“Liberty can be messy, Ahmet. But it is priceless.”
INTRODUÇÃO
Assassin’s Creed Revelations é a última parte da trilogia de Ezio Auditore da Firenze, o mestre assassino que estamos acostumados a controlar desde 2009. Será que a Ubisoft, produtora do jogo, fez certo em manter o mesmo período histórico e mesmo personagem durante três jogos em uma série que, de início, todos os jogadores pensaram ser sempre com um personagem e tempo diferentes? Ou será que tudo isso foi uma hidden blade direcionada ao próprio pé?
ENREDO
Após os eventos de Assassin’s Creed Brotherhood, Desmond Miles entra em coma. Mas não um coma comum. Ao entrar nesse estágio, o protagonista da série é ligado diretamente ao Animus e descobre, com a ajuda (um tanto estranha) do Subject 16, um cara misterioso que é mencionado desde o segundo jogo da série, que deve completar uma certa memória de Ezio para sair do estado de coma.
A memória em questão apresenta um Ezio bem mais velho (grisalho por sinal) procurando a biblioteca de Altaïr Ibn-La’Ahad, o protagonista do primeiro jogo da série. A busca o leva até Masyaf, cidade onde quartel general dos assassinos no Oriente Médio durante as Cruzadas ficava. Ezio encontra a porta, porém não consegue abri-la, pois precisa de chaves (bem místicas e cheias de poderes, por sinal) específicas.
O objetivo final do jogo é obter estas chaves e isso leva Ezio até Constantinopla, capital do Império Otomano na época. É nessa cidade que acontecem os principais eventos do jogo. Ezio acaba por conhecer os assassinos locais, que o ensinam a sobreviver mais facilmente em Istambul (o outro nome de Constantinopla). E por estar em uma cidade tão rica e governada por um sultanato, Ezio acaba se envolvendo na briga de poderes entre dois irmãos que são candidatos à sucessão.
E é nesse jogo onde Ezio encontra o segundo amor de sua vida, Sofia Sartor, que o ajuda a desvendar os mistérios de certos livros que funcionam como espécie de guia para a obtenção das chaves.
Mais uma vez, o mais importante do enredo do jogo fica por conta da reinvenção e reconstrução históricas, desta vez de Istambul e seus personagens da época e do local. Conhece-se o príncipe Solimão, que existiu de verdade e se torna um grande parceiro de Ezio durante o jogo, onde os dois se ajudam a todo momento, pois seus objetivos acabam se entrelaçando durante o jogo. A todo o momento o jogo oferece informações de locais históricos e também de conceitos (como o que era um banco na época) para o jogador, engrandecendo vastamente o caráter enciclopédico que a série sempre ofereceu.
Revelations também nos mostra um Ezio bastante maduro e mais experiente em tudo, tanto em estratégias de batalhas quanto em liderança, além de mostrar o personagem bastante sereno, bem mais do que em outros jogos. Ao início de cada memória Ezio narra o que aconteceu na anterior e qual seria o próximo passo. Essa narração é feita enquanto o protagonista escreve cartas para sua irmã, Claudia, que ficou na Itália.
Também em Revelations é feito um histórico da vida de Altaïr após os eventos que acontecem após sua ascensão a chefe dos Assassinos em Masyaf, o que é bem interessante, visto que havia esse buraco a ser preenchido na série. Talvez seja, inclusive, o ponto mais relevante do enredo.
JOGABILIDADE
Se há um jogo da série que soe como caça-níquel, é Revelations. O jogo não apresentou mudanças notáveis desde o anterior, Brotherhood… e o que apresentou, falhou.
Revelations segue a mesmíssima configuração do jogo anterior. Ezio ainda recruta membros e os usa para ajuda em combate, bem como o jogador pode mandá-los para missões fora de Istambul conforme desejar, sabendo que eles ficarão fora pelo tempo determinado pela missão, impossibilitando o assassino em questão de ajudar em batalhas. Com isso eles ganham mais níveis e vão sendo aprimorados. Nada disso, no entanto, será estritamente necessário.
O facílimo combate de Assassin’s Creed (talvez o principal problema da série, baseado em contra-atacar o inimigo, com pouquíssimas diferenças entre estes, talvez a maior sendo devido a resistência maior de pseudo-chefes) deixa essa opção de fortalecer o seu exército parecendo um mero exercício de ego, bem como no anterior. A diferença é que a novidade que isso apresentava no anterior poderia motivar. Nesse, não. Não há motivo algum para melhorar o exército.
Voltam as missões de tomar de volta quartéis-generais que estiverem sob posse dos templários, para que Istambul possa ser revitalizada. Essa é a parte que deve ser considerada a mais “stealth” do jogo, pois é mais fácil matar o chefe do quartel às escondidas, de longe. O fator stealth foi bastante deixado de lado em Revelations, o que é uma pena, pois Brotherhood havia elevado esse lado da série a grandes alturas e eu sinceramente esperava um salto maior em Revelations, e não um retrocesso, afinal vencer uma batalha em Assassin’s Creed é muito mais fácil do que ir escondido, sem ninguém perceber… a batalha é uma questão de tempo até ser vencida. O stealth é uma questão de habilidade e frieza.
O parkour agora ganha um elemento interessante. A chamada Hookblade, dada a Ezio por Yusuf, chefe dos assassinos de Constantinopla. Com ela, Ezio agora alcança locais que antes eram difíceis, principalmente em pulos de maiores distâncias. Com a lâmina em forma de gancho, o protagonista agora consegue se prender em telhados que forem mais longe, bem como viajar por cordas que ligadas de telhado a telhado, numa espécie de tirolesa.
Também é possível utilizar a hookblade durante as lutas. Ezio agora pode roubar os pertences de seus inimigos utilizando a nova lâmina. Além disso, é possível usá-la para escapar de barricadas formadas por inimigos… porém é algo que é esquecido facilmente, visto que o jogo não faz muita força para o jogador utilizar com mais freqüência essa habilidade nova além do tutorial.
Revelations segue o esquema de Brotherhood e coloca o jogador em apenas uma cidade bem grande, que é cortada por um rio. O cavalo, adição muito bem vinda no jogo anterior foi retirado nesse, tornando a travessia pelas cidades mais demorada, fazendo o jogador ir correndo para os locais ou utilizando os túneis de atalho que devem ser revitalizados. Uma pena retirar esse meio de transporte tão facilitador como o cavalo.
Em Istambul voltam as facções que ajudam Ezio, só que algumas com nomes diferentes. As cortesãs, que ajudavam Ezio a se misturar e avançar nas áreas escondido, são substituídas por ciganas, por exemplo. No fim das contas, as funções são as mesmas.
A inovação do jogo tentou vir através de um novo tipo de arma e uma maneira de defender esconderijos de assassinos: o novo tipo de arma são as bombas, enquanto a defesa é realizada através de um modo tático conhecido como Tower Defense. Ambas as novidades são uma chatice sem tamanho.
Para utilizar as bombas, Ezio deverá montá-las em locais próprios para isso, que estão espalhados pelas fases e por Istambul. Para isso, deve-se obter os ingredientes, ou através de saques aos inimigos, baús ou comprando no mercado negro. Cada ingrediente diferente misturado (são três para se fazer uma bomba), gerará um tipo diferente de explosivo. A variedade das bombas é um ponto positivo, se parar para pensar bem. No entanto é muitíssimo chato ficar fazendo bombas diferentes para ver o efeito. Não funciona, quebra a fluência do jogo totalmente.
O modo Tower Defense é outra coisa que quebra a fluência do jogo. De tempos em tempos, algum esconderijo dos Assassinos será atacado por um grupo templário. O jogador escolhe ou não ir defender (que bom que há essa escolha, e não é obrigação) contra a investida templária. O Tower Defense funciona dessa forma: conforme os recrutas disponíveis (aqueles que o próprio jogador salva durante o jogo e vai montando seu pequeno exército), Ezio deve posicioná-los no alto de telhados que ficam na entrada dos esconderijos e comandá-los a atacar cada horda de inimigos que chegam. Também é possível colocar barricadas, dar tiros de canhões e afins. Parece legal na teoria, mas eu sinceramente penso que o jogo fica muito quebrado, visto que essas batalhas são longas (ou, de tão chatas, parece levam mais tempo do que o normal).
Um ponto alto é que esse Assassin’s Creed apresenta muitas situações diferentes e inusitadas. Ezio pode se ver puxado por uma carroça enquanto segura numa corda, usar o pára-quedas para alcançar locais mais distantes, pulando de um local mais alto, entre outras, e até mesmo usá-lo enquanto está sendo puxado por uma carroça enquanto segura numa corda.
Ah, e jogar com Altaïr em algumas partes, para ver o resto de sua história como assassino é muito interessante e dá uma dinâmica muito boa ao jogo.
SOM
É o ponto mais alto do jogo, facilmente. Dublagens impecáveis com sotaques italianos e turcos trazem ao jogo muita fidelidade geográfica e histórica.
(Ezio cantando. Hilário.)
As músicas do compositor Jesper Kyd mais uma vez não deixam por desejar, apesar de que poderiam ser mais aparentes durante todo o jogo, visto que tocam mais em momentos certos, como cut-scenes.
(O tema de Assassin’s Creed Revelations)
VISUAL
Assassin’s Creed Revelations é um jogo lindo, isso não há muito como negar. O grau de detalhe da cidade, sendo mundo aberto, é de se espantar e louvável. O problema é que a engine do jogo pareceu que foi pouco atualizada, portanto muitas vezes parece que se está percorrendo ainda pela Itália, justamente pelos gráficos serem um bom deja-vu dos jogos anteriores.
O ponto alto de detalhismo vai para os tecidos e roupas dos personagens. A quantidade de detalhes da roupa do príncipe Solimão é de dar inveja a muito jogo, mostrando toda a ostentação da riqueza que as famílias reais da Turquia apresentavam. Também destacam-se as armaduras dos janízaros, a guarda particular da família do sultão.
Deve-se também saber que é o jogo mais cinematográfico da série, com alguns takes de câmera mostrando cenários grandes e ricos em detalhes.
VEREDITO
É bom saber que acabou o ciclo de Ezio na série. O personagem, idoso, reflete o cansaço da série. É o jogo da série com menos evoluções e se mostra moroso até mais ou menos a metade, dando uma melhorada depois, por apresentar situações diversificadas.
Se o jogador deixar de lado as bombas e o Tower Defense, vai se divertir moderadamente, muito menos do que nos anteriores (talvez mais do que no primeiro, no entanto). A série com Ezio está desgastada e é um alívio saber que ela chegou ao fim. Agora é aguardar por Assassin’s Creed III, já anunciado, que se passará nos Estados Unidos da América, com outro ancestral, em outra época. UFA!
Agora deixa eu voltar para o viciante e fantástico modo online do jogo. Eu infelizmente só analiso o modo single player dos jogos, que pra mim é o grosso do jogo, principalmente da série Assassin’s Creed. Mas, para você que quer saber se vale a pena comprar pelo modo online, eu te digo: VALE!
NOTAS
ENREDO: 8,5/10,0
+ Saber que fim levou Altaïr dá uma sensação de missão cumprida
+ Reconstrução histórica competentíssima, mais uma vez
- A história de Desmond não avança muito
- Conhecer o passado de Desmond é feito de modo muito morno
JOGABILIDADE: 6,5/10,0
+ Hookblade traz boas adições
+ Muitas missões a serem feitas dão longevidade ao jogo
+ Cidade viva e com alguns eventos aleatórios
+ Muitas situações variadas e divertidas
+ Jogar com Altaïr novamente é muito bom
- Cadê o cavalo?
- Algumas são esquecidas por pouco ou nenhum uso
- Stealth mal aproveitado e regredido
- Novidades (bombas e Tower Defense) totalmente dispensáveis
- Partes jogáveis com Desmond são no mínimo tediosas
SOM: 9,0/10,0
+ Dublagem competente
+ Músicas inspiradas, porém…
- … Poderiam ter abusado mais delas
VISUAL: 8,0/10,0
+ Alto detalhismo do figurino dos personagens
+ Visitar Istambul no século XVI e interagir com a mesma é fenomenal
+ Cinematografia usada com muita moderação, não atrapalhando em absolutamente nada
- Deja-vu nos gráficos: a engine já está ultrapassada!
NOTA FINAL: 7,0/10,0















A guerra do Genesis
Soul Sacrifice (Playstation Vita)
Metro: Last Light (Rodrigo)
Star Trek (Messias)
2a Temporada, capítulo 4 – Sem rumo







Não entendi a negativada em relação ao cavalo… não é uma roma aberta sem telhados pra ter cavalo.. Quer dizer que a nota do AC2 cai porque ACB tem cavalo? Não faz sentido, mas tudo bem.
Era uma grande adição que deixava as coisas bem mais rápidas. AC II não tem a nota reduzida porque isso não tinha sido implantado antes, somente em Brotherhood.
Faz todo sentido. Vc não pode negativar um jogo que saiu ANTES da inovação bem-vinda… Revelations é um jogo com uma cidade gigantesca que deveria ter uma forma rápida de locomoção, não somente túneis de atalhos.
Entenda por cavalo qualquer forma de transporte mais rápida. Podia ser um camelo, rinoceronte, qualquer coisa.
Mas nem tem espaço pra isso.. colocaram isso no Brotherhood por não poderem mais contar com os telhados do AC 1 e 2… O Revelations voltou a ter tanto telhado quanto os outros, e ainda com a adição dos túneis, que não tinha nos jogos com ruas apertadas, o 1 e o 2.. não faz nem sentido ter cavalo naquelas ruas.. já tem os esgotos como meio de locomoção mais rápido e o cavalo nem fez falta.
Era bom os cavalos quando tinha missão muito longe no ACB e nenhum prédio ou esgoto em volta, só mato e estrada… aí é outro conceito, outra proposta. Não entendi a caída de nota por isso.
Fran, continuo achando uma subtração ridícula à série. O cavalo seria muito bem vindo. Os túneis existem em AC Brotherhood e mesmo assim temos os cavalos… tanto é que os túneis ficam até meio esquecidos no BH.
O cavalo não deveria ter sido tirado, de boa… tem muito espaço pra andar com eles por Istambul. Ô se tem.
calma calma gente, logo a Ubi lança um spin-off denominado AC horse blue blood
HASUEHSAUHEUSAHEUASUHES seria otemo!