se parece bastante com o faroeste da Rockstar.

Não mais concentrado em somente uma cidade (como foi em Brotherhood e Revelations), o jogo possui duas cidades grandes (Nova York e Boston), uma fazenda e uma área enorme chamada Fronteira. As side quests mais diversas estarão na fronteira, com desafios de caça, fronteiriços contando suas histórias, missões para melhorar as provisões da fazenda de Aquiles (tutor de Connor) e outras. É na Fronteira que é possível sentir esse clima de Red Dead Redemption, seja pela vastidão do cenário, seja por eventos aleatórios, seja por animais selvagens, seja pelos desafios.

Caçando pela fronteira.

Em Nova York e Boston também há muito o que se fazer, com missões de liberação, ataques a fortes inimigos, compra de produtos e muitos outros. A cidade dificilmente vai deixar o jogador enfadado, mas é na Fronteira que as coisas realmente acontecem com mais diversidade.

O problema é que tal mundo aberto com muitas possibilidades demora muito para realmente surgir para o jogador. Assassin’s Creed III tem o início mais lento de toda a série, uma introdução longuíssima e que pode ser frustrante. Demora em demasia para o assassino Connor, vestido com sua túnica estilosa da Irmandade dos Assassinos, realmente dar as caras.

Isso dá a aparência de ser um grande tutorial. Aliás, um enorme tutorial, ensinando várias das possibilidades do jogo (sejam elas novas ou antigas na série). Uma escolha sábia para o enredo, que se tornou o mais íntimo da série, porém não é algo que vá agradar a qualquer um. Por isso, Assassin’s Creed III parece ter sido feito especialmente para agradar os já fãs da franquia, que sabem do potencial da série e que têm plena noção de que o jogo vai se mostrar logo após essas longas horas de introdução.

Outro problema do jogo, ainda em relação às side quests, é a forma como elas são apresentadas. Muitas delas deveriam ter sido apresentadas dentro das missões obrigatórias, pois aí seria possível ter uma visão do por que ir atrás de fazê-las. Essa falta de apresentação cria um certo receio e recusa por parte do jogador a fazer estas missões, que pipocam pela Fronteira e pelas cidades. É como se o jogo oferecesse absolutamente tudo ao jogador, mas desde que ele vá atrás por conta própria, muito diferente de antes, onde a série apresentava absolutamente todas as suas características (e sem a necessidade de uma introdução gigantesca e desanimadora).

Um exemplo da falha disso é o uso de uma nova, poderosa e estilosa arma: a rope dart. O jogo, durante uma missão principal, coloca o item no inventário de Connor, mas não o ensina a usar de forma perfeita. E o tutorial disso está em uma side quest, que nem no mapa aparece! Uma característica nova dessa não tem tutorial, mas escalar, o que é muito mais intuitivo e já marca registrada da série, possui um tutorial. No mínimo estranha a escolha da desenvolvedora de fazer dessa forma.

O rope dart.

O gerenciamento de recursos da fazenda serve para obter, basicamente, mais receita, ou seja, dinheiro. Recrutando novos colonos e colocando-os para trabalhar, é possível enviar carroças para todo lugar. O problema é que o dinheiro em Assassin’s Creed III é algo muito mais supérfluo do que foi nos jogos com Ezio. Não há muita necessidade de se obter novas armas (a não ser munições, iscas para caça e armadilhas, que são ligeiramente baratos) e não há mais upgrade na armadura do assassino, nem mesmo há doutores vendendo remédio por aí (o que era muito necessário nos anteriores). Então, deixar a fazenda operando lindamente serve mais ao ego do jogador do que aos propósitos do jogo mesmo.

O combate não mudou tanto dos jogos anteriores, porém agora os inimigos estão mais agressivos e há mais possibilidades do que se fazer com eles. Basicamente, o jogo funciona na base do contra-ataque, dependente dos reflexos do jogador, e não em sua habilidade de fazer combos (para atacar, é só esmagar o botão), onde o timing é essencial para uma defesa bem sucedida e o inimigo abrir uma brecha para o contra-ataque. Como estamos no século XVIII, é normal que agora haja muito mais armas de fogo e muitas vezes Connor será alvejado, mas pode usar escudos humanos para se defender, o que é muito bom e simples. A variedade de inimigos, também aumentou, não só com armas diferentes, mas com posturas diferentes: uns não aceitam contra-ataques diretos, outros bloquearão suas investidas, ou preferirão tomar distância e tentar um tiro.

Combate.

Para combater estes vários tipos de inimigos, Connor conta principalmente com seu machado tomahawk, rápido e mortal, juntamente com suas hidden blades. Mas nem todo ataque precisa ser violento, muitas vezes uma aproximação sorrateira é muito mais vantajosa, mesmo sendo bem mais difícil de não ser visto. E se a coisa apertar, é sebo nas canelas e correr, o que também está muito mais difícil do que antes, visto que muito mais guardas se juntam para correr, bloquear a passagem e alvejar Connor, e encontrar um lugar seguro para se esconder se torna bastante dificultoso, ainda mais se o nível de procurado estiver alto.

A movimentação do jogo está de alto nível, apesar de demorar um pouco para acostumar-se com a agilidade de Connor. Mas os botões respondem bastante bem, e a velocidade dele se torna algo natural, e as mecânicas de escalar segue como nos anteriores, tudo intuitivo e fácil, bastando apenas achar os pontos certos para acessar a plataforma seguinte. E agora com a adição de escalar árvores, fica ainda melhor, muitas vezes a melhor forma de acessar uma área mais alta é fazendo um arborismo. E todos sabem como é importante escalar em Assassin’s Creed, principalmente para conseguir visualizar novos pontos do mapa, sincronizando-o a partir de locais altíssimos.

As árvores adicionam bastante ao jogo.

Ponto baixo é para a movimentação sobre os cavalos, que é bastante bugada e muitas vezes deixa o jogador preso e travado.

As missões principais são todas muito variadas e possuem objetivos opcionais, que servem basicamente para achievements na PSN, Steam ou Xbox Live. Mas a vontade de fazer todos os opcionais vai ser bem alta, pelo nível de desafio, o que fará o jogador recarregar o último checkpoint muitas vezes! Os objetivos opcionais variam entre conseguir matar sem ser visto, conseguir eliminar alvos de determinadas maneiras, não perder tanta energia em batalhas, correr contra o tempo, e coisas do tipo.

Uma das novidades mais esperadas de Assassin’s Creed III era o modo de batalha naval. E superou todas as expectativas! Connor toma posse de um navio de guerra e deve ajustar suas velas conforme o vento e a necessidade, disparar os canhões, selecionar os tiros e muito mais. Essas missões são divertidas e desafiadoras, pois contam com mudanças de vento, outros navios atacando, obstáculos no mar e muito mais. Se não houver agilidade nos dedos e uma habilidade para controlar o navio, é morte na certa.

Batalha naval.

Após o longo início do jogo, quando ele realmente se mostra, percebe-se que Assassin’s Creed III é o mais variado da série, com muito o que se fazer, coletáveis e afins. O clima de sandbox é alto e até mesmo não fazer nada, apenas andar pela Fronteira e caçar pode se tornar algo prazeroso.

Novas armas, novas possibilidades.

SOM

Simplesmente de primeira. Jesper Kyd se foi (uma pena, é um excelente compositor), mas Lorne Balfe (que ajudou Kyd em Assassin’s Creed Revelations) não deixou a bola cair. A série sempre foi sinônimo de qualidade de composições musicais, com músicas atmosféricas que caíam muito bem às situações e em Assassin’s Creed III não é diferente: orquestrações de altíssimo nível e músicas muito presentes (bem mais do que no jogo anterior da série).

O trabalho de dublagem (a original, a em português não saiu ainda) também é fantástico, inclusive com personagens falando bilingue muitas vezes, mas como agora a história se passa nos Estados Unidos, não é mais aquele inglês macarrônico da turma do Ezio. Os indígenas, por exemplo, só se comunicam entre si pela sua língua própria (aí o motivo do nome impronunciável por caras-pálidas de Connor), mas com legendas (essas já em português).

De resto, os sons ambientes, de explosivos, de gritarias pelas ruas, conversas, tiros e afins também são excelentes. A sonoplastia do jogo é algo sem falhas.

A música tema de Assassin’s Creed III 

GRÁFICOS

O principal upgrade visual de Assassin’s Creed III em relação aos anteriores da série é na sincronização labial e nas expressões faciais durante as cutscenes. Um trabalho primoroso (claro que não é L.A. Noire) e fenomenal, com expressões bem mais realistas e a boca se movendo bem mais de acordo com o que se está sendo dito. Caso não seja uma cutscene, mas sim uma conversa normal, o detalhismo já não é tão alto, mas nem se faz necessário, na verdade.

Os modelos também estão muito mais robustos e bonitos, o principal é claro que é o de Connor, com animações suaves e realistas, mas até mesmo os modelos dos NPCs menores também são bem montados o suficiente para serem convincentes.

Modelos e expressões faciais.

Mudanças climáticas também são belíssimas de se ver, principalmente a chuva, com raios que iluminam todo o cenário e a água caindo. É um dos efeitos mais bonitos do jogo, e também dessa geração de videogames. Falando em água, os efeitos do mar aberto quando em missões navais também são excelentes, com um oceano agitado, cheio de ondas e espuma, de forma bastante realista.

O mesmo não pode se dizer da água de rios e baías enquanto Connor está nadando, com respingos estranhos saindo mesmo com o jogador parado sem fazer nada, principalmente em uma cutscene, um efeito bem estranho.

Nos cenários e construções não se vê tanta diferença para o jogo anterior da série, mas os efeitos de iluminação melhoraram consideravelmente (experimente ficar parado embaixo de uma árvore que faz sombra, por exemplo, cada folha faz a diferença na hora da luz encontrar o corpo de Connor).

O jogo possui alguns bugs gráficos, uma vez um guarda foi subir em uma cerca e simplesmente voou, outra vez um npc sumiu e apareceu várias vezes, ou um cavalo travou na cerca e parecia estar tendo um ataque epiléptico. Mas o jogo é muito grande e variado, então isso é algo até esperado.

O mar.

VEREDITO

Assassin’s Creed III tinha absolutamente tudo para ser o melhor da série, mas algumas escolhas estranhas, como uma introdução enormemente lenta e side quests mal apresentadas não o fazem ganhar o posto. É um jogo feito para os já fãs da franquia, não é aconselhável começar a jogar a partir dele caso os anteriores não tenham feito o seu gosto, mesmo você não ligando para o enredo. Mas o jogo tem muito brilho e figura entre os melhores do ano certamente, porque depois que as opções se revelam (ou que o jogador vai atrás de saber por conta própria) chega a hora de dizer: ISSO É ASSASSIN’S CREED!

Connor

NOTAS

ENREDO: 10,0/10,0

+ O melhor enredo de uma série com enredos fantásticos desde o primeiro jogo

+ Forte elo do jogador para com os personagens

+ Reviravoltas de tirar o fôlego

+ Um final coerente para Desmond

+ Reconstrução histórica mais uma vez fantástica

JOGABILIDADE: 8,0/10,0

+ Movimentação fluída

+ Novas opções de escalar

+ Combate mais dinâmico e inimigos mais agressivos

+ Muito o que se fazer pelas cidades e pela Fronteira

+ O jogo bebeu da fonte certa em vários pontos: Red Dead Redemption

+ Missões principais bastante variadas

+ Machado, rope dart, arco e flecha… as novas armas são excelentes

+ Capitanear o navio é uma das melhores coisas dos videogames

- Introdução lenta, grande e frustrante

- Muitas características novas mal apresentadas ou não apresentadas propriamente

- Cavalo bugado

SOM: 10,0/10,0

+ Músicas empolgantes

+ Dublagem excelente

+ Jogo poliglota

GRÁFICOS: 9,0/10,0

+ Iluminação

+ Efeitos da água do mar aberto são lindos

+ Modelagem dos personagens, expressões faciais e lipsinc primorosos

- Água estranha durante a natação

- Alguns bugs 

NOTA FINAL: 8,5/10,0

01
nov
12

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